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Com PDV do governo, ainda vale a pena estudar para concursos? Sim, dizem especialistas

goo.gl/sy2PsK | O ano de 2017 já não é um dos mais movimentados para quem faz concursos públicos. O cenário ficou ainda mais desanimador nos últimos dias, com o anúncio de planos do governo de criar um programa de demissão voluntária (PDV) e de redução de jornada para os servidores públicos do Poder Executivo. A notícia pode ter deixado muitos candidatos a um cargo concursado sem esperança.

Mas, segundo especialistas ouvidos pelo G1, os candidatos não devem desanimar e parar de estudar. O motivo é que o PDV e a redução da jornada envolvem somente o funcionalismo federal. Ou seja, ainda existem oportunidades nas esferas estadual e municipal e no poder judiciário. Eles também ressaltam que os atuais concursos em andamento não devem ser afetados.

“O momento não é dos mais prósperos em número de vagas oferecidas, mas o PDV envolve o funcionalismo federal somente. Concursos no poder judiciário continuam acontecendo, e nos estados e municípios também”, lembra Lia Salgado, colunista do G1.

“O atual momento de crise é cíclico. Até o início dos anos 2000 o número de servidores era reduzido e os vencimentos muito aquém dos merecidos, o que sofreu valorização nos últimos 10 a 12 anos, mas voltamos ao momento ruim novamente. Com a recuperação da economia e a necessidade de maior eficiência à máquina administrativa, a realização dos concursos tende a aumentar em breve”, afirma Cláudio Freitas, professor do Qconcursos.com.

Leonardo Chaves, coach para concursos públicos, ressalta que a medida afeta o Poder Executivo Federal. “Os outros poderes e órgãos com autonomia orçamentária e financeira mantêm a possibilidade de realizar concursos, sempre observando os limites das despesas de pessoal, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, como é o caso dos Tribunal de Contas, Defensorias e Ministérios Públicos, Tribunais Superiores, Senado Federal e Câmara dos Deputados”, diz.

Em 2016, a suspensão dos concursos públicos abrangeu até 40.389 cargos reservados para "provimento, admissão ou contratação", referentes a todos os Poderes, ao Ministério Público da União (MPU) e ao Conselho Nacional do Ministério Público, informou o Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (MPOG). Para 2017, Dyogo Oliveira, ministro do Planejamento, também afirmou que não havia previsão de novos concursos.

Mesmo com o contingenciamento de vagas, o ano de 2017 teve algumas oportunidades para quem está em busca de uma vaga no serviço público, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST), além das seleções estaduais e municipais.

Estudos

Segundo os especialistas, os candidatos não devem parar a preparação, mantendo o ritmo de estudo na área em que pretendem atuar, já que rotatividade dos servidores vai continuar e o serviço público precisará preencher essas vagas no futuro.

Planejar os estudos, ter um cronograma de disciplinas que serão estudadas por dia e horários para a tarefa e resolver exercícios de provas anteriores são as principais dicas para quem está se preparando para um concurso público. Disciplinas que aparecem em diversos editais podem ter uma atenção especial, como língua portuguesa, informática, raciocínio-lógico, direito administrativo e direito constitucional.

“Na atual situação, é importante estar atento a todas as oportunidades. Talvez não seja adequado ficar indefinidamente aguardando o concurso dos sonhos. É mais produtivo dedicar-se ao que surgir, desde que não seja totalmente fora da sua área de interesse e atenda minimamente às suas necessidades, e continuar estudando para oportunidades melhores”, aconselha Lia Salgado.

PDV e redução da jornada de trabalho

De acordo com o Ministério do Planejamento, o servidor que aderir ao PDV terá direito a receber 1,25 salário para cada ano trabalhado.

Além disso, informou o Planejamento, está sendo preparada uma proposta para reduzir a jornada dos servidores. Ela vai permitir que, ao invés de 8 horas diárias e 40 horas semanais, os servidores possam trabalhar 6 horas diárias e 30 semanais ou trabalhar 4 horas diárias e 20 semanais. Neste caso, o servidor terá o salário cortado na mesma proporção da redução da jornada de trabalho.

O objetivo do governo é diminuir os gastos com a folha de pagamentos, num momento de fragilidade nas contas públicas. De acordo com o Planejamento, apenas o PDV deve gerar economia de cerca de R$ 1 bilhão ao ano.

Por Pâmela Kometani, G1
Fonte: g1 globo

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