http://goo.gl/kJQLSo | A ingestão de fezes humanas e de vômito de outros alunos fariam parte dos trotes praticados contra os novos estudantes no campus de Sorocaba da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (FCMS-PUC). Foi o que denunciou um dos alunos para a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Trotes Violentos da Assembleia Legislativa do Estado, no dia 14 de janeiro. O estudante Rodolfo Furlan Damiano, 22 anos, nascido em Sorocaba e que se encontra em intercâmbio nos Estados Unidos, participou da CPI por videoconferência, declarando que documentou tais relatos à direção da FCMS-PUC e à vice-reitoria da PUC-SP em 2013 e que nunca teria recebido qualquer resposta. A reitoria da PUC-SP informa que repudia a violência no trote e que não recebeu denúncia desta natureza em 2013 ou 2014.
Rodolfo Damiano ingressou na FCMS-PUC em Sorocaba na turma de 2011 e em 2013 criou o Grupo de Apoio ao Primeiranista (GAP) para receber os calouros. Desses calouros recolheu os relatos que compõem o documento que informa ter denunciado à direção e vice-reitoria. Damiano afirmou que existem duas categorias de trotes, o que se chama de mínimo e é aplicado a todos que ingressam na faculdade, e o chamado trote máximo, a que são obrigados a se submeterem os novos alunos que frequentam repúblicas ou participam dos treinos esportivos. "Eu não presenciei visualmente, foram denúncias que a gente colheu no trabalho de apoio ao primeiranista", disse o estudante em depoimento à CPI.
No trote máximo, segundo Damiano, haveria calouros que foram obrigados a agachar-se para que os veteranos urinassem em suas cabeças. Sobre o vômito, disse que é recolhido dos vasos sanitários com um copo e dado para outra pessoa beber como manifestação de "companheirismo", alegando ser importante para construir a amizade entre os novos estudantes. Afirma que nas festas o uso de entorpecentes é muito presente e o mais usado é a anfetamina, diluída nas bebidas. "Todos tomam, não só os primeiranistas. Ninguém sabe quem está tomando ou não", declarou. Diz ter colhido relatos do livre uso de cocaína e lança-perfume. Segundo o denunciante, médicos formados participariam das festas e aplicariam os trotes, sendo um dos mais famosos e temidos entre eles, o conhecido pelo apelido de Pior. "Já é médico, se formou no final do ano passado, conheço e sei das histórias dele. Agrediu uma menina do GAP em uma das festas que teve, faz ameaças pela rede social", disse Damiano sobre o médico Pior, cujo nome alegou desconhecer.
Todos os novos alunos, até mesmo aqueles que deixam de ir a treinamentos esportivos, repúblicas estudantis ou festas são submetidos ao trote mínimo. "Eu participei do trote mínimo para não ser agredido verbalmente, agredido moralmente, que é o que acontece com quem não quer participar", disse Damiano. Segundo ele todos são obrigados a comprar um kit com calça jeans, camiseta extralarga e um tênis por mais de R$ 200. Os novos alunos, independente do sexo, devem usar somente essa roupa durante três meses. Durante todo esse período os rapazes seriam obrigados a manter o cabelo raspado e as mulheres são proibidas de usar sandálias, brincos, colar, andar sem maquiagem e com o cabelo preso com rabo de cavalo. Não podem usar o elevador, entrar no refeitório e devem evitar a biblioteca onde os calouros são resgatados para pedir dinheiro (fazer pedágio) em Votorantim, já que em Sorocaba há legislação que proíbe. "Vi uma realidade que não esperava encontrar quando entrasse em uma faculdade de medicina", lamentou.
