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Sucesso profissional: este é o sinal de que um concurso público é o melhor para você

goo.gl/kW5oaP | Muita gente decide prestar concursos públicos por motivos, digamos, bem pragmáticos. O objetivo é ter um emprego — pouco importam as atribuições do cargo — que seja mais estável do que a maioria das oportunidades oferecidas pela iniciativa privada.

A longo prazo, porém, esse tipo de vantagem se revela insuficiente. Você só será feliz na carreira estatal se realmente se identificar com os valores e particularidades desse universo.

É o caso de Flávia Tondato, que ocupa desde março de 2017 o cargo de escrevente técnico-judiciário no Juizado Especial Cível da comarca de Rio Claro, no interior de São Paulo. “Estou vivendo um sonho”, conta ela. “A imagem de que funcionário público tem uma rotina sossegada é totalmente falsa, porque trabalhamos muito, e estou mais feliz do que nunca”.

Flávia não soube desde sempre que tinha perfil para atuar numa instituição pública. Formada em Letras e fluente em inglês e espanhol, ela trabalhou em empresas privadas do setor de comércio exterior por quase uma década. Tudo mudou em meados de 2014, quando engravidou.

“Eu amamentava minha filha no banheiro do escritório, algumas pessoas se sentiram incomodadas e começaram a reclamar, o que acabou levando à minha demissão”, lembra. “Fiquei muito abalada e decepcionada com o mundo corporativo desde então”.

Decidida a ter um vínculo mais estável, ela seguiu o exemplo da mãe e do marido, que são funcionários públicos, e começou a se preparar para o concurso de escrevente técnico-judiciário, no qual eventualmente foi aprovada.

“O salário bruto gira em torno de 6 mil reais, com carga horária equilibrada”, diz ela. “Essa era a minha motivação para prestar o concurso, ter um emprego que pagasse bem e me desse tempo para cuidar da vida pessoal”.

Porém, a estreia na nova função reservava surpresas agradáveis para Flávia. “Descobri um ambiente seguro, estável, respeitoso, sem a pressão do mundo das empresas”, afirma. “O ritmo é puxado, mas ninguém exige horas extras desnecessárias ou tarefas que não foram combinadas antes”.

O propósito foi outra descoberta importante. Sua função no cartório é atender quem busca soluções para pequenas causas judiciais. “É muito gostoso ver o resultado sair rapidinho e trazer um alívio para aquela pessoa”, diz Flávia. “Acho que o principal sentido da carreira pública é ajudar o país a melhorar de alguma maneira, e sinto que estou tendo essa oportunidade agora”.

Dois tipos de recompensa

Ter um trabalho com impacto social também é importante para Kleber Azel, perito criminal da Polícia Científica de Guarulhos. Desde criança ele sonhava em ser policial, mas acabou fazendo graduação em TI (Tecnologia da Informação).

Após alguns anos de experiência em empresas privadas, ele decidiu se embrenhar no universo dos concursos públicos. “O mercado ia mal e eu tinha medo de ser demitido a qualquer momento”, lembra ele.

O salário inicial foi um dos principais motivadores da opção pela vaga na Polícia Científica de Guarulhos. “Você ganha quase 10 mil reais por mês, algo inimaginável no mercado de TI para quem acabou de sair da faculdade”, conta.

Além da recompensa material, ele também se sente gratificado em termos emocionais. Isso porque, ao lado de outros profissionais da polícia, o perito é uma figura-chave para a resolução de crimes. “Os familiares das vítimas sempre nos pedem ajuda para fazermos justiça”, diz Kleber. “Vejo significado no meu trabalho quando consigo ajudá-los, sinto que estou prestando um serviço para a sociedade”.

A rotina de Kleber e seus colegas é investigar a cena de um crime para encontrar vestígios de quem o cometeu, tais como material biológico ou impressões digitais. Em seguida, elaboram hipóteses sobre a identidade do culpado e buscam determinar a mais factível entre elas.

Apesar de gostar de seu trabalho, Kleber admite que trabalhar em empresas privadas ainda tem certas vantagens sobre a carreira pública. “Quem gosta de ambientes altamente dinâmicos e competitivos provavelmente vai se frustrar com o serviço público, porque mudanças são muito mais lentas, inclusive em termos de salário e promoção de cargo”, explica.

E a tal vocação?

Na visão de Vanessa Pancioni, professora e gerente acadêmica da escola preparatória para concursos LFG,  qualidade de vida, estabilidade e remuneração atraem muita gente para a carreira pública, mas a felicidade a longo prazo só é possível quando há vocação.

A palavra vem do latim “vocare”, verbo que quer dizer “chamar”, “convocar”. “Significa que você deve se sentir chamado no seu íntimo para contribuir com o Brasil em frentes como justiça, educação, saúde”, explica a professora.

Para ela, a diferença está no objetivo do trabalho. Na iniciativa privada, o funcionário se esforça para maximizar os lucros do negócio. Já o servidor público se esforça para promover o bem público — ainda que existam algumas instituições, como o Banco do Brasil, que também visem ao lucro.

“A iniciativa privada também contribui para o país, paga seus impostos, mas só na carreira pública você pode fazer isso diretamente, acertar aquilo que está errado, melhorar os serviços, favorecer a vida de outras pessoas”, explica Pancioni. “Existe uma vinculação emocional com o país”.

Essa identificação subjetiva com os objetivos da atuação pública é fundamental para relativizar suas desvantagens em relação à carreira na iniciativa privada, tais como o ritmo mais lento de ascensão e a existência de um teto para a remuneração.

Na visão da professora da LFG, a vontade de servir ao país é um dos motivos pelos quais os concursos atraem cada vez mais brasileiros. Ela destaca o papel da operação Lava-Jato como geradora de status para carreira estatal ao conferir uma visibilidade inédita a servidores públicos.

Basta ver a popularidade de figuras como o juiz Sérgio Moro, por exemplo. “Aquele mito do funcionário público ‘encostado’ está caindo por terra”, diz ela. “Hoje cada vez mais pessoas sonham em contribuir para o país, seja para combater a corrupção, seja para melhorar nossos sistemas de educação, transporte, saúde, segurança”.

Na contramão dessa ideia, Gabriel Henrique Pinto, diretor e coach da escola preparatória Central de Concursos, não acredita na necessidade de uma vocação específica para trabalhar como funcionário público.

Para ele, os objetivos de uma empresa privada e de uma entidade estatal não têm diferenças. “Hoje as competências exigidas de um funcionário de uma companhia particular são idênticas às esperadas de um servidor público”, diz.

Ainda assim, o especialista acredita na existência de uma vocação para ser concurseiro. “É preciso ser uma pessoa altamente disciplinada, estudiosa organizada, determinada a passar”, explica. “Como os concursos estão muito mais disputados do que no passado, você precisa ‘ter perfil’ para ser aprovado”.

Por Claudia Gasparini
Fonte: Exame Abril

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