'Fico pensando em leis enquanto limpo privadas' diz a advogada que virou faxineira em SP

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goo.gl/w58dAi | Todos os dias, a advogada Rosana da Silva, de 54 anos, senta-se em um banquinho de plástico em um cruzamento da zona sul de São Paulo e levanta uma placa de papelão com um anúncio: "Faxina. Sete horas. R$ 60."

Há quem pare e olhe, curioso. Há quem tire fotos e publique nas redes sociais ou anote o número dela para um serviço futuro.

Mas a trajetória de Rosana é mais complexa do que o pedido público de emprego: ela era secretária, ralou para pagar a faculdade de Direito e formou-se advogada, mas entrou em uma derrocada que a levou às ruas e à faxina.

"Quando conto minha história às pessoas que me contratam, a frase que mais ouço é 'não acredito'", diz ela, sentada na esquina. "Ou acham que sou doida, e não existe nada pior do que ser considerada doida", acrescenta.

Fracasso profissional

Ela se formou em Direito em 1995 na Unifieo, uma universidade particular em Osasco, na Grande São Paulo. Pagou o curso com seu salário de secretária, com a "dureza de gente pobre", nas palavras dela. Em seguida, conseguiu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com a inscrição 139416, número que ela cita de cor dez anos depois de ter abandonado a carreira.



Rosana da Silva está há dez anos sem pagar a anuidade da OAB, o que a impede de retomar a carreira. (Foto: Reprodução/OAB-SP )

Os primeiros passos como advogada foi em um pequeno escritório que montou com amigos da faculdade. Depois, conseguiu entrar em uma banca de colegas renomados da área de Direito bancário, no centro da cidade.

Rosana conta que foi esse trabalho fez girar a espiral que a levou ao fracasso profissional.

"Nesse escritório, eu sofri assédio moral por parte dos dois donos. Me humilhavam: imagina você ser chamada de burra o tempo todo, de incompetente, de drogada. Foram três anos", afirma. Ela diz que nunca usou entorpecentes.

Rosana prefere que os nomes dos dois advogados não sejam citados nesta reportagem. Diz que processou os antigos patrões e que fez representações contra eles na comissão de ética da OAB-SP, mas nunca conseguiu vencer os processos.

Ela costuma carregar a papelada de algumas ações em sua mochila - tem medo de que eles desapareçam.

Procurada pela reportagem, a OAB-SP afirmou que não comenta casos que correm em sigilo.

'Todas as portas fechadas'

Rosana nasceu em Itanhaém, no litoral paulista, mas foi criada por parentes, longe dos pais. Sempre viveu praticamente sozinha e só retomou contato com um dos irmãos depois que ele viu uma foto sua na internet, há pouco mais de um ano.

Ela nunca mais conseguiu um trabalho como advogada depois que saiu de seu último escritório. Acredita que foi perseguida pela OAB, onde seus patrões tinham influência, diz. A instituição não comenta o caso.

Nada que Rosana fazia dava certo - tentou dar aulas, mas também foi demitida. "Em São Paulo, o mundo do Direito é muito pequeno. Você fica conhecida como a pessoa que processou os patrões, suas chances diminuem", conta.

Ela resolveu se mudar para Florianópolis, pois não encontrou emprego nem apoio em sua família adotiva. "Pensei: será que não estou tornando um problema pequeno em algo muito grande?", conta a advogada, que chegou a passar em psicólogos para entender porque sua carreira não deslanchava. "Achei que, se eu saísse de São Paulo, talvez conseguisse me reerguer."

Mas ela não conseguiu. O dinheiro acabou, o aluguel acumulou e Rosana foi viver nas ruas, onde ficou por sete anos.

Começou a fazer faxinas para conseguir comer. "Não sobrou mais nada para mim porque a sociedade fechou todas as portas", diz.

'Morro de fome, mas pago o aluguel'




Rosana precisa fazer dez faxinas de R$ 60 para conseguir pagar o aluguel do quarto onde mora, na zona sul de São Paulo. (Foto: Leandro Machado/BBC Brasil )

Viver nas ruas não é algo de que Rosana se orgulha - ela costuma dizer perdeu sua cidadania quando deixou de ter um endereço fixo. "Como conseguir um emprego se você diz que tem 54 anos e não mora em lugar nenhum? As empresas têm uma cartilha de desculpas para não te contratar."