- Comer alho, cebola, pimenta, comidas e frutas com muito sal, fezes, etc;
- Beber álcool (basicamente pinga/cachaça), óleo, vômitos, urina, fezes aquosas, misturas (itens anteriores com pimenta, produtos de limpeza, ovo cru, variáveis);
- Correr nu: nas ruas, em festas ou no prédio e na piscina do Centro Acadêmico, inclusive após jogos dos times da faculdade, normalmente sob efeito de álcool, independente da temperatura ambiente; pular na piscina inúmeras vezes, independente da temperatura ambiente; "Ice on the balls": cueca com gelo;
- "Gincanas treino": série de questões sobre a faculdade, os anos de criação das instituições, os dirigentes da AAAVB e da Batukanaby"s (bateria), o nome de salas, ruas, repúblicas e integrantes, etc. São treinos para gincanas que ocorrem à noite em diversas repúblicas. No caso de erro, deve-se sofrer consequências, como beber pinga, óleo, misturas, comer alho, cebola, etc. Acontecem antes de aulas, para que o aluno chegue desestabilizado;
- Fazer tarefas e trabalhos para trotistas (especialmente, mapas conceituais, tarefas de inglês e de português); servir as pessoas em festas, jantares, sendo xingado em atrasos; preparar "becks" (maconha) ou guardar as drogas ilícitas de trotistas;
- Receber álcool, urina, fezes e vômitos no rosto e no corpo; agressões físicas dentro do Centro Acadêmico, nos ensaios da bateria, entre os corredores da faculdade, nas ruas próximas da faculdade, com ou sem "hora marcada", para ingressantes de ambos os sexos; ameaças constantes; agressões/torturas psicológicas baseadas em defeitos físicos; fantasiar-se para ir a aulas, supermercados e lojas; manter-se acordado por dias; limpar casas e repúblicas; ajoelhar-se publicamente para beber álcool (pinga);
- Encurralamento em cantos para que os trotistas rasguem e tirem a roupa do ingressante. Este deve voltar nu para casa; pedágios nas ruas de Votorantim (essa atividade é legalmente proibida em Sorocaba) em intervalos de aulas;
- Competições de bebidas: o vencedor é o último que bebeu mais antes de vomitar. Os vômitos devem ser direcionados na cabeça de outro ingressante. No caso de passar mal antes de acabar o copo, o participante deve vomitar no copo e continuar bebendo até o final; esfregar alho, cebola, etc, no cabelo e no corpo;
- Descobrir informações pessoais do trotista (nome, apelido, idade, turma, se tem irmãos, se os pais continuam casados, etc). Caso o ingressante não consiga todas as informações pedidas no tempo determinado, é humilhado física, moral e verbalmente em público;
- Receber "boladas" no peito e costas, sem camisa: o trotista fica chutando bolas de futebol em direção aos ingressantes, para acertá-los, com força, nas costas e peito;
- No "chá das calouras", pendurar placas nos pescoços das ingressantes, com dizeres como: "só não sou p.. porque dou de graça" ou "sou p...", "miss biscate", etc.
Por Leandro Nogueira
Fonte: cruzeirodosul.inf.br
Rodolfo Damiano ingressou na FCMS-PUC em Sorocaba na turma de 2011 e em 2013 criou o Grupo de Apoio ao Primeiranista (GAP) para receber os calouros. Desses calouros recolheu os relatos que compõem o documento que informa ter denunciado à direção e vice-reitoria. Damiano afirmou que existem duas categorias de trotes, o que se chama de mínimo e é aplicado a todos que ingressam na faculdade, e o chamado trote máximo, a que são obrigados a se submeterem os novos alunos que frequentam repúblicas ou participam dos treinos esportivos. "Eu não presenciei visualmente, foram denúncias que a gente colheu no trabalho de apoio ao primeiranista", disse o estudante em depoimento à CPI.
No trote máximo, segundo Damiano, haveria calouros que foram obrigados a agachar-se para que os veteranos urinassem em suas cabeças. Sobre o vômito, disse que é recolhido dos vasos sanitários com um copo e dado para outra pessoa beber como manifestação de "companheirismo", alegando ser importante para construir a amizade entre os novos estudantes. Afirma que nas festas o uso de entorpecentes é muito presente e o mais usado é a anfetamina, diluída nas bebidas. "Todos tomam, não só os primeiranistas. Ninguém sabe quem está tomando ou não", declarou. Diz ter colhido relatos do livre uso de cocaína e lança-perfume. Segundo o denunciante, médicos formados participariam das festas e aplicariam os trotes, sendo um dos mais famosos e temidos entre eles, o conhecido pelo apelido de Pior. "Já é médico, se formou no final do ano passado, conheço e sei das histórias dele. Agrediu uma menina do GAP em uma das festas que teve, faz ameaças pela rede social", disse Damiano sobre o médico Pior, cujo nome alegou desconhecer.
