12 conselhos de um formando para um calouro de Direito

Olá, JusAmiguinhos! Estou às portas da minha colação de grau (Finalmente!) e hoje quero direcionar o post para um público diferente: os estudantes que acabaram de ingressar no curso de Direito.

Depois de 5 anos e meio no Curso de Direito em uma Universidade Pública aprendi muitas coisas, não só técnicas, mas sobretudo da vida e gostaria de compartilhar um pouco da experiência com vocês.

1) Aprenda a ser sucinto e a falar bem

O estereótipo popular de alguém que faz Direito é de uma pessoa que fala bem e escreve bem e que gosta de discutir tudo com todo mundo e a todo momento.

Isso é verdade apenas em parte, pois muitos ingressam no Curso de Direito e não sabem ainda se expressar bem ou escrever bem.

Essas competências não são inatas e podem muito bem ser desenvolvidas e aprendidas ao longo do Curso e da vida profissional.

Só pra você saber tem alunos de Medicina que entram no curso com medo de sangue e ao fim da residência se tornam cirurgiões, então se anime, pois isso não é nenhum impedimento.

Se você é tímido, aproveite os seminários, trabalhos em equipe, debates, mesas redondas e trabalhe isso.

Se arrisque ou as coisas nunca vão mudar.

Se você não se sente retraído para falar ou escrever, aprenda desde logo que escrever muito não quer dizer escrever bem.

Eu sempre tive dificuldade com isso, mas com o tempo melhora.

Entenda que o objetivo de falar ou escrever é passar uma mensagem, ou seja, chegar a um ponto.

Muita enrolação (enchimento de linguiça) e palavras do século passado ou em latim não fazem de você um intelectual, mas um chato que ninguém aguenta ler ou ouvir.

Entenda quem é o seu público.

Se você está falando para juristas, use termos técnicos, mas se para o público em geral “traduza” em termos simples o que você está querendo dizer.

Lembre-se: Você é quem está fazendo Direito e o resto do mundo não é obrigado a entender.

2) Dê atenção às disciplinas propedêuticas (as disciplinas introdutórias)

Eu fiquei um pouco chateado porque no 1º período só vi Introdução ao Estudo do Direito e achava que aquilo não era Direito.

Hoje, depois de passar por todas as demais disciplinas volto a estudar as coisas do princípio porque vejo que não se faz Direito sem elas.

Estude Filosofia, Sociologia, Economia, Antropologia, Psicologia e principalmente estude Introdução ao Estudo do Direito, Teoria Geral do Direito e Teoria Geral do Processo.

Pode parecer chato por ser muito teórico, mas entenda que não existe prática sem ter teoria primeiro.

No presente momento vemos atrocidades sendo cometidas no mundo do Direito por causa de pessoas que ignoram a teoria.

Ignoram nos dois sentidos, seja porque desconhecem, seja porque a utilizam de maneira equivocada ou demagógica.

Um conselho valioso: estudem Direito Constitucional.

Tudo o que respira no nosso sistema jurídico depende do Direito Constitucional e você precisa entender sobretudo a parte principiológica, interpretativa e o controle de constitucionalidade.

3) Não compactue com a mediocridade

Como todos os alunos de Direito desta década eu também entrei na onda dos livros simplificado, resumidos e descomplicados.

Não acho que estes livros devam ser jogados fora, afinal eles te ajudam a compreender principalmente o texto da lei e as posições majoritárias da jurisprudência, porém se você ficar só aí terá uma compreensão extremamente rasa do Direito.

Procure se aprofundar nas discussões ou você se tornará um mero reprodutor dos julgados dos Tribunais Superiores (e só pra você saber eles erram muito).

Por mais que os textos dos grandes doutrinadores sejam muitas vezes complexos e prolixos é ali que está o supra sumo do pensamento jurídico.

Confesso que hoje os concursos de um modo geral são parecidos com quiz shows e o estudo dessas simplificações, sinopses e livros preparatórios para concurso provavelmente te levarão a passar nas provas, mas e depois?

Você quer mesmo se tornar um Juiz, advogado, defensor ou promotor medíocre?

Quando diante da realidade concreta só quem tem um estudo aprofundado consegue questionar e construir argumentos jurídicos sólidos, técnicos e adequados.

Por isso assim que tive a oportunidade comecei a participar de um núcleo de pesquisa e passei a ter contato com literaturas bem mais densas e isso abriu a minha mente para um Direito além do Direito.

Cheguei à conclusão de que quem só Direito sabe nem Direito sabe.

4) Não utilize a faculdade como mero trampolim para o concurso público

O grosso do povo que eu conheço que faz Direito, inclusive dos meus colegas da faculdade almeja um concurso público.

Como eu já disse, na faculdade você aprende o Direito pra vida e só com uma formação sólida você vai conseguir ser bom em qualquer cargo público que ocupe.

Você está estudando só pra ser uma engrenagem do sistema moroso e injusto ou você quer realmente fazer a diferença como um profissional de excelência?

5) Estude mediação, conciliação, arbitragem e negociação

Muitos cursos ainda não trazem essas cadeiras e a meu ver elas deveriam fazer parte do currículo obrigatório.

