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O advogado defende qualquer um por dinheiro: realidade ou mito? Por Anderson Figueira

goo.gl/usfmh4 | A acusação mais comum e leviana que os advogados criminalistas são vítimas da sociedade em geral é esta: advogado criminalista não tem moral para falar sobre crimes e criminosos, afinal ele defende ou acusa qualquer um por dinheiro.

Por Deus, antes de ser um repetidor de informações, pense nos seus conhecidos, procure na sua lista de amigos das redes sociais qual deles é advogado criminalista e pergunte como foi e como é sua carreira.

Advogados criminalistas cobram pelo seu trabalho? Evidentemente que sim, são profissionais e sendo bons, os clientes deverão pagar um preço considerável pelo seu trabalho, como qualquer prestação de serviços, mas cuidado ao generalizar em comentários sobre este tema, pois os advogados criminalistas tiveram um início de carreira, precisam se aperfeiçoar e isso tem um custo cada vez mais elevado.

Porém, os advogados criminalistas passaram por vários processos ao longo da carreira sem receber nada ou muito pouco. Alguns dirão, mais uma conversa de advogado, mas repito, converse com um criminalista e verá o que ele tem a dizer sobre diversos casos que atuou como defensor dativo[1], sendo que muitos deles nomeados na última hora.

Advogados criminalistas são constantemente chamados pelos amigos dos amigos do fulano de tal, que teve um probleminha, mas que precisa muito da ajuda de um excelente defensor, porém este sujeito normalmente está com a situação financeira complicada, e o advogado seja pela questão pessoal, ou pela sua consciência humanitária não vai fugir da luta, estará lado a lado com o indivíduo nesta hora difícil.

Também não é incomum, o advogado criminalista sofrer críticas de membros do Ministério Público e do Poder Judiciário, que por dinheiro, acusa tão bem quanto um Promotor de Justiça, e que suas teses defensivas são violadas na inversão das atuações. Interessante contextualizar que quando estes ocupantes de cargos públicos tão importantes, ao se aposentarem, normalmente formam uma banca de advogados, e geralmente são muito bem recebidos pelos advogados criminalistas.

Uma carreira bem planejada começa a ser definida ainda na universidade, passa por anos de estudo, de atualizações. O Exame da Ordem dos Advogados do Brasil apresenta um grau de dificuldade considerável. Um jovem advogado criminalista se não possuir um familiar que já tem experiência na área ou se não compor uma banca de criminalistas já atuante no mercado, terá muitas dificuldades de alavancar seu nome, e cobrar valores nos mesmos moldes que os renomados.

Aos mais céticos, antes de criticarem os advogados criminalistas, façam uma visita nos fóruns, entrem na sala de audiência de uma vara criminal e observe, que se um advogado criminalista por acaso chegar antes da sua solenidade e a audiência que vai acontecer não for a sua, poderá ser chamado a colaborar com Poder Judiciário e realizar a audiência anterior nomeado na hora, sem tempo até para ler o processo, isso pouca gente sabe, e os que sabem já estão tão acostumados com essa realidade nacional que acham até normal.

Por essas razões, os advogados criminalistas jamais deixam de acreditar nas causas sociais, nem pela falta de recursos de clientes mais necessitados negam um atendimento, algumas vezes passam o contato de outro colega que está iniciando a carreira e quer mostrar serviço. O ciclo da carreira é normalmente assim, os mais experientes conversam alegremente com os colegas mais novos e passam dicas valiosas nestas sessões sem preço algum, pela parceria e pela alegria de estar formando um profissional que depois de um tempo fará o mesmo com os mais novatos.
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[1] Defensor dativo é aquele advogado que é chamado normalmente por um juiz para atuar num processo onde naquele momento não há defensor público suficiente para a demanda.

Por Anderson Figueira da Roza
Fonte: Canal Ciências Criminais

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