Falhas graves: mudanças na educação infantil e fundamental são criticadas por especialistas

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goo.gl/Jkvmn4 | No fim do ano passado, o governo federal homologou a Base Nacional comum Curricular (BNCC) para os ensinos infantil e fundamental. A BNCC foi aprovada em votação no Conselho Nacional de Educação (CNE) e se refere a educação infantil, creche e pré-escola e o ensino fundamental, do 1º ao 9º ano.

A educadora e designer de atividades pedagógicas, Janaína Spolidorio relata algumas falhas na BNCC. Para ela o mesmo erro ocorre no dia-a-dia em escolas que possuem os três níveis educacionais, Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Na Base, entre esses níveis, em especial, trabalha com Campos de Experiências, que segundo a educadora, é uma proposta enriquecedora, mas deixa muito a desejar na objetividade em relação a como trabalhar desta forma.

Segundo Janaína, as falhas neste documento podem promover uma má interpretação por parte de professores e escolas. Relata ainda, que a proposta desse nível não é direta, mas é ampla, o que causa a falta de interpretação. Nos documentos anteriores também era amplo podendo trazer experiências negativas. “ A má interpretação é exatamente o maior perigo deste documento. Como temos um país extenso, com experiências completamente diferentes de localidade para localidade, certamente haverá profissionais e escolas a favor e contra, de acordo com seu paradigma de trabalho”, explica.

A especialista relata ainda que alguns conteúdos estão em determinada série e não aparecem nas séries seguintes. Com isso, a escola ou professores podem interpretar que não será necessário trabalhar com aquele conteúdo por não ser da série em que está trabalhando. Contudo, pode criar lacunas de aprendizagem, pois é preciso sempre revisar alguns temas, pois são importantes para a continuidade da matéria.

Se o aluno teve, por exemplo, no terceiro ano fundamental, um conteúdo e não aprendeu, a educadora explica que se não revisar nas séries seguintes pode ter dificuldade em outros temas estudados, caso esse conteúdo que ele não aprendeu seja pré-requisito na série que estiver estudando. “Vira uma bola de neve de falha na aprendizagem do aluno”, diz.

MUDANÇAS

A educadora Janaína menciona que muitos conteúdos que antes estavam sendo negligenciados, fazem parte da BNCC.

A nova Base traz bem especificadas as habilidades e competências que cada série deve trabalhar, de modo objetivo, com exceção da Educação Infantil que trabalha de forma lúdica.

Antes tinha diferenças maiores entre as escolas, pois o parâmetro que era vigente abrangia mais ciclos de aprendizagem. A nova base tem como proposta principal uma aprendizagem essencial, o que facilita a proximidade das escolas. Se interpretadas com bom empenho da equipe escolar, o ensino pode se beneficiar. É objetivo e traz habilidades que englobam o ensino digital, no qual faz parte da sociedade e não teria dificuldades de adaptação.

De acordo com o Ministério da Educação, os currículos escolares terão de ser adaptados às novas diretrizes até o fim do ano. A implementação será feita até 2020 e os professores receberão formação continuada para se adaptarem ao novo plano de educação.

A Base Nacional Comum Curricular é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. Conforme definido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), a Base deve nortear os currículos dos sistemas e redes de ensino das Unidades Federativas, como também as propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, em todo o Brasil.

DESTAQUES DAS MUDANÇAS

Ensino religioso ganha diretrizes sobre o que deve ser ensinado do 1º ao 9º Ano

  • Alfabetização deve ser concluída até o segundo ano
  • Orientações sobre identidade de gênero devem ser discutidas por comissão do CNE
  • Redes municipais, estaduais e federal precisam reelaborar seus currículos segundo a BNCC
  • Material didático terá que ser produzido segundo as novas diretrizes
  • Implementação deve estar completa até início do ano letivo de 2020

Por Ana Paula Barreira 
Fonte: www.dm.com.br

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