Corte decide que gente muito burra não tem direito a privacidade - Por Carlos Cardoso

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goo.gl/dHS9qu | É um fenômeno interessante. Se você pega um carro sem saber dirigir e atropela uma tropa de pandinhas órfãos indo pro colégio, todo mundo cai de pau. Acho até correto. Se você entrar em uma usina nuclear, começar a mexer no painel de controle e explodir tudo por falta de conhecimento, a culpa é sua, mas se fizer qualquer tipo de bobagens envolvendo computadores, tá liberado.

Nada é culpa do usuário, ele é sempre o coitadinho e a Microsoft é responsável por só ter perguntado 5 vezes se ele tinha CERTEZA que queria autorizar a execução do programa EvilMalware2000.exe baixado do ehtudovirus.com.

Agora parece que finalmente, em um raro alinhamento planetário o Universo resolveu punir pessoas por sua própria estupidez, e o alvo da punição é este abestado aqui:



O nome da cavalgadura é Lamar Sequan Brown, um elemento com uma capivara enorme, e que em dezembro de 2011 resolveu fazer um ganho em um condomínio em Charleston, Carolina do Sul. Achando um apartamento vazio, ele quebrou a janela, entrou e fugiu levando uma TV, três laptops e jóias. Só que na pressa ele deixou pra trás… seu celular.

O aparelho foi descoberto pelo dono do apartamento, quando constatou o roubo. Entregue pra polícia, não puderam fazer nada pois estava protegido por senha e a polícia de Charleston não tem Abby, Garcia ou muito menos o Hackerman trabalhando em sua perícia.

Felizmente tinham um policial curioso que via esses seriados e sabia que pessoas costumam ser burras. Depois de quase uma semana ele pegou o aparelho no armário de provas do distrito, e começou a pensar nas combinações possíveis. Não custava tentar. Há gente estúpida o bastante pra usar 1234 como senha, e não deu outra:

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A foto no fundo de tela era do próprio Lamar e, fuçando nos contatos, os detetives acharam um contato “avó”. Uma ligação e a casa do cidadão caiu. Ele foi preso, julgado e condenado a 18 anos de cadeia, mas seu advogado (sempre eles) tinha uma carta na manga.

O celular foi investigado sem um mandado, a privacidade do acusado foi violada, as provas não são admissíveis, xeque-mate, LET MY PEOPLE GO!

Os policiais de Charleston não são bobos. Depois de muitos anos nessa indústria vital de combate ao crime eles conhecem todas as manhas e mumunhas. Por isso levaram 6 dias para mexer no celular.

A questão é que, legalmente, depois de 6 dias um celular não-reclamado se torna abandonado. Se Lamar tivesse dado queixa da perda do celular seria estabelecida uma relação de posse, legalmente os policiais saberiam que o aparelho era dele então não poderiam tentar acessar sem ordem judicial.

Caso eles quebrassem o código do aparelho e então identificassem Lamar, seu advogado diria que o aparelho foi invadido sem ordem judicial e não poderia ser usado contra ele, e a maioria dos juízes concordaria.

Como ele não deu queixa, perdeu direito à defesa por privacidade.

A alternativa seria usar uma senha decente, e nunca um simples código de 4 dígitos 1234.

Ok a alternativa mesmo seria não levar celular quando for roubar a casa dos outros.

Agora a segunda apelação saiu e por 4 a 1 os juízes decidiram que “só lamento, playboy”. Lamar se for bem-comportado tem chances de sair da cadeia em 2027.

Esperamos que não seja.

Por Carlos Cardoso
Fontes: Courthouse News. e meiobit.com

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