Mal de Alzheimer: após perda do pai, advogada transforma dor em literatura

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goo.gl/tT8PKg | O processo de luto é vivenciado de maneira singular por cada indivíduo. A psicologia fala em cinco estágios: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. E eles, vividos entre seis meses a dois anos.

Ainda vivenciando esse processo, a advogada Daniela Yegros decidiu finalizar e lançar o livro em homenagem ao seu pai, que morreu há 4 meses em decorrência do Mal de Alzheimer.

“Alzheimer, O Mal que Levou Você de Mim: Lembranças de Quem Eu Amo” tem como objetivo eternizar a memória da importância que o aposentado José Adriano Yegros teve para sua filha. Além disso, Daniela procura dar força a quem vive ou viverá o mesmo processo.

Na obra, Daniela conta desde os primeiros sintomas de esquecimentos do pai, até o momento da perda, perpassando por todo processo de dor que a família foi sentindo ao longo dos cinco anos de doença do pai. “Meu pai se esqueceu de mim”, diz.

“Eu sabia que ele estava ali, que era o meu pai e tudo que ele representava. Mas ele não lembrava do meu nome e isso me marcou muito. E foi aí que vi que o Alzheimer estava levando ele de mim”, conta Daniela.

O pai


Dos primeiros esquecimentos até o diagnóstico, a trajetória não foi fácil. Daniela conta que os primeiros sinais do Alzheimer se confundem muito com os lapsos relacionados ao stress.

No caso de José Adriano, a doença foi desencadeada pelo falecimento de um dos três filhos, precocemente. “Eu já vinha percebendo a doença aparecendo, que ele já estava esquecendo muita coisa”.

Foram cinco anos até o diagnóstico final. “Meu pai foi esquecendo nome de pessoas, se perdia. Quando ia fazer pagamentos, não lembrava e pagava duas vezes. Coisas que muitas vezes acontecem com quem não tem a doença, mas de maneira mais acentuada”, conta.

Ainda consciente, José Adriano começou a se preocupar com a situação e procurou um neurologista. A gota d’água foi quando ele se perdeu andando pela cidade.

Daniela e o pai, José Adriano, que morreu há quatro meses
“A ponta do iceberg é o esquecimento. No decorrer da doença, ele vai parando de falar, esquece como se engole – e aí é preciso fazer tratamento com fonoaudiólogo. Depois tem que fazer uma traqueostomia e uma gastreostomia. A pessoa não anda mais, fica acamada, não se cuida, não consegue mais realizar coisas básicas como a higiene pessoal, se vestir”.

Os médicos dizem que uma das coisas que retardam a doença é o exercício físico e exercícios da mente, como o xadrez. Apesar de ser ativo tanto fisicamente como intelectualmente, a doença não deu trégua ao pai de Daniela.

“Meu pai era corredor, cuidava da sua saúde. Aposentou-se e fez graduação após a aposentadoria, gostava de fazer palavras cruzadas... Mas existe a questão familiar, e isso foi determinante”.

O livro


Apaixonada pela escrita, Daniela relatava cotidianamente a rotina de cuidados com o pai nas redes sociais e foi assim que surgiu a ideia da publicação do livro.

O marido, atento à interação dos amigos com as postagens de Daniela, deu a ideia: “Escreve um livro”.

Daniela acatou e, em um ano e meio, fez o livro. “No ano passado, meu pai ficou 107 dias na UTI, e nesses dias eu deixei de escrever. Depois desse período, continuei a produção. A após a morte dele, finalizei o livro”.

Daniela procurou o seu professor da época de faculdade, Flávio Ferreira, que é membro da Academia Mato-grossense de Letras.

“Foi ele quem abriu o caminho para mim, e me apresentou à Editora Carlini & Caniato. Era apenas um projeto inacabado, e ele fez um sonho se transformar em realidade”.

Com 94 páginas, o livro está sendo lançado pela editora Carlini & Caniato, com sede em Cuiabá.

Serviço


O livro será lançado nesta sexta-feira (6), às 19h, no Cine Teatro em Cuiabá, na Avenida Presidente Getulio Vargas, 247, Centro.

O preço é R$ 30.

Por Cintia Borges
Fonte: www.midianews.com.br

Um comentário

  1. Lamentável. Fui colega de seminário do Yegros e encontrei essa notícia exatamente quando procurava seu contato para adicioná-lo no grupo dos ex-seminaristas no Wast. fique triste com a notícia, mas, por outro lado, feliz com a merecida e justa homenagem feita pela filha. Parabéns. Saudades.

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