'A educação é nossa prioridade': prefeitos cancelam Carnaval para construir salas de aula

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goo.gl/Fo5a47 | Os prefeitos Leandro César de Oliveira (PPS) e Júlio César Frare (PR), respectivamente dos municípios de Araruna e Peabiru, não aplicarão dinheiro público na festa de Carnaval em suas cidades este ano. Em vez disso, investirão os recursos na construção de salas de aulas nos Centros de Educação Infantil (CMEI's) para atender crianças que estão na fila de espera, sem uma vaga.

A decisão é definitiva e atende a um Termo Ajustamento de Conduta (TAC), assinado junto ao Ministério Público da Comarca, que responde pelas duas cidades. "Todo início de ano é mesma reclamação de pais pedindo vagas nas creches. Então este ano o Ministério Público nos chamou para uma conversar e chegamos a este consenso", disse o prefeito de Araruna, Leandro Oliveira (PPS), ao comentar que o Carnaval "passa", mas as salas de aula 'ficam'.

Ele explicou que o acordo junto a Promotoria de Justiça é que todo o dinheiro que seria gasto com o Carnaval neste ano seja revertido na construção de salas de aulas para atender crianças do município. "Este ano vamos construir uma sala e ano que vem vamos fazer outra", frisou. Segundo ele, a prefeitura gastaria com a festa em torno de R$ 60 mil. "É o valor que ficaria a construção de uma sala de aula", comparou.

Oliveira disse que atualmente há mais de 100 crianças na fila de espera por vagas em creches no município. A cidade tem ao todo quatro centros de educação infantil, mas mesmo assim não é o suficiente para atender a demanda. "Há realmente muitas crianças na fila de espera", ressaltou, ao lembrar que a lista é disponibilizada no site da prefeitura.

O gestor comentou que vê com 'bons olhos' o posicionamento do Ministério Público de chamar os prefeitos para uma conversa sobre a situação. "O promotor poderia muito bem simplesmente entrar com uma ação obrigando o município a 'dar um jeito', mas preferiu resolver o problema da melhor maneira possível', elogiou.

Ele relatou que o dinheiro público será melhor aproveitado desta forma. "Ano passado tentamos fazer uma festa para a comunidade, mas acabou em morte. Ficamos muito chateados e já encerramos no primeiro dia", frisou, ao lembrar que nos últimos anos, Araruna registrou quatro mortes em festas de Carnaval. "Não conseguimos oferecer segurança", reconheceu.

Oliveira acrescentou que construção de mais uma sala de aula irá amenizar a fila de espera no município. Além disso, segundo ele, ampliando o CMEI em vez de construir um novo, o município gasta menos, uma vez que não haverá aumento de custo operacional como contratação cozinheiras e professores, limpeza, entre outros.

Ele disse acreditar que a população da cidade irá entender a decisão. "Primeiro que não adianta reclamar porque foi uma sugestão do próprio Ministério Público e segundo, que o dinheiro público será revertido em prol da comunidade e não gasto com festa", disse. O prefeito citou ainda alguns casos de mães que não estão trabalhando, mas mesmo assim deixam seus filhos o dia todo na creche ocupando vagas que poderiam ser preenchidas por quem realmente necessita.

"A gente entende que a vaga na creche é da criança e não da mãe. Infelizmente temos muitas mães que não trabalham, mas deixam os filhos o dia inteiro na creche. Já conversamos com o Ministério Público para que estas mães deixem o filho meio período para abrir vaga para quem mais precisa", afirmou.

Prioridade


O prefeito de Peabiru, Júlio Frare (PR), também elogiou a iniciativa do Ministério Público, em chamá-lo para conversar sobre o problema. Segundo ele, a administração municipal tem prioridades e o melhor atendimento na educação está entre elas.

"O Carnaval é muito esperado por todos, mas temos que por na balança quais são as prioridades. E a educação com certeza é prioridade. Sabemos que muitas pessoas gostam da festa, mas não sabem as dificuldades para administrar o município", comentou Frare. Ele disse acreditar que os 'mais conscientes' entenderão a decisão. "Tenho certeza que teremos o apoio principalmente dos pais que são quem mais precisam das vagas para poder trabalhar", observou.

Frare falou que o município se comprometeu com o Ministério Público a construir este ano quatro salas de aulas nos Centros de Educação Infantil da cidade. "Devido à alta demanda que temos com falta de vagas em creches são várias as denúncias de pais no Ministério Público", observou.

Em Peabiru, segundo ele, existe uma fila de espera de cerca de 150 crianças em busca de uma vaga em creche. "Para construção de cada sala vamos gastar em torno R$ 50 mil, mais ou menos o mesmo valor que gastaríamos com o Carnaval", disse. Ele comentou que a construção das novas salas apenas amenizará o problema da falta de vagas. "Este problema jamais será totalmente resolvido", ressaltou.

Por Walter Pereira
Fonte: www.tribunadointerior.com.br

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