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Extinção da advocacia? O "Fim" pode ser o início de um grande "Recomeço" – Por Thales Dias

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goo.gl/nPDgZ8 | Resumo: O presente artigo abordará um dos temas mais comentados na atualidade dos presentes e futuros operadores do Direito, tema esse que aborda a possível extinção da advocacia no Brasil (e do mundo), em decorrência do avanço tecnológico, substituindo, então, os profissionais do Direito por robôs capazes de realizar as atividades até então feitas por nós, humanos. Nada obstante, apresentarei alternativas para que nós, operadores do Direito, possamos nos adequar à realidade, afastando, então, o perigo de sermos “substituídos” pela inteligência artificial.

1. Afinal, é o fim da advocacia?

Basta uma breve busca pela internet, e você encontrará material suficiente para crer que a “Era da Advocacia” está próxima do fim. Este material varia de artigos, livros, áudios e até mesmo vídeos sobre o tema.

Richard Susskind, professor e palestrante britânico, autor do livro “The End of Lawyers?” (em português: “O fim dos advogados?”), trouxe em sua obra alguns aspectos que enfatizam a supremacia da tecnologia frente aos advogados. Em um dos trechos, ele redigiu a seguinte frase: “Assim como a doença não existe para dar emprego aos médicos, a lei não está aí para dar sustento aos advogados”. Diante disso, demonstrou seu pensamento pessimista acerca do futuro dos advogados.

Durante o livro, Richard afirma que a tecnologia da informação por si só dará materiais suficientes para que o indivíduo ache uma resolução para o conflito existente, passando, então, a conhecer melhor os seus Direitos. Outro grande marco é a enfática afirmação que a inteligência artificial realizará com exímia qualidade o trabalho até então feito pelos advogados, citando, dentre elas, o peticionamento de demandas e, a busca por precedentes/jurisprudências.

Entretanto, grandes juristas brasileiros demonstraram total discordância com o pensamento daqueles que pregam o fim da advocacia, citando então, a frase de Marco Aurélio Mello, ministro do STF, que classificou essa ideia como “utopia maior”, vez que, em sua opinião, a Justiça tem como principal meta defender o cidadão do Estado. Outro que se posicionou acerca do tema, foi o desembargador José Carlos Schmidt Murta Ribeiro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O desembargador afirma que o advogado é imprescindível para se fazer Justiça, já que o Direito é uma ciência eminentemente social.

2. Quais os efeitos da tecnologia na advocacia brasileira?

Fato é que assim como em outras áreas, na advocacia não seria diferente! A tecnologia veio para ficar. Desde já, podemos ver a utilidade e o temor proporcionado por ela, utilidade quando necessitamos de peças modelos, orientações jurídicas e outras diligências que nos demandariam muito tempo de busca, especialmente de leitura em livros. O temor, por outro lado, encontra-se nos mesmos motivos. Ao ver tamanha facilidade dos softwares resolverem questões dotadas de um alto nível de complexidade, os avanços tecnológicos nos causam uma espécie de “receio” e temor, pois, desempenham determinadas atividades com mais celeridade que a grande massa de advogados em atividade.

Uma coisa não há que se negar, em um futuro não tão distante, atividades que dispensam o caráter personalíssimo do advogado ficarão por conta da inteligência artificial, sendo elas, o monitoramento de jurisprudências, elaboração de contratos automatizados, monitoramento legislativo e de movimentações processuais, criando relatórios que facilitem na realização das diligências processuais, dentre outras atividades que estavam sendo desempenhadas pelos advogados de forma repetitiva, maçante ou sob condições precárias.

3. “O FIM pode ser o início de um grande RECOMEÇO”.

Em consequência do avanço tecnológico, nota-se que o relacionamento humano reduziu-se gradativamente. Notamos tal fato quando em uma conversa de bar, muitas pessoas não abrem mão da “ilustre” companhia do celular, ato que raramente causa indignação, afinal, a grande massa se encontra no mesmo caminho.

