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Universidade afasta professor denunciado por assédio e agressão contra aluna

goo.gl/PVG9eU | O professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) denunciado por assédio contra de uma aluna da Faculdade de Odotnologia foi afastado do cargo. De acordo com a assessoria de comunicação da instituição, a decisão, que não tem caráter punitivo, foi tomada pelo reitor Marcus David com o objetivo de preservar o andamento do processo.

Processo prorrogado

No dia 6 de novembro, o G1 divulgou que  Processo Administrativo Disciplinar que apura a denúncia de agressão e assédio do professor de 61 anos contra a aluna da UFJF tinha sido prorrogado por mais 60 dias. De acordo com a Diretoria de Imagem Institucional, o processo foi instaurado em setembro e o prazo para o término das investigações era de 60 dias, prorrogável por mais 60, o que foi solicitado pela comissão responsável. No desta informação, a reportagem não chegou a conseguir contato com o professor.

A aluna denunciou o caso em junho. Segundo o relato dela, durante uma aula, chamou o professor pelo nome e ele pediu para ela sair da sala. Os dois foram até outro local onde, de acordo com a aluna, o docente trancou a porta, agarrou-a pelos braços e colocou o corpo bem próximo ao dela.

Ainda de acordo com a UFJF, paralelamente também têm sido tomadas providências internas na Faculdade de Odontologia, como forma de preservar a aluna e os demais acadêmicos que se sentirem, de alguma maneira, constrangidos.

Após um acidente de motoneta e dois meses de afastamento por licença médica, o professor reassumiu as funções na faculdade no final de agosto.

Além do processo administrativo, outra investigação da denúncia está em andamento na Polícia Civil. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) também acompanha o caso e realizou abaixo-assinado pelo afastamento do professor até o final das apurações, como forma de proteger a denunciante e possíveis testemunhas.

O DCE destacou que houve uma reunião com o reitor para discutir o assunto, mas ainda não recebeu resposta. A UFJF informou ao G1 que respeita o movimento do DCE.

Assédio, agressão e ameaça

De acordo com o Boletim de Ocorrência, em algum momento durante a aula, a aluna teria chamado o professor pelo nome. Ele pediu, então, que ela saísse da sala, onde estavam os outros estudantes.

Os dois foram até outra sala reservada onde, de acordo com a aluna, o docente trancou a porta, a agarrou pelos braços e colocou o corpo bem próximo ao dela, forçando a aluna contra a parede.

Segundo a vítima, ele disse que ela não poderia chamá-lo pelo nome e teria que mostrar respeito, visto que era uma "reles acadis" (acadêmica) e não poderia estar junto aos "docs" (doutores). Após soltá-la, ela continuou na aula e o professor passou a ofendê-la dizendo que a universitária não se formaria no fim do ano porque não teria competência para passar em três disciplinas com ele, também conforme o BO.

De acordo com o relato da estudante, assim que a aula do dia 23 de junho terminou, ela chamou os pais e procurou a direção da Faculdade de Odontologia para formalizar a denúncia.

A ouvidora Vânia Bara foi chamada e a Polícia Militar (PM) acionada para fazer o registro da ocorrência. De acordo com a PM, a direção da faculdade informou que o professor não estava em ambiente acadêmico no momento do registro da ocorrência e não foi encontrado para falar sobre a denúncia. Na época, a vice-reitora Girlene Silva garantiu à família da estudante que a denúncia seria tratada com profunda seriedade.

Professor já teria assediado a mesma aluna

A estudante contou aos policiais que, quando cursava o 5º período do curso, teve aulas com o mesmo professor e, na época, ele começou a chamá-la de "tigresa" porque a viu com as unhas pintadas. Nesta época, o professor a teria chamado para uma sala, mandou que ela se sentasse e ficou encostando as pernas nela. Ele também pediu que ela mandasse fotos para slides, mas o boletim não detalha de que seriam as imagens.

Desde então, segundo relato da universitária, ela sempre sofreu coação moral do professor, que a segurava pelo braço, procurava encostar os corpos e, em um episódio, tentou beijá-la no rosto, mas não conseguiu. A estudante disse ainda que o docente assedia outras estudantes e que teria pedido a uma aluna que ficasse de sutiã e jaleco. Segundo a universitária, ela não fez a denúncia antes porque o professor dizia que ela não iria se formar.

No dia 27 de junho, a Comissão de Sindicância da UFJF iniciou os trabalhos com trâmite em sigilo.

A unidade informou que foram adotadas todas as medidas para resguardar a aluna que fez a denúncia. A estudante já cumpriu as matérias que seriam ministradas pelo professor e está seguindo o curso normalmente.

O vice-presidente da Associação de Docentes de Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes), Agostinho Beghelli Filho, revelou que houve um contato do professor com a associação, solicitando uma reunião com a administração superior da universidade, onde pudesse explicar sua versão dos fatos. A reunião com o reitor da UFJF aconteceu no dia 24 de junho.

No dia 28 de junho, um grupo de alunos da Faculdade de Odontologia realizou um protesto em solidariedade à estudante. Eles disseram que vão acompanhar a apuração do caso, e que exigem uma punição diante do comportamento recorrente do professor, porque há relatos de outras situações semelhantes.

O relatório elaborado pela comissão de sindicância foi concluído no final de julho e encaminhado para análise da Procuradoria da instituição. Após o parecer jurídico, foi enviado para a Administração da UFJF, que instaurou a comissão para dar sequência à tramitação do caso.

O fato que gerou a denúncia é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil, no Bairro São Mateus.

Acidente e afastamento

O professor estava afastado das funções na UFJF para se recuperar de um acidente de motoneta no dia 27 de junho, quatro dias após a apresentação da denúncia contra ele.

De acordo com a PM, ele pilotava o veículo pela Rua José Lourenço Kelmer, no Morro do Imperador, quando caiu ao fazer uma curva. Uma testemunha disse aos policiais que suspeita que o professor tenha derrapado na areia que estava na pista. O docente foi socorrido até o Hospital Monte Sinai, onde relatou aos militares que não sabia as causas do acidente, mas que não havia outro veículo envolvido.

O professor apresentou o pedido de licença médica e foi examinado por médicos peritos da UFJF, que concederam o afastamento até 26 de julho. No entanto, ao fim do prazo, ele apresentou um pedido de prorrogação. Após nova perícia técnica, a licença médica foi prorrogada até 25 de agosto. Nesta época, ele foi liberado e retomou as funções.

Fonte: G1

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