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Crime choca promotor de justiça: mãe que torturou e matou o filho pega 17 anos de prisão

goo.gl/ENtgMR | O Tribunal do Júri de Franca se reuniu ontem para julgar um dos crimes de maior repercussão já cometidos na região. Jane Aparecida Jardim sentou-se no banco dos réus acusada de torturar e matar o próprio filho Adriano Henrique Jardim Ramos, 5. O então marido dela, Tiago Rodrigues, também foi julgado por duas acusações de tortura. Ambos foram condenados.

O júri atraiu a atenção de centenas de pessoas. Estudantes de Direito, estagiários, advogados, conselheiros tutelares, policiais e jornalistas acompanharam o julgamento. Muitos tiveram de ficar de pé.

Responsável pela acusação, o promotor de Justiça Odilon Nery Comodaro usou as duas horas e trinta minutos a que tinha direito para tentar convencer os jurados de que Jane não gostava de Adriano e que teve a intenção de matá-lo. Ele exibiu fotos do menino entubado e imagens dos laudos feitos pela polícia que constatavam as lesões sofridas por ele. “A Jane mordia, queimava e espancava o filho. Ela matou o Adriano com emprego de muita violência. A criança teve morte por politraumatismo. Estamos lidando com um monstro.”

O promotor também exibiu o depoimento que Cauã, filho de Jane, que tinha 11 anos na época dos fatos, prestou durante a fase de interrogatórios. O relato de 20 minutos provou comoção. “A Jane não é mais minha mãe”, sentenciou o garoto, que contou detalhes de castigos que recebiam.

O menino disse que a mãe chegou a amarrar Adriano com corda em um tronco e que o padrasto já havia feito o irmão comer as próprias fezes e o vômito. “Eles faziam isso só porque ele não queria comer. Um dia, o Tiago pegou um vidro de pimenta e fez o Adriano comer tudo. Ele ficou com a boca queimada.”

Usando um agasalho e o uniforme da Penitenciária de Tremembé, onde está desde a época do crime, Jane chorou várias vezes e negou que tenha espancado o filho. “Não bati com a vassoura nem queimei ele com cigarro. Jamais faria uma coisa dessas. Não queria matar o meu filho. De forma alguma.” Em nenhum momento, ela disse que se arrependeu ou se gostava do filho.

A defesa usou a estratégia de explorar a história de vida de Jane e fez perguntas que remeteram à sua infância e adolescência. Ela disse que foi obrigada a sair de casa aos 12 anos e que teria sido abusada pelo padrasto.

A advogada Aparecida Capela pediu que Jane não fosse condenada por homicídio e, sim, por lesão corporal seguida de morte. “Dizer que ela quis matar, torturar, é muito pesado. Foi uma atitude exacerbada de mãe que quis corrigir.”

A defesa de Tiago sustentou que não havia provas de que ele torturava os dois meninos.

Às 15h35, o juiz José Rodrigues Arimatéa leu a sentença. Jane foi condenada por homicídio triplamente qualificado e por tortura. A pena somada é de 17 anos, oito meses e 20 dias de reclusão em regime inicial fechado. Ela não poderá recorrer em liberdade. Tiago foi condenado pelos dois crimes de tortura. A pena dele foi fixada em 4 anos e oito meses de reclusão. O regime inicial é aberto e ele poderá recorrer em liberdade.

“Não consigo nem pensar direito. Estou chorando. Nossa, como ela pode pegar só 17 anos e oito meses e ele ficar em liberdade? O Adriano era só uma criança indefesa. Ela deveria pegar a pena máxima. Vou pedir ao promotor que recorra”, lamentou Andréa Marques, madrasta de Adriano.

'Ela quis apenas corrigir', diz advogada de Jane Jardim

A advogada Aparecida Capela e o filho dela, Fábio, foram os responsáveis pela defesa de Jane Jardim. Marlon Cléber e Braz Profiro defenderam Tiago Rodrigues.

A defesa de Jane sustentou que ela sofreu abusos na adolescência e que não teve a intenção de matar Adriano. Ela tentou convencer os jurados de que teria ocorrido o crime de lesão corporal seguido de morte, que tem pena mais branda, e não homicídio triplamente qualificado, como defendia o Ministério Público.

“A Jane quis apenas corrigir. Não tem características que ela espancou com ódio. Não existe isso. Não torturou até a morte. Não podemos ser sensacionalistas. Não podemos condenar uma mãe que ficou com raiva e bateu no filho. A criança morreu porque caiu e bateu a cabecinha no chão.”

Aparecida Capela disse que Jane exagerou, pois estava nervosa. “A Jane já está sendo julgada e condenada por ter perdido o filho que amava. Já paga o preço da morte do filho. Não teve o direito de ver o enterro do filho, pois estava presa.”

Os advogados de Tiago sustentaram que ele não cometeu torturas e que apenas corrigiu os filhos. “Ele agiu com excesso, mas não quis torturar. Não há nenhuma prova. Ele não teve esta intenção”, disse Marlon Cléber.

‘Fazer comer fezes, vômitos e morder não são corretivos’

O promotor Odilon Comodaro, responsável pela acusação, disse que o crime foi um dos mais chocantes em que atuou durante a carreira. “Não é necessário nem analisar os laudos ou ler os testemunhos. Basta apenas ver as fotos da criança após as agressões. As imagens são chocantes. Houve uma brutalidade fora do comum.”

Comodaro exibiu o vídeo do depoimento de Jane à polícia. Ela disse que não conseguia sentir nada por Adriano. Um policial perguntou se Jane tinha nojo do filho. “Acho que sim. Tentava abraçar e beijar ele, e não conseguia. Parece que tinha alguma coisa”, ela respondeu.

O promotor refutou a versão apresentada por Jane de que pretendia apenas corrigir o filho. “Acreditar na versão dela é acreditar em Papai Noel e no coelhinho da Páscoa. Fazer comer fezes, vômitos e morder não são corretivos. Ela não gostava da criança e quis matá-la. Estamos lidando com um monstro”.

Disse que Jane, ao pedir que socorressem o filho, não estava arrependida. “Ela agiu com remorso, com medo das consequências, medo de ser presa. Arrependimento, não.”

Para ele, a pena foi aplicada corretamente e não deverá recorrer. “Não gostaria que pena nenhuma tivesse sido aplicada, pois, na verdade, não gostaria que o crime tivesse acontecido. É tudo muito triste, é trágico.”

Reportagem de Edson Arantes
Fonte: gcn net

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