Euro

Mãe obtém na justiça direito de manter filha autista em escola

http://goo.gl/g9XVZ0 | Um mandado de segurança expedido pela justiça fez com que a mãe de uma aluna autista conseguisse renovar a matrícula da filha de 7 anos em um colégio particular de Poá. Segundo ela, a própria escola informou que não teria estrutura para atender a aluna. Nesta quinta (2) é lembrando como o Dia mundial de conscientização da doença.

"Montaram relatórios que eu anexei ao processo dizendo que a professora com 25 alunos não tinha condições de ficar com ela na sala de aula. Então, eles me convidaram, literalmente, a tirá-la da escola", descreve a mãe Andrea Dul.

O estudo só foi garantido após a mãe ter conseguido um mandado de segurança com base em uma lei de federal que obriga as escolas pública e particulares a disponibilizar mais um professor exclusivo para os autistas em sala de aula.

Depois disso, a pequena Andressa conseguiu continuar estudando na mesma escola. "Uma das características do autista é não conseguir verbalizar o que ele está sentindo. Então ele tem dificuldade em estabelecer um contato. Então porque não manter esse contato com as crianças da escola?"

Segundo o psiquiatra Leonardo Maranhão, que possui cerca de 400 pacientes autistas, a educação inclusiva é muito importante. Segundo ele, boa parte dos alunos autistas tem condições de estudar junto com as outras crianças. "Eu falo que criança autista é uma joia rara em forma bruta. ela precisa ser trabalhada. Se ele for estimulada e tiver um investimento necessário ela estará, futuramente, acompanhando as outras crinaças e ficar acima da média", detalha.

Em Itaquaquecetuba, uma Ong auxilia na educação a crianças que foram afastadas da escola. O filho da dona de casa Edina dos Santos  frequenta a Ong. Além do autismo, ele tem déficit de atenção: "Desde 2012 ele foi afastado. Afastamento médico. Ele ficou três anos afastado da rede, mas esse ano ele foi matriculado, porém, não há motorista para levá-lo na escola.

Na Ong as crianças recebem acompanhamento com pedagoga e assistentes sociais, mas a permanencia delas no local não substitui as aulas na rede pública e particular. São 60 crianças atendidas. A presidente da Ong diz que a sociedade não está preparada para educar essas crianças. "Seria importante um local especializado para o autista ou cada autista receber um auxilio especial. Não adianta ele ir à escola só para ficar lá, só para cumprir um protocolo. Aqui na Ong temos autistas muito inteligentes", explica a presidente da Ong Edni Moreira Cabral.

A médica diz que especialista em psiquiatria, Eliana Curátolo explica que a criança com autismo dá sinais dá doença quando ainda é um bebê. "Quando caso é muito grave é mais fácil. Os bebês começam a não olhar no olho e não se alinhar. Mas quando o quadro é leve os sinais só aparecem por volta dos três anos", explica.

Ela diz ainda que o olhar dos pais é fundamental. "Os pais tem que ver se o autista tem dificuldade na expressão. Às vezes, os autistas são bebês muito bonzinhos, exemplo, eles não reclamam se estão sujos ou se estão com fome", detalha.

Nota

A Prefeitura de Itaquaquecetuba informou que acompanha o caso da criança autista que não possui transporte para ir à escola. O caso, segundo a Prefeitura, é acompanhado desde janeiro. O governo municipal explicou que já disponibilizou a integração do aluno na unidade escolar, com direito a acompanhamento de um neurologista, além de atividades junto a secretaria de Esportes e também um convênio com a Apae. O transporte escolar, segundo a Prefeitura, deve estar a disposição a partir da próxima segunda-feira (6). A TV Diário questionou a escola sobre a situação, mas não recebeu retorno.

Fonte: g1.globo.com
Anterior Próxima