Infelizmente os Cursos de Direito formam os alunos para brigar e isso tem grande participação na litigiosidade do nosso país e na quantidade enorme de processos entupindo o Judiciário (experimente contar quantas cadeiras de processo tem na sua grade).

Aprenda a negociar e a ensinar as pessoas a resolver os seus próprios problemas.

Entenda como mediar e conciliar, pois este é futuro do Direito.

Se queremos uma sociedade mais pacífica temos que começar mudando nossa cultura pela educação, porque a experiência mostra que leis não conseguem mudar a cabeça das pessoas e na maioria das vezes acabam se tornando letra morta porque não foram adequadamente trabalhadas num nível de conscientização do povo.

6) Tenha contato pessoal com as situações estudadas

Não adianta conhecer o Direito dos livros e dos tribunais sem ver e tocar a realidade, porque as letras pretas no papel branco analisadas em uma sala fria inúmeras vezes distam quilômetros da realidade dos fatos.

Os juristas de Facebook e os filósofos de Twitter gostam de falar sobre o sistema prisional, mas pergunta: quantos deles já foram lá? Já conversaram com os presos? Com os agentes penitenciários?

Procurem conviver com as pessoas reais, pois é fácil falar do trabalhador rural sertanejo se você mora na cobertura de um prédio na zona Sul da grande São Paulo.

7) Faça logo as disciplinas optativas

Nas instituições públicas muitas vezes por conta da falta de professores e das greves a grade acaba ficando bagunçada.

Então se você puder faça logo as disciplinas optativas porque no final do curso você vai ter que dar conta do estágio curricular, da monografia e do Exame da OAB.

E, só pra te deixar informado, tudo isso dá muito trabalho, ainda mais se for tudo ao mesmo tempo.

Eu acabei demorando 6 meses além dos 5 anos, justamente porque não me planejei e acabei deixando optativas demais para o fim e não dei conta por causa da monografia.

8) Faça um estágio bem feito

É no estágio que o Direito ganha vida e é lá que você verá a tão sonhada prática.

Por isso procure um lugar onde você possa realmente por a mão na massa e com isso quero dizer produzir peças e não servir cafezinhos, o que é inclusive ilegal.

Não espere por uma grande remuneração a menos que você passe em um seletivo de órgão público.

Com a mão de Deus eu tive a oportunidade de estagiar na Defensoria Pública do Estado e na Justiça Federal, sempre na parte técnica e ao longo de quase 4 anos no total.

Muitas vezes foi o estágio que me motivou a continuar estudando porque quando a teoria enche a sua paciência é a emoção das peculiaridades de cada novo caso que vão te fazer continuar seguindo em frente.

9) Participe de atividades de pesquisa

Se você puder, faça parte de um núcleo de pesquisa, pois isso expande os teus horizontes.

Você passa a ver o Direito de modo mais humano e fica mais sensível a uma série de realidades ocultas aos meros decoradores de textos legais.

Não adiante saber a Lei de Locações toda de cabeça se você não souber aplicá-la aos casos reais de pessoas reais com problemas reais.

10) Conheça pessoas e procure não se indispor desnecessariamente

Não seja briguento/barraqueiro/arengueiro e procure escolher as suas lutas.

Com o tempo você vai descobrir que o custo benefício de muitas brigas é desfavorável pra você e que às vezes deixar como está pode ser menos pior.

Claro que se você é militante pela melhora da Universidade essa é uma escolha sua, mas eu particularmente preferi deixar a combatividade para a vida profissional.

A faculdade é um lugar perfeito para fazer amigos e entenda que ninguém consegue andar sozinho.

Por isso conheça colegas, professores, alunos de outros cursos, enfim aumente o seu networking e procure não se indispor com as pessoas a menos que seja estritamente necessário.

São essas pessoas que vão te ajudar não só ao longo do curso, mas também da vida profissional então seja um cara legal.

11) Ame e defenda a Constituição

É a lei mais importante do nosso país e por mais que você a critique entenda que é ela que nos rege e sua vulneração implica o enfraquecimento de todo o sistema jurídico.

Ouso dizer que nossa Constituição é uma das melhores e por isso você deve estudá-la, amá-la e sobretudo defendê-la.

12) No 5º período trate logo de começar a pensar na monografia

Pode parecer cedo, mas o quanto antes você começar a perceber qual a matéria que mais te interessa e os temas recentes e polêmicos daquele ramo mais fácil será pra você delimitar o tema da monografia.

E já adianto que a parte mais difícil da monografia é delimitar o tema e a mais chata é normatizar conforme a ABNT.

Por isso, trate de prestar bastante atenção às aulas de metodologia do trabalho científico ou comece logo a economizar pra pagar alguém que faça isso no seu lugar.

Por fim

Por fim, mas não menos importante, vai o conselho de um homem de fé: se pegue com Deus.

Ore e ore bastante. Entrega na mão de Deus e vai!

Por Rick Leal Frazão
Advogado (Pós-Graduado em Direito e Processo do Trabalho)
Advogado atuante nas áreas trabalhista, previdenciária e cível. Pós-Graduado em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho pela Faculdade Legale. Pós-Graduando em Direito Público pela Faculdade Legale e Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Ex-membro discente do Núcleo de Estudos de Direitos Humanos e Biodiversidade da UFMA.

Fonte: JusBrasil

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1/Comentários

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