Coisas que eu aprendi advogando sozinho: Parte 2 (O tempo) - Por Pedro Custódio

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goo.gl/8bsxcY | Não sei se isso acontece com você, mas quase todo mundo que eu encontro hoje em dia, após eu perguntar como vai aquela pessoa, a resposta é: na correria. Muitos dizem porque estão acostumados a dizer mesmo, mas a grande verdade é que as pessoas têm coisas demais para fazer e o tempo é insuficiente.

Um paradoxo muito estranho, por sinal: aumentam-se as atividades, ganha-se mais dinheiro, mas não sobra tempo para aproveitá-lo.

Se você parar para pensar, o bem mais precioso que temos é o tempo. Sem ele, você não faz quase nada.

Sem tempo você não trabalha bem, não consegue entregar suas demandas dentro do prazo, não faz uma atividade física, não fica com a família, não viaja, não faz compras, não passeia com o seu cachorro, não cuida da sua saúde, enfim.

A lista de coisas que você precisa de tempo para fazer é enorme, e temos a mania de deixar as mais importantes para depois – para quando sobrar um tempo.

Tudo o que você faz hoje você troca por tempo de vida. Para comprar um carro, por exemplo, você precisa de tempo para trabalhar, ganhar o dinheiro necessário, e depois comprar. No fundo no fundo, o que você está gastando é o seu tempo de vida.

É uma conta que nem todos fazem, mas entender isso me ajudou a trocar meu tempo pelas coisas que realmente importam e que fazem sentido pra mim.

Eu nunca contei isso por aqui, mas em Outubro de 2016 eu perdi a minha mãe. Foi como se alguém puxasse o tapete debaixo dos meus pés e eu caísse com uma cesta cheia de ovos e taças de cristal no chão. Custei levantar.

No período em que ela estava muito doente eu morava em outra cidade. Trabalhava sentado na cadeira de um escritório a semana toda, restando apenas os finais de semana para vê-la.

Tá certo, é assim mesmo. É a vida... Precisamos trabalhar...

Interessante que nos últimos meses de vida da minha mãe, sempre que nos encontrávamos, ela não me perguntava sobre o meu trabalho ou quanto eu estava ganhando, muito menos quantos clientes eu tinha conseguido naquele mês ou quantas ações eu tinha ajuizado.

A maior preocupação dela era com o meu violão. Ela sempre me perguntava se eu estava tocando ou se o violão estava cheio de poeira encostado em algum canto qualquer. Um dia ela até sugeriu - na verdade, ela me questionou o porquê de eu ainda não ter feito isso - que eu o pegasse e saísse por aí tocando e fazendo da música um trabalho.

Nesses momentos eu percebia que ela queria mesmo era saber se eu estava feliz, se eu estava vivendo a vida que eu queria.

Muitas pessoas estão frustradas e perplexas, não só porque não têm tempo, mas porque sentem que não estão investindo seu tempo nas coisas mais importantes e significativas da vida. Parece que estamos numa grande teia de aranha, onde todo mundo corre e faz um monte de coisas, não se sabe para quem nem para quê, apenas que precisam fazer para chegar a algum lugar. Geralmente no topo.

Uma quantidade significativa de pressão, stress e ansiedade acumuladas durante o ano vêm do fato de que as pessoas põem exigências malucas a si mesmas. Não só pela insegurança ou medo do insucesso, mas por algo que está em alta: um desejo de ter um desempenho incrível para poder crescer na carreira.

Isso condiciona as pessoas a dar realmente tudo o que têm, esquecendo até de como proteger seu espaço pessoal, seus interesses, convicções e valores mais íntimos. Tudo é deixado de lado para se chegar ao topo – e que topo é esse?

Não se engane. Isso custa um tempo danado de vida.

Minha mãe deixou para mim a lição de que, no final, quando o nosso tempo se acaba, só importam as coisas que realmente têm significado. É o que chamamos de legado.

Eu quis encontrar uma forma de ter mais tempo para viver a vida de acordo com as coisas que me motivam, que não necessariamente são do trabalho.

Uma coisa que aprendi advogando sozinho? Tempo não é dinheiro. Tempo vale mais do que dinheiro.

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Publicado originalmente em pedrocustodio.adv.br

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Veja também - Coisas que eu aprendi advogando sozinho: Parte 1 - (Artigo) de Pedro Custódio

Pedro Custódio
Advogado que carrega o escritório na mochila e escreve
Sou um advogado freelancer que carrega o escritório na mochila e escreve. Tenho um blog (pedrocustodio.adv.br) onde escrevo sobre a vida, dou dicas de produtividade e falo sobre empreendedorismo e novas formas de trabalho na advocacia, principalmente, sem escritório físico. Escrevo para portais incríveis como be freela, Migalhas, Espaço Vital e Amo Direito. Minha iniciativa mais recente é inspirar e ajudar outros advogados insatisfeitos com seu estado atual a estruturarem seu negócio jurídico de forma totalmente online, a fim de que tenham mais tempo livre e mobilidade, sem perder dinheiro mantendo toda a estrutura de um escritório. Me encontre aqui também ☟ ✉ contato@pedrocustodio.adv.br 💻 pedrocustodio.adv.br ☕ linkedin.com/in/pedrocustodioadv/ 📘 facebook.com/pedrocustodio.adv
Fonte: Jus Brasil

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