Foi por isso que ela criou a placa com o anúncio. Com ela, elimina-se qualquer questionamento sobre seu histórico - Rosana torna-se apenas mais uma pessoa em busca de trabalho.

Ela cobra R$ 60 por sete horas de limpeza - um preço baixo no centro expandido de São Paulo. O piso mensal dos trabalhadores domésticos na cidade é de R$ 1.140 por três dias de trabalho semanais, segundo o sindicato da categoria.

Rosana precisa fazer ao menos dez faxinas por mês para conseguir pagar o aluguel de um quartinho com cama, fogão e geladeira. Tem meses que não consegue - seu irmão costuma ajudá-la. "Eu morro de fome, mas pago o aluguel. Não volto para a rua de jeito nenhum", diz.

Esse medo se justifica: ela conta já ter enfrentado episódios de assédio e tentativas de estupro - uma vez, por exemplo, um homem invadiu a barraca onde dormia com uma arma, conta.

"Na rua, o homem te enxerga como propriedade", afirma. "Ele diz: 'como assim você está nessa situação e não quer nada comigo?' Cara, porque ninguém entende quando uma mulher decide viver sozinha?"

Outra dificuldade é escapar de uma rotina de violências e dependência de drogas vivida por parte de outras pessoas na mesma situação.

Voltar para o Direito

O maior sonho de Rosana é voltar a trabalhar como advogada. Mas ela está "suspensa" da OAB-SP porque deve dez anos de anuidade - cada ano custa R$ 997,30, dinheiro que a advogada não tem.

"Preciso de uma oportunidade de trabalho, apenas isso", diz, na calçada onde segura sua placa pedindo serviços de faxina.

"É complicado: fico pensando em leis enquanto limpo privadas."

Fonte: g1 globo

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  1. Essas ordens, conselhos, sei la, so querem dinheiro. Ajudar o profissional e dificil, aparece la com dinheiro, te dao uma licensa, te arrumar um trabalho, nada

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  2. O site direito news não poderia promover uma vaquinha virtual para pagar a dívida da Rosana com a OAB? Isso seria de muito respeito e creio que muitos como eu ficariam felizes em ajudar!

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  3. O site direito news não poderia promover uma vaquinha virtual para pagar a dívida da Rosana com a OAB? Isso seria de muito respeito e creio que muitos como eu ficariam felizes em ajudar!+1

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  4. O site direito news não poderia promover uma vaquinha virtual para pagar a dívida da Rosana com a OAB? Isso seria de muito respeito e creio que muitos como eu ficariam felizes em ajudar!+2

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  5. O site direito news não poderia promover uma vaquinha virtual para pagar a dívida da Rosana com a OAB? Isso seria de muito respeito e creio que muitos como eu ficariam felizes em ajudar!+3

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  6. O site direito news não poderia promover uma vaquinha virtual para pagar a dívida da Rosana com a OAB? Isso seria de muito respeito e creio que muitos como eu ficariam felizes em ajudar!+4

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  7. A maior parte da dívida de Rosana está prescrita e a OAB sabe disso. O mínimo que nossa madrasta(a OAB) poderia fazer seria chamar a advogada e propor negociação para pagamento da divida e abrir algumas portas, que os dirigentes têm , com certeza!

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  8. Estranho não ter nada certo em escritório nenhum, nem dando aulas, não ter apoio de familiares... Essa história contada por um lado só está muito mal contada.

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  9. Independente do real acontecimento, muito triste essa situação

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  10. Nobres colegas e muito triste, pois a graduação, prova da OAB, são todas estas fases de grande sacrifício etc ... Sem dúvidas é muito difícil tarefa e muito árdua missão, iniciar-se na carreira jurídica, ainda, mais quando você se forma já com idade madura e com poucas possesfinanceiras e apoio de advindos da própria família ...