Todos os novos alunos, até mesmo aqueles que deixam de ir a treinamentos esportivos, repúblicas estudantis ou festas são submetidos ao trote mínimo. "Eu participei do trote mínimo para não ser agredido verbalmente, agredido moralmente, que é o que acontece com quem não quer participar", disse Damiano. Segundo ele todos são obrigados a comprar um kit com calça jeans, camiseta extralarga e um tênis por mais de R$ 200. Os novos alunos, independente do sexo, devem usar somente essa roupa durante três meses. Durante todo esse período os rapazes seriam obrigados a manter o cabelo raspado e as mulheres são proibidas de usar sandálias, brincos, colar, andar sem maquiagem e com o cabelo preso com rabo de cavalo. Não podem usar o elevador, entrar no refeitório e devem evitar a biblioteca onde os calouros são resgatados para pedir dinheiro (fazer pedágio) em Votorantim, já que em Sorocaba há legislação que proíbe. "Vi uma realidade que não esperava encontrar quando entrasse em uma faculdade de medicina", lamentou.
Relatório do GAP aponta trotes mais humilhantes
O relatório do Grupo de Apoio ao Primeiroanista (GAP) que foi entregue à CPI dos Trotes Violentos e teria sido denunciado à vice-reitoria da PUC-SP em 2013, segundo Rodolfo Furlan Damiano, aponta os trotes mais humilhantes e violentos que teriam sido praticados contra os novos universitários de Medicina em Sorocaba, no ano de 2013. Veja o que diz o texto:- Comer alho, cebola, pimenta, comidas e frutas com muito sal, fezes, etc;
- Beber álcool (basicamente pinga/cachaça), óleo, vômitos, urina, fezes aquosas, misturas (itens anteriores com pimenta, produtos de limpeza, ovo cru, variáveis);
- Correr nu: nas ruas, em festas ou no prédio e na piscina do Centro Acadêmico, inclusive após jogos dos times da faculdade, normalmente sob efeito de álcool, independente da temperatura ambiente; pular na piscina inúmeras vezes, independente da temperatura ambiente; "Ice on the balls": cueca com gelo;
- "Gincanas treino": série de questões sobre a faculdade, os anos de criação das instituições, os dirigentes da AAAVB e da Batukanaby"s (bateria), o nome de salas, ruas, repúblicas e integrantes, etc. São treinos para gincanas que ocorrem à noite em diversas repúblicas. No caso de erro, deve-se sofrer consequências, como beber pinga, óleo, misturas, comer alho, cebola, etc. Acontecem antes de aulas, para que o aluno chegue desestabilizado;
- Fazer tarefas e trabalhos para trotistas (especialmente, mapas conceituais, tarefas de inglês e de português); servir as pessoas em festas, jantares, sendo xingado em atrasos; preparar "becks" (maconha) ou guardar as drogas ilícitas de trotistas;
- Receber álcool, urina, fezes e vômitos no rosto e no corpo; agressões físicas dentro do Centro Acadêmico, nos ensaios da bateria, entre os corredores da faculdade, nas ruas próximas da faculdade, com ou sem "hora marcada", para ingressantes de ambos os sexos; ameaças constantes; agressões/torturas psicológicas baseadas em defeitos físicos; fantasiar-se para ir a aulas, supermercados e lojas; manter-se acordado por dias; limpar casas e repúblicas; ajoelhar-se publicamente para beber álcool (pinga);
- Encurralamento em cantos para que os trotistas rasguem e tirem a roupa do ingressante. Este deve voltar nu para casa; pedágios nas ruas de Votorantim (essa atividade é legalmente proibida em Sorocaba) em intervalos de aulas;
- Competições de bebidas: o vencedor é o último que bebeu mais antes de vomitar. Os vômitos devem ser direcionados na cabeça de outro ingressante. No caso de passar mal antes de acabar o copo, o participante deve vomitar no copo e continuar bebendo até o final; esfregar alho, cebola, etc, no cabelo e no corpo;
- Descobrir informações pessoais do trotista (nome, apelido, idade, turma, se tem irmãos, se os pais continuam casados, etc). Caso o ingressante não consiga todas as informações pedidas no tempo determinado, é humilhado física, moral e verbalmente em público;
- Receber "boladas" no peito e costas, sem camisa: o trotista fica chutando bolas de futebol em direção aos ingressantes, para acertá-los, com força, nas costas e peito;
- No "chá das calouras", pendurar placas nos pescoços das ingressantes, com dizeres como: "só não sou p.. porque dou de graça" ou "sou p...", "miss biscate", etc.
Por Leandro Nogueira
Fonte: cruzeirodosul.inf.br
