Como se sentir motivado e confiante para o Exame de Ordem da OAB - Por Viusmar S. Lima

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goo.gl/6fLkq7 | Devido a minha enorme satisfação com a acolhida do meu texto, no qual relatei minha trajetória para a aprovação na OAB, resolvi falar um pouco mais sobre este assunto, agora acerca de outro aspecto, que pra mim é um fator determinante: conciliar a motivação com confiança.

Sei que isso pode parecer uma obviedade, mas acredito que, embora seja falado bastante por todos, professores, amigos e profissionais da área, no final das contas, nem todo mundo absorve esses "pilares" na prática. E falo justamente porque sou estudante e tive essa experiência.

É muito fácil estimular alguém - todo mundo pode desenvolver essa habilidade -, contudo percebo que, antes disso - e aí reside o erro -, é preciso primeiro "varrer" os estigmas pessoais gerados muitas vezes pela própria faculdade, os inúmeros mitos da dificuldade extrema da prova que ficam na nossa cabeça confusa e os estragos da nossa autocrítica.

O passo inicial é conseguir penetrar na mente da pessoa pra vencer os pesadelos diários do "e se eu não conseguir?", a dúvida quanto ao momento certo, os problemas familiares que afetam no processo de estudo, todos esses fatores prejudicam a assimilação instantânea sobre a importância de confiar em si e de extrair a motivação para vencer o desafio.

No fundo nós seres humanos sempre queremos o modo mais fácil e acreditamos que é possível cortar caminho. E no Direito há inúmeros atalhos, com propaganda de sucesso, de opções e fórmulas extraordinárias de aprovação. Há inclusive quem garanta êxito em curto espaço de tempo, o que pra mim é mentira.

Tudo gira em torno do que você adquiriu de conhecimento ao longo dos 4 anos de curso (quando já se pode fazer o teste), ninguém pode fazer essa análise por você, é um teste pessoal e de honestidade intelectual. Não se pode enganar a si mesmo, é uma autosabotagem - que vai custar caro -, saber que seu estudo não foi disciplinado e que não houve o comprometimento que deveria. Ou seja, mentir para si mesmo que estar preparado.

Ser honesto e correr atrás do prejuízo, assumir que precisa investir no que não foi aprendido de fato, reconhecer que não fez um bom curso é essencial para arquitetar o tamanho do seu projeto de estudo e definir o tempo que vai ser dispendido.

Se essa análise for fiel, a confiança é instantânea, pois você sabe que não superfaturou seu conhecimento e nem nutriu uma expectativa em demasia nas pessoas que sempre esperam um bom desempenho.

Seus familiares devem entender que você quer estudar um pouco mais e que na hora certa você vai prestar o Exame ciente que já está preparado. Muitos se decepcionam porque insistem em pular as etapas e corresponder expectativas alheias.

A confiança é proporcional ao seu comprometimento com o estudo durante a faculdade (principalmente) e na preparação pré-prova.

Retornando à motivação, nunca esqueço um grafite que li no meu caminho estágio-faculdade em que estava escrito: "faça da dificuldade sua maior motivação".

Ele me fez refleti bastante. Quando aterrissei no Direito joguei tudo pro alto, uma vida tranquila e pacata de interior, a estabilidade financeira razoável de um cargo público já efetivo e o que pra mim é mais valioso: a família. Eu poderia optar pelo comodismo, mas pensei no meu futuro e no enorme desafio que seria alcançar esse objetivo. Era mais um leigo na área do Direito, não conhecia nem sequer o básico.

Tive que me readaptar na capital e conviver com dificuldades de emprego, e depois com 8 horas diárias de trabalho e ainda meio expediente no sábado. Não só com as cobranças da faculdade como também com a escassez de tempo e de foco exclusivo no estudo. Tudo isso virou combustível para continuar firme, as horas de folga tinham compromisso: estudar. O cansaço era grande, lotação cheia na ida e vinda pra faculdade, exigências do trabalho e problemas pessoais. Mas aí está a mensagem grafitada, foi na dificuldade que mais me mantive motivado. Só melhorei o meu desempenho depois que consegui os estágios remunerados, antes disso fazia o possível para não cair de rendimento, foi inevitável, mas continuei firme e forte.

Todos nós temos problemas e situações pessoais peculiares que nos abalam e tentam nos tirar do foco, muitos trabalham assim como descrevi, cuidam de casa ou tem outros compromissos que não podem abrir mão, enfim, algo que poderia atrapalhar o estudo e te fazer desistir. Porém, fazer o tempo é o desafio, transformar essa dificuldade e a pressão pessoal e familiar em combustível só depende de nós. É ser forte na dor ou ser fraco, desistir e se sentir frustado.

Não dá pra conhecer a vida de cada um estudante e atingir diretamente com uma mensagem, mas dá pra traçar obstáculos em comum. Isso é inegável, todos temos enormes dificuldades, entretanto o diferencial será a forma como iremos lidar com isso.

Portanto, a fusão da confiança nos estudos com a determinação de se superar, de estar motivado inclusive pelos óbstáculos, são pra mim os dois fatores centrais para ter um bom desempenho. E a aprovação no Exame da OAB, será apenas o seu troféu merecido de campeão.

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Viusmar S. Lima
Estagiário de Direito. Eterno aprendiz da Ciência Jurídica.
Oriundo do interior, sempre procurei desafios que mudassem a minha vida e me proporcionassem crescer como ser humano, além de desenvolver meu potencial. Apaixonei-me pelas Ciências Exatas, especificamente pela Matemática, iniciando nesta área minha jornada acadêmica pela UEMA, porém, o destino apresentou-me o Direito - quando conquistei uma bolsa de estudo - e, depois disso a paixão pelas Ciências Humanas aflorou, descobri o que me faz feliz, abracei a oportunidade dada por Deus. Já estou finalizando meu curso. Atualmente sou estagiário na Justiça Estadual, em uma Vara da Fazenda Pública, mas antes tive uma outra experiência de estágio no Tribunal Regional Eleitoral.
Fonte: Jus Brasil

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