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Aos jovens advogados, duas palavras: estudo e ética - Por Marcelo Abelha Rodrigues

goo.gl/kFgbxk | Elencar diretrizes a serem seguidas por advogados em início de carreira não é tarefa fácil, porque todos nós, advogados, somos diferentes e lidaremos com a profissão de forma particular de acordo com nossas idiossincrasias, deparando-nos com desafios e sentimentos singulares a cada dia, ou a cada “causa”.

Engana-se, portanto, quem pretende encontrar aqui, como se fosse uma receita de bolo, uma fórmula pronta, achada no Google, para um bom início na carreira advocatícia.

Ao contrário disso, pensamos que o segredo, se é que assim pode ser chamado, está em que cada um de nós criemos a nossa própria receita, a partir de ingredientes que não se vinculam apenas ao início de uma carreira de advogado. São ingredientes de vida e que, por consequência, servirão, naturalmente, também para o início da carreira de advogado. Elenco duas peças fundamentais, sem as quais, pode esquecer a carreira de advogado, ou de qualquer outra profissão: estudo e ética. Por comodidade, neste ensaio, vincularemos estes dois ingredientes à advocacia.

Para aquele que pensa que o fim das provas de Universidades e Faculdades, bem como a aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, é um marco para separar os operadores do Direito entre estudantes e profissionais, está redondamente equivocado.

O estudo constante, além da superfície, é importantíssimo para o profissional e digo, sem receio algum, que se destaca como um dos principais diferenciais para a formação de um advogado com uma carreira sólida e promissora, ainda mais no cenário em que estamos de recém-promulgação do Código de Processo Civil de 2015, tempos em que novidades e discussões borbulham a todo momento.

Portanto, estudem! Leiam, aprimorem seus conhecimentos, aprofundem-se nas áreas que pretendem seguir, e não se contentem com a informação fácil e rápida (mas insuficiente…) que está a um clique de todos nós.

Nesta “sociedade líquida” à que aludia Bauman, vivemos uma época de “não leitores”, de forma que qualquer resumo de internet serve como fonte de estudo e embasamento do pensar e atuar jurídico; e, aliás, quanto menor o artigo for, melhor! Quem nunca deixou de clicar na página dois de um artigo de internet, porque a primeira página não foi capaz de responder a dúvida? Quem nunca cogitou copiar e colar uma citação bibliográfica, ou mesmo uma ementa de um julgado, à disposição na internet sem certificar diretamente na fonte o conteúdo do que ali estava dito?

A facilidade de acesso à informação rápida faz o operador do Direito, inclusive o advogado, abandonar, num piscar de olhos, as fontes densas e seguras de embasamento para a construção do raciocínio jurídico a ser vertido nas manifestações processuais. Aliás, a internet também pode ser uma fonte de acesso a trabalhos e monografias densas. O problema não é o acesso, mas a saciedade pelo texto rápido, é o tempo do instante! E isso pode ser um grande erro! Agir assim faz do advogado, muitas vezes, um elemento dificultador do acesso à justiça em seu mais profundo e amplo significado de efetividade e tempestividade da tutela jurisdicional.

Quando falamos de estudo, portanto, não falamos só de estudo acadêmico. Estudem as demandas que patrocinam, estudem os autos dos processos em que atuam, leiam linha por linha, palavra por palavra. Leiam e estudem os inteiros teores dos julgados que citarem em suas minutas, não se contentem com ementas de acórdãos disponíveis em qualquer site da internet. Ler cada documento da causa…essa recomendação nem deveria ou precisaria ser feita.

É com estudo, com o envolvimento na causa, nos fatos narrados, nos documentos dos autos, que a nova geração de advogados saberá como empregar corretamente a tecnologia e a informação de fácil acesso que está a seu dispor, sem preguiça, e sim com discernimento e rigor técnico.

Ninguém nunca lhes disse que a carreira seria fácil e, de fato, não o é! Arregaçar as mangas é o ingrediente especial que, embora possa tornar o caminho mais árduo, tornará a chegada mais rápida e compensatória.

O segundo ingrediente que intitula este ensaio é que a atuação seja sempre ética, que, frise-se, é uma forma de “ser” e não de “estar”, no sentido mais amplo que a palavra ética possa comportar. Seja no processo, seja fora dele; com o cliente ou com a parte contrária, o respeito, a honestidade e a decência deveria ser comportamento imanente de todos.

Não sei se atendi ao propósito que me foi solicitado ao escrever este ensaio, mas é o que penso. Se tiver ética e compromisso com o cliente e com a causa, boa parte do “sucesso” já será alcançado. Todo restante vem com o tempo, é só ter paciência.

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Marcelo Abelha Rodrigues – Professor do mestrado e da graduação da UFES. Advogado e consultor jurídico.
Fonte: www.jota.info

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