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Criminal Profiling: O perfil criminal em ‘O Silêncio dos Inocentes’ – Por Verônyca Veras

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bit.ly/2x1LtdX | Tudo começa quando Clarice Starling, estudante do FBI, vai ao encontro de Hannibal Lecter, famoso serial killer e psiquiatra forense, com o pretexto de estudá-lo. O filme de 1991, baseado em um livro de Thomas Harris, faz uma analogia com os estudos de John Douglas e Robert Ressler, membros dos FBI que conversaram com criminosos em série para conseguir informações sobre seus crimes e criaram um manual de classificação para eles.

Ao conversar com Lecter, Starling percebe que na verdade seu superior, Crawford, assim como em Dragão Vermelho, quer que ela consiga informações sobre um serial killer apelidado de Bufalo Bill, que já estava em sua quinta vítima e continuava agindo. Vemos então uma agente trabalhando com Hannibal analisando um serial killer e determinando um perfil juntos. (Lembrando que o ‘O Silêncio dos Inocentes’ é mais antigo que ‘Dragão Vermelho’, mas a história se passa depois dele.)

Analisando o que o filme fala sobre perfil criminal, é possível observar vários detalhes interessantes e precisos sobre o tema. Por exemplo, em uma cena do filme, Crawford pergunta para Starling o que ela pode inferir sobre Bufalo Bill através das coletas de informações dos crimes. Ela afirma que o assassino é um homem branco, pois as vítimas são brancas e crimes inter-raciais são raros.

Diz que ele tem uma casa porque precisa da privacidade, já que ele deixava as vítimas vivas por 3 dias antes de matá-las, entre 30 e 40 anos, pois possui um corpo forte para dominar as mulheres, mas também é maduro, conciso em seus atos, não é impulsivo e não vai parar, já que demonstra estar cada vez mais gostando do que está fazendo.

No momento da elaboração do perfil criminal, são definidas algumas características, como nesse caso, sexo, etnia, idade, moradia, mas também existem outras, como profissão e escolaridade. Ela identifica as características e explica como ela chegou nessas conclusões. A linha de raciocínio é essa, para chegar a um perfil é preciso analisar as informações e traduzi-las para as características do criminoso.

É claro que em um filme tudo é feito de forma superficial e, de acordo com a narrativa definida, para o filme o objetivo é mostrar que ela entende do assunto e consegue fazer o perfil. Na vida real, cada detalhe sobre o perfil é feito minuciosamente e as características não são definidas a partir de somente um fato, mas por meio de várias informações juntas.

Mas não é somente nesse momento que Starling demonstra as habilidades de um profiler. Quando ela está conversando com Hannibal, por exemplo, ela utiliza técnicas de entrevista, como criar um vínculo com o entrevistado, elogiar um feito dele e devolver as falas. Ela também comete erros, é claro, mas essa parte é proposital para a narrativa, até porque ela é somente uma estudante ainda.

Temos também o momento em que a mãe de uma vítima fala na televisão e Starling aponta que ela fala o nome da filha diversas vezes enquanto dirige a fala ao criminoso para estabelecer que a filha é uma pessoa e não um objeto, o que desestimularia a atuação do criminoso, estratégia de comunicação em negociações.

Sobre Bufalo Bill, é interessante perceber uma certa mistura de serial killers reais. Em uma cena ele lembra Ted Bundy, ao usar um gesso no braço para atrair suas vítimas. Ele demonstra dificuldade para fazer algo e pede ajuda. Enquanto a pessoa dá auxílio, ele a golpeia e coloca dentro de uma van.

Mas a referência principal é Ed Gein, pois Bufalo retirava a pele de suas vítimas para criar uma vestimenta feminina de modo que ele a vestisse e se transformasse em uma mulher. Ed Gein ficou conhecido, pois era um serial killer que matava mulheres, tirava suas peles e as revestia na mobília da sua própria casa. Foram encontrados sofás revestidos, entre outras coisas, e até uma luminária. Essa era somente uma das características peculiares de seus crimes. Ele também guardava os órgãos e as cabeças.

Fica claro que a ideia de ‘O Silêncio dos Inocentes’ é mostrar um serial killer bastante excêntrico, inclusive colocando um casulo de mariposa na boca de uma das vítimas. A partir daí surge até a entomologia na história, o estudo dos insetos, algo que é relevante para o final do filme, inclusive. São detalhes interessantes das investigações que falam sobre quem é o autor do crime, como ele age e o qual é a sua motivação.

Ao final, quando Starling encontra o assassino, podemos perceber que ela vai observando aos poucos as características dele e do ambiente em que ele se encontra, e vai juntando as peças do perfil até que um fator determinante a faz concluir que é ele.

Um filme antigo como esse que já falava sobre o tema de uma forma interessante é muito positivo para quem trabalha na área. É claro que cria a fantasia de investigar e prender assassinos em série excêntricos, o que ocorre raramente na vida real, mas pelo menos, incentiva a curiosidade e fala sobre o assunto.

Para quem tiver interesse em assistir ou rever com uma nova perspectiva e fazendo uma análise crítica do tema, ‘O Silêncio dos Inocentes’ está disponível no TelecinePlay. Depois me conta o que concluiu.

Hoje em dia temos diversos filmes e séries envolvendo o Criminal Profiling, mas para a época, ‘O Silêncio dos Inocentes’ foi revolucionário e até hoje é aclamado pelo público, sendo referência.

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Verônyca Veras
Especialista em Criminal Profiling. Advogada.
Fonte: Canal Ciências Criminais

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