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Estudante que sofre com doença crônica luta na Justiça por remédio de alto custo

goo.gl/G8h83L | Um estudante de Marília (SP) que sofre com uma doença crônica teve o medicamento indicado pelo médico negado pela Justiça. O medicamento de alto custo não é fornecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O estudante Renan de Lima Garcia foi diagnosticado com a doença de Crohn, que é uma inflamação no intestino que pode levar um paciente à morte, caso ele não tome os medicamentos.

Depois de passar por cinco médicos, em um ano de exames, Renan recebeu o diagnóstico. "Eu tinha bastante cólica, dor abdominal, muito sangramento, diarreia com sangue, eu ia de 20 a 30 vezes por dia no banheiro. Nunca tinha ouvido falar, não conhecia ninguém que tinha. Ai eu comecei a pesquisar e tive que me adaptar a ela", conta Renan.

O estudante entrou na Justiça para pedir o medicamento de alto custo chamado Vedolizumabe. Cada ampola custa em média R$ 15 mil e ele precisa tomar uma a cada dois meses. Na primeira decisão, o juiz determinou que o governo liberasse o remédio com urgência, mas depois retrocedeu.  Na ação consta que não houve fornecedores interessados em vender o remédio, então o juiz recomendou que o médico indicasse outro medicamento.

Renan recorreu da decisão na Justiça porque encontrou um laboratório no Brasil que aceitou distribuir o remédio para o SUS. Enquanto a ação não é julgada, ele sonha com uma vida saudável. "Eu tenho sonhos, eu quero estudar, eu quero trabalhar como qualquer pessoa normal e eu não consigo me impede, essa doença me impede e com esse remédio eu acho que eu poderia ter uma qualidade de vida melhor."

O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Marília no informou que o medicamento Vedolizumabe está em processo de compra e que o fornecedor será cobrado para que entregue o produto o quanto antes, para que seja disponibilizado ao paciente o mais rápido possível.

A doença

A doença de Crohn é uma inflamação nas paredes do intestino. Uma bactéria qualquer ataca o intestino, o corpo reage causando uma inflamação para matar a bactéria, ela morre, mas a inflamação continua no corpo do paciente. Em uma pessoa saudável depois que a bactéria morre, a inflamação desaparece.

"São doenças crônicas, cujos sintomas são totalmente inespecíficos, daí a dificuldade da gente fazer um diagnóstico, então: dor no abdômen, diarreia, sangramento, febre noturna, quer dizer, todos nós podemos ter isso e não sermos portadores da doença. Porém, quando apresentarmos esses sintomas tem que ser investigado, por isso a dificuldade do diagnóstico, porque essa doença acomete jovens e um jovem com sintomas como esses ele é negligenciado, não é investigado e aí essa doença que começa de uma forma mais branda, tranquila, pode se agravar se o diagnóstico não for realizado", explica o médico Fábio Vieira Teixeira.

A doença não tem cura, mas pode ser controlada com o uso de remédios. Renan então passou a tomar quatro medicamentos diferentes por mês e por um ano levou uma vida normal. "Nesse um ano minha vida voltou ao normal, eu tive qualidade de vida, consegui trabalhar, consegui fazer meus cursos normalmente", conta Renan.

O problema é que depois de um ano, os remédios pararam de fazer efeito. É que além da doença de Crohn, o Renan luta contra outro problema. O corpo dele se acostuma muito rápido com os remédios e aí eles param de fazer efeito. De acordo com o médico, normalmente isso leva de cinco a sete anos pra acontecer com um paciente, mas com o Renan basta apenas um ano.

Ele já mudou duas vezes de remédio e precisa trocar de novo, mas esse terceiro tipo não foi liberado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Com o tratamento suspenso, ele está apenas tomando remédios para controlar a dor. "Está muito difícil, febre diariamente, sangramento, ida ao banheiro o dia todo, cansaço, exaustão, cólica, bem difícil", reclama Renan.

Segundo o médico Fábio Vieira Teixeira, ele corre risco de morte. "Sem dúvida, se a pessoa fica sem tratamento porque ela não está respondendo ao tratamento com aquele medicamento que ela esta usando naquele momento, ela vai piorar o quadro, então ela pode sangrar mais, desnutrir, pode ter dor abdominal, quer dizer, é como se a doença voltasse a estaca zero. Você perdeu totalmente o controle da doença, por isso é extremamente importante a pessoa ter o medicamento, tratar adequadamente a doença", finaliza.



Remédio não é disponibilizado pelo SUS (Foto: Reprodução / TV TEM)

Fonte: G1

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