Bruna trabalhava na clínica de Murad desde 2013. Ela é filha de uma antiga funcionária que trabalhou com o cardiologista por duas décadas. Por causa desse vínculo, a secretária detinha controle total sobre as finanças do médico, que não utilizava ferramentas digitais como o PIX.
"Confiava cegamente nela, foi esse meu mal. Acreditava nela, assim, ela encanta qualquer um. É uma serpente", desabafou o médico.
Luxo pago com desvios
A investigação aponta que Bruna desviou R$ 544 mil ao longo de 12 anos. O dinheiro era usado para financiar um padrão de vida luxuoso, com viagens para a Disney e hotéis de alto padrão, enquanto o médico via seu patrimônio diminuir sem explicação.
"Quando eu fui uma vez questionar o gerente, falei: 'Como é que pode que meu saldo não sobe?'. O gerente dizia que eu estava gastando demais. E era ela que estava tirando o dinheiro", relata Murad.
Segundo o promotor Rodrigo Monteiro, os saques eram frequentes e variados: "Eram valores de três, quatro, até dez mil reais. Às vezes duas, três transferências no mesmo dia".
Cortina de fumaça com veneno
Para o Ministério Público, o envenenamento começou quando os desvios ficaram prestes a ser descobertos. A intenção da secretária seria jogar uma cortina de fumaça e afastar a responsabilidade pelos crimes financeiros através da morte da vítima.
Enquanto Bruna ostentava em redes sociais, o médico apresentava sintomas graves e inexplicáveis:
• Dores intensas e vômitos com sangue;
• Anemia profunda e fraqueza nas pernas;
• Agravamento dos tremores e rigidez da doença de Parkinson.
O veneno, segundo a polícia, era misturado à comida e à água de coco servidas na clínica. Devido ao mal-estar constante, Victor Murad precisou fechar o consultório que mantinha há mais de 30 anos.
A suspeita de crime surgiu após a demissão de Bruna, quando uma funcionária encontrou um frasco de arsênio escondido em um depósito da clínica. O desafio da perícia era provar a ingestão da substância meses depois, já que o arsênio é eliminado rapidamente do sangue e da urina.
A solução veio da análise de fios de cabelo do médico.
"O cabelo foi possível porque o arsênio continua nele. Consegui identificar a substância mesmo três meses depois de não haver mais exposição", explicou a perita Mariana.
O laudo confirmou que o envenenamento durou, no mínimo, um ano e três meses.
Além disso, a polícia descobriu que o veneno foi comprado em nome do marido de Bruna. Ele foi investigado, mas a polícia concluiu que ele não sabia que a esposa havia usado seus dados para a aquisição.
Defesa nega crimes
Bruna Garcia está presa desde outubro e deve ser levada a júri popular por tentativa de homicídio qualificado.
O advogado de defesa, James Gouveia, nega todas as acusações.
"Ter um laudo que foi envenenado não comprova que a Bruna o envenenou. Pode ter sido outra pessoa, pode ter sido acidental", afirmou.
Sobre o dinheiro, a defesa sustenta que toda a movimentação financeira era de conhecimento do médico e devidamente autorizada por ele.
Victor Murad segue em recuperação em casa.
"Sempre a tratei como se fosse uma filha minha, e ela tentando me matar. Ela te mata sorrindo", concluiu o cardiologista.
![]() |
| Ex-secretária do médico é a principal suspeita do crime — Foto: Reprodução/TV Globo |
Por Fantástico
Fonte: g1

/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/0/N/UrR3EPQGmdPcPCJxuL2Q/captura-de-tela-2026-02-22-201200.png)