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Juiz é retirado do cargo após dar sentença de apenas seis meses de prisão a estuprador

goo.gl/92ria5 | O juiz Aaron Persky foi afastado, nesta quarta-feira, por sua decisão de condenar a apenas seis meses de prisão um estudante de Stanford que estuprou uma colega inconsciente no campus da universidade. Essa é a primeira vez em 80 anos que o estado americano leva um magistrado ao chamado "recall", uma espécie de referendo que decidiu se ele deveria ser retirado do cargo ou não.

Persky, que é ex-aluno e ex-atleta de Stanford, é acusado de ser leniente com Brock Allen Turner, também ex-aluno e atleta da universidade, que violentou atrás de uma lixeira uma jovem de 23 anos após uma festa. Na época, a carta do pai do criminoso dizia que seu filho não deveria ser punido rigorosamente por um "ato de 20 minutos".

A sentença máxima para o crime era de 14 anos de prisão, mas Persky, que atuava no condado de Santa Clara, determinou, em 2016, apenas seis meses de pena alegando que Turner não representava um perigo para os outros e que uma sentença dura teria um impacto muito severo sobre o abusador. Como resultado, Turner, que foi expulso de Stanford, ficou apenas três meses na prisão.

Uma petição on-line, criada em 2016, para pedir a remoção do juiz reuniu mais de um milhão de assinaturas. Na época, promotores pediram uma condenação de sete anos de prisão para o abusador. No julgamento, a vítima, que teve a identidade preservada, leu uma carta comovente na qual relatava a dor física e psicológica vivenciada por ela.

A campanha para pedir o recall do juiz foi iniciada por Michele Landis Dauber, professora de direito da Universidade Stanford. Na época, Dauber afirmou que o juiz fez com que as mulheres se sentissem menos seguras.

- Ele fez com que as mulheres em Stanford e na Califórnia se sintam menos seguras. Ele fez um contorcionismo para arranjar uma exceção para o estuprador. A mensagem para as alunas é 'você está sozinha', e a mensagem para potenciais criminosos é 'estou com vocês'- disse Dauber em entrevista ao jornal "The Guardian".

Por O Globo
Fonte: oglobo.globo.com

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