Em face do distanciamento das conversas “olho no olho”, surgiu-se a necessidade de criações de ferramentas que indiretamente possam substituir tais relacionamentos. Podemos citar, dentre essas ferramentas, Vídeo-chamadas.

A grande questão em que podemos nos diferenciar da inteligência artificial está ficando muito aquém. A humanização deve estar presente em todo tipo de relacionamento. Em decorrência da ausência de tais atitudes, o lado profissional também é afetado, fazendo que, nossos próprios clientes, cogitem a possibilidade de serem melhores atendidos por robôs.

Ao analisar os fatos, caso tenha se identificado por realizar alguma dessas atitudes que lhe torne “robotizado”, lembre-se, em uma disputa de iguais condições, o robô é uma máquina muito melhor que você, pobre mortal. Contudo, você contém algo que a inteligência artificial JAMAIS obterá. Você contém a possibilidade de refletir acerca das adversidades, criando alternativas personalizadas para a resolução de tais conflitos. É indispensável que nós, operadores do Direito, nos adequamos a realidade, usufruindo, o máximo que a tecnologia pode nos proporcionar. Porém, não se esqueça do seu maior investimento, ou seja, o CONHECIMENTO. Este, por sua vez, levará você a um ponto em que nunca esteve. Não se esqueça, a busca pela evolução pessoal deve ser contínua e focada, não há limites para pensar, afinal, até mesmo a máquina é invenção da mente, logo, não há nada mais poderoso que os pensamentos que a cercam.

4. Como fazer a diferença em uma atualidade tão diferente?

Como dito anteriormente, não podemos negar a existência dos avanços tecnológicos e sim, aceita-los e usa-los a nosso favor.

Citarei abaixo, algumas alternativas que se seguidas, farão com que nós, advogados (ou futuros advogados), tenhamos uma longa e útil vida na profissão.

4.1 Busque conhecimento: Parece óbvio, mas, não é simples assim. Leia “conhecimento” como diversidade de áreas. Busque entender sobre finanças, administração, dentre outas atividades que desenvolvam seu mindset.

4.2 Conheça a tecnologia: Não se submeta à negação da existência da tecnologia. Use a tecnologia a seu favor, seja no site do escritório, em relação ao marketing ou no desenvolvimento de atividades que não contenham o caráter personalíssimo.

4.3 Advogue fora do judiciário: Aceite e aprenda sobre os métodos autocompositivos, são excelentes formas alternativas de resoluções de conflitos.

4.4 Produza um excelente conteúdo: Seja um facilitador para seu cliente. Lembre-se que hoje, o mesmo pode achar respostas/soluções para o problema dele em outros locais, inclusive a internet.

4.5 Último e Grande ensinamento: SEJA HUMANO! Trate o cliente de maneira em que ele se sinta especial e que, você, advogado, realmente se importe com aquele problema, buscando, de todas as formas, a melhor solução!

Obrigado pela "companhia", espero ter agregado em sua concepção acerca do futuro dessa nobre profissão, que é ! Grande abraço, sucesso.

                      Escrito por: Thales Dias

https://www.conjur.com.br/2007-out-27/advocacia_acabar_100_anos_professor_ingles

https://www.huffingtonpost.ca/2017/07/14/85-of-jobs-that-will-exist-in-2030-haventbeen-invented-yet-d_a_23030098/?ec_carp=3755177850826148297

https://blog.juriscorrespondente.com.br/2018/05/22/tecnologia-para-advogados-tudo-que-um-escritorio-do-futuro-precisa-ter/

SUSSKIND, Richard. The end of laywers? GRA-BRETANHA: OXFORD UK, 2010.

Thales Dias
Fonte: thalesdias98.jusbrasil.com.br

Um comentário

  1. Realmente, quero ver se o robô fará carga e descarga nos cartórios, esse "serviço maçante repetitivo que dispensa a presença personalíssima do advogado", no lugar do estagiário. Ou, o estagiário terá que fazer isso pro robô?

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