A advocacia, um pedido de socorro e o propósito - (Ótimo artigo) de Pedro Custódio

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goo.gl/XVnejm | O seu propósito de vida é ser você. Parece simples, mas não é. Sabe por quê? Porque você não sabe bem quem você é. E se você não sabe quem você é, fica muito difícil ser você. E mais difícil ainda escolher a vida que você quer viver. Essa não é uma tarefa fácil porque há uma grande chance de que você – como eu e como a grande maioria das pessoas – tenha até hoje, de forma consciente ou não, buscado justo o oposto da sua natureza única: ser igual a todo mundo. Paula Abreu

Por muito tempo eu tentei descobrir qual era o meu propósito.

Achei que era ser músico.

Enquanto cursei a faculdade, eu carregava um violão nas costas. Eu tinha também uma mochila onde levava um microfone, uma flauta e um chocalho. Foi uma época em que qualquer praça virava um palco e qualquer som era suficiente para eu ligar o gravador do celular.

Toquei em festivais, acampamentos, conheci muita gente e viajei.

Cara, era uma coisa que eu gostava muito de fazer, mas nunca consegui ganhar dinheiro com isso. Minha melhor recompensa era ver a galera curtindo e no final receber um abraço e palavras do tipo: sua música mexeu comigo.

Acho que eu sempre gostei de fazer a diferença na vida das pessoas.

Aquela ideia de ser músico não pagava as minhas contas, por isso achei que esse não era o meu propósito.

Você já deve estar cansado de ler a minha história, do cara que trabalhou por dois anos e meio num escritório e que via a vida passar esperando o alinhamento dos ponteiros às 18h e o recesso forense no final do ano para estar onde queria.

Pois é.

Tentei encontrar um propósito nessa época também, mas nada. Minha vida estava sendo previsivelmente escrita na cadeira de um escritório, e o único plano que eu tinha era contar com a sorte de esbarrar em algum possível cliente enquanto voltava pra casa – e isso nunca aconteceu.

Eu tinha medo, insegurança e todas as qualidades de um cara que não sabe quem é nem aonde quer chegar. Qualquer um que me visse poderia pensar: cara, você não nasceu para ser um advogado.

E talvez não mesmo, mas hoje eu sou um advogado. E aí?

E aí que a vida é uma viagem, meu caro, e não um destino.

Pelo menos para mim, ser um advogado não fazia parte do meu destino, mas se tornou parte da minha viagem – e eu coloquei um Ray Ban, abaixei os vidros, aumentei o volume e estou curtindo o vento bater no meu rosto. Uma viagem com alguns poucos processos, mas algumas tutelas urgentes deferidas. Uma viagem com poucos clientes, mas os textos que eu escrevo já chegaram para quase 60 mil pessoas.

Uma viagem na qual jamais imaginaria receber um e-mail de um procurador federal aposentado que quer começar a carreira de advogado.

Já aconteceu com você da chave estar na sua mão e você ficar procurando pela casa toda?

De uns tempos pra cá deixei de perseguir ou tentar encontrar um propósito. Estou procurando viver a vida com todas as possibilidades que ela me oferece.

Sabe aquele lance de contar a sua história sem deixar que os outros definam quem é você?

Na semana passada recebi um e-mail de uma advogada me pedindo socorro - sim, o assunto do e-mail era "Socorro!". Eu entendo perfeitamente, porque um dia eu tive que pedir socorro também.

Eu queria ser - na verdade, pensava que deveria ser - igual a todo advogado. Me enfiei num escritório e segui à risca o que me passavam pra fazer. Segui o modelo por achar que era assim que funcionava, deixando de lado sonhos antigos, hobbies e coisas que faziam sentido pra mim.

A gente tem aquela mania – pelo menos eu tinha – de achar que tem que ser uma coisa ou outra. Ou você é um advogado ou um músico.

Mas, sinceramente, porque não as duas coisas?

Advogado e escritor, advogado e enólogo, sei lá. As possibilidades são quase infinitas. Por isso, eu acho que você não precisa se desesperar.

Acredite em mim: seu pedido de socorro não é porque você não sabe o que fazer para começar, conseguir mais clientes ou porque se deparou com uma realidade diferente da que imaginava, mas porque você não sabe quem você é nem aonde quer chegar.

É como se a profissão fosse um fim, não um meio para você conseguir a vida que quer viver.

Esses dias, num biscoito da sorte, tirei a mensagem de que muitos passos falsos foram dados ficando parado. Por isso, em vez de ficar chorando porque não consegue clientes, escreva ou desenhe seu mapa da vida e siga todos os passos. Não espere que alguém faça alguma coisa por você, pois isso não vai acontecer.

Em vez de ficar buscando uma definição de propósito ou procurando entender intelectualmente qual é o meu, decidi advogar, escrever esse texto, aprender uma nova música, terminar a horta orgânica aqui em casa, ser um bom marido, cuidar da minha cachorrinha, cumprimentar as pessoas, sorrir, atuar nos processos como se fosse o primeiro, viajar, não deixar de sonhar e tirar alguns projetos do papel.

Enfim...

Descobri que o meu propósito é ser eu mesmo, e viver a vida com todas as possibilidades que ela me oferece.

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Publicado originalmente em pedrocustodio.adv.br

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Pedro Custódio
Advogado que carrega o escritório na mochila e escreve
Tenho um blog (pedrocustodio.adv.br) onde escrevo sobre a vida, dou dicas de produtividade e falo sobre empreendedorismo e novas formas de trabalho na advocacia, principalmente, sem escritório físico. Escrevo para portais incríveis como be freela, Migalhas, Espaço Vital e Amo Direito. Minha iniciativa mais recente é inspirar e ajudar outros advogados insatisfeitos com seu estado atual a construírem a sua marca pessoal, uma presença online e a trabalharem de forma mais criativa, livre e com mais de tempo e mobilidade. Me encontre aqui também ☟ ✉ contato@pedrocustodio.adv.br 💻 pedrocustodio.adv.br ☕ linkedin.com/in/pedrocustodioadv/ 📘 facebook.com/pedrocustodio.adv
Fonte: Jus Brasil

Um comentário

  1. Parabéns, belíssimo texto. Se encaixou perfeitamente em meu momento de vida!! 20 anos de profissão e me perguntando: será que quero ser advogada mesmo???

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