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O Tribunal do Júri e a natureza de cada advogado - Por Pedro Wellington da Siva

goo.gl/z35ZrI | O Tribunal do Júri e a natureza de cada advogado. O advogado é o profissional que, fazendo uma comparação com a medicina, pode ser considerado um clínico geral. O curso de Direito forma o estudante de modo que ele tenha uma compreensão geral da sociedade e, principalmente, do ordenamento jurídico.

Por isso o estudo de sociologia, economia, direito civil, direito penal e etc. Depois de formado e devidamente habilitado nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, o agora advogado pode então delimitar sua área de atuação e finalmente se especializar.

Não é todo advogado que atua no âmbito criminal. E dentre eles há uma pequena parcela que atua perante o tribunal do júri. E isso se dá por uma série de razões. Às vezes o profissional não gosta de falar em público, não tem a veia teatral necessária a uma boa atuação em plenário.

Enfim, os motivos são diversos. Mas é importante dizer que nem um deles necessariamente tem relação com a competência do profissional. Há excelentes criminalistas que não atuam no tribunal do júri.

O tribunal do júri é espaço para poucos!

Lamentavelmente, é comum ver um advogado enfrentar um processo de júri e não se preparar de forma suficiente para a guerra que é esse tipo de julgamento.

Jean Severo afirmou em um artigo publicado neste canal que:
Frequentemente me deparo, principalmente em audiências e no plenário do júri, com colegas que ainda não estão preparados para realizar procedimentos jurídicos que envolvam oratória. É constrangedor ver um advogado formado não conseguir sequer formular uma frase contendo sujeito + verbo + predicado. Tenho certeza que o colega sabe da necessidade de construir uma frase utilizando esses elementos, no entanto, o nervosismo relativo ao ato de perguntar faz com que o profissional atropele a gramática e transforme sua pergunta em algo que não se posso entender.
E infelizmente o mais prejudicado quando isso acontece é o cliente, que por vezes sofre uma condenação pesada por conta de um despreparo do seu defensor.

Outro aspecto muito interessante quando se analisa o perfil dos advogados que atuam no tribunal do júri é a natureza de cada profissional.

Certa vez ouvi de um jurista que no tribunal do júri o advogado não pode ferir sua própria natureza. Queria ele dizer que se a pessoa tem uma personalidade calma, não adianta ela tentar ser o oposto.

Eu discordo.

Em primeiro lugar, considero o júri um teatro. E justamente por já ter feito muito teatro e admirar profundamente essa magnífica arte, é que não concordo com o comentário do colega.

Em segundo lugar, entendo que o advogado deve se doar de corpo e alma no momento da defesa criminal, ainda que para isso tenha que vestir um “personagem” que não necessariamente corresponde com a pessoa que o interpreta.

Ora, o que esperar de uma mãe que tem uma personalidade tranquila e está vendo o filho ser ameaçado? Que ela mantenha a sua calma? Óbvio que não! Certamente ela até matará para manter o seu filho a salvo.

E esse raciocínio se aplica à relação advogado/cliente, pois para provar a inocência de um cliente o bom advogado pode não matar, mas certamente irá gritar, chorar, fazer tudo o que o ordenamento jurídico lhe permite de modo que possa realizar uma efetiva ampla defesa.

Quem me conhece sabe que sou mais reservado, falo baixo, por vezes fico nervoso com facilidade, tenho certas tremuras nas mãos e etc. Em resumo, todos os predicados negativos para quem atua ou pretende atuar em tribunais.

Apesar dos pesares, insisto em atuar nesse antigo e belíssimo instituto que é o Tribunal do Júri. O importante é que com o meu trabalho já consegui mudar a vida de algumas pessoas, que saíram absolvidas dos processos que respondiam há anos. Isso não tem preço!

Ao vestir a beca é como se colocássemos uma armadura. A oratória é a arma mais importante que temos frente ao poder punitivo do Estado. A defesa tem a palavra. Vamos à guerra!

Fonte: Canal Ciências Criminais

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