    Porém, acredito ser um pouco confusa tal reportagem e me compadeço da nobre colega, posto que, existem diversas oportunidades dentro área jurídica e inúmeras areas de atuação, singelos exemplos, inscrição na defensoria pública como advogado dativo, correspondente jurídico, trabalhar em empresas, processos seletivos, concursos ... trabalhar em escritórios, fazer plantões em delegacias ... plantões em foros criminais etc ... Ser autônomo mesmo !!!!!! E ir pra cima, captar novos clientes ... etc ... etc ... perseguição ???!!! Talvez ... Agora, Falta de oportunidades, falta de foco, falta de apoio familiar,falta de apoio financeiro, falta de clientes ... falta de motivação, desânimo etc ... Esse é o grande desafio diário de todo advogado ... Que Deus abençoe a colega e que possa encontrar ânimo, motivação e condições financeiras, para voltar a ativa e ter grande sucesso na carreira ainda tempo com certeza, fé em Deus sempre, que eke a abençoe e lhe traga força e muita Fé e grande coragem para prosseguir ...

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  11. Pelo amor de Deus, se alguém conseguir o telefone dessa senhora coloque aqui nos comentários. Ajudar uma colega nessa situação é o mínimo que se espera de quem jurou defender o Direito e a Justiça.

    Ninguém aqui sabe o amanhã, basta um dia ruim para acabar com anos de esforço.

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  12. O site direito news não poderia promover uma vaquinha virtual para pagar a dívida da Rosana com a OAB? Isso seria de muito respeito e creio que muitos como eu ficariam felizes em ajudar!

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  13. O site direito news não poderia promover uma vaquinha virtual para pagar a dívida da Rosana com a OAB? Isso seria de muito respeito e creio que muitos como eu ficariam felizes em ajudar!

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  14. Embora havendo concluído o curso de direito (em uma faculdade não muito conhecida)e possuindo uma carteira da OAB/SP, Sinceramente não acredito que essa senhora tenha sido capacitada para advogar, primeiro pelo fato de não ter competência sequer de processar os colegas que a assediaram,e segundo não haver conseguindo pelo menos um emprego na àrea jurídica, ou conseguido aprovação em um concurso publico qualquer. deve ter um péssimo histórico escolar para se submeter a tamanha humilhação. NÃO QUERENDO DESMERECER NENHUMA OUTRA PROFISSÃO, MAIS TEMOS QUE ADMITIR QUE A ADVOCACIA É UMA PROFISSÃO NOBRE.

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    1. Não querendo desmerecer, mas já desmerecendo, não é mesmo meu NOBRE?
      Compreenda que as adversidades ecoam em cada um de maneira distinta. Assédio Moral destrói vidas. Uma vez que o assediado tem sua competência questionada e o assédio perdura, a vítima internaliza as ofensas de tal modo que passa a acreditar na sua incompetência, no seu despreparo, na sua incapacidade. Isso causa bloqueios, frustrações, sofrimentos, depressões e até mortes.

      O ramo da Advocacia não é esse mar de rosas que dita em sua fala. É um ramo delicado, onde o Advogado é um eterno pedinte, onde, também, o tal Princípio da Imparcialidade por vezes não é aplicado, nem respeitado. É um ramo onde sobrenomes têm peso, onde o coronelismo ainda é bem atuante, em todas as esferas.

      No mais, não sei todos os pormenores da vida da senhora da reportagem, mas ela tem toda minha admiração e respeito. Como profissional e principalmente como ser humano.

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    2. Pensei justamente o mesmo: "Não querendo desmerecer, mas já desmerecendo", aliás, atitude corriqueira que "infecta" a MAIORIA (eu disse MAIORIA) do meio "advocatício" em usar de uma certa "cultura" de orgulho e soberba em relação as situações e conhecimentos jurídicos alheios, utilizando-se dos próprios julgamentos em relação a aparências e situações, das quais, sequer têm conhecimento na íntegra. - Falo com propriedade, pois passei por isso na carne pelo simples fato de não possuir minha carteira vermelha, a qual a MAIORIA considera a carteirinha de "deus advogado" que, por conta disso muitos soberbos "dotados" do NOBRE documento passaram vergonha nas minhas mãos, perdendo ações elaboradas por mim e assinadas pelo meu tio em meus tempos de estágio. - Sem fugir do assunto, justamente em razão dessa "diferença" de "dotes" de "QI" e "carteira" (inveja, claro) é que fui literalmente passado para trás, moralmente e financeiramente (isso por que era um parente) e ainda ter de arcar com as mazelas nefastas do desprezo. - CONSEQUÊNCIAS: Quase as mesmas que essa mulher passou e ainda sendo questionado por "experts" sobre minha "real" capacidade e competência. - O ser humano costuma mesmo se esquecer que o próximo também o é.

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