Na hierarquia do exército militar, a patente de Maria era uma acima à de Kelvin. Nas redes, o escritório que faz a defesa da vítima, divulgou:
“Ela [Maria] era discreta, séria, focada nos estudos e exercia posição hierárquica superior ao soldado Kelvin, contexto que aponta para o não aceite da autoridade feminina, motivando o crime.”
A defesa acrescentou que a cabo foi atraída, esfaqueada e incendiado no local, em contexto de “violência extrema dirigida à sua condição de mulher”.
Na mesma nota, ressaltaram que a informação passada pelo autor, de que ele e a vítima tinham um relacionamento extraconjungal, não é verdadeira.
“É falso que Maria mantivesse qualquer relação com o agressor”, completou.
O soldado que matou a cabo teve a sua prisão em flagrante convertida em preventiva neste sábado (6/12) após passar por audiência de custódia no Núcleo de Audiências de Custódia (NAC).
Além em disso, em nota enviada ao Metrópoles, o Exército disse que o soldado deve ser excluído das fileiras da Força e responsabilizado pelo ato cometido.
A Justiça Militar da União (JMU) requereu, nesse sábado (6/12), a condução do caso.
De acordo com com a JMU, por se tratar de crime cometido por militar contra militar, em local sujeito à administração do Exército, o caso deve ser transferido para a Justiça Militar.
O juiz determinou a inclusão do mandado no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões e comunicou o Tribunal do Júri do Distrito Federal sobre a competência da Justiça Militar da União para conduzir o caso.
O Metrópoles entrou em contato com o Tribunal de Justiça (TJDFT) e aguarda retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
O crime
Maria de Lourdes era cabo do Exército, tendo ingressado há cinco meses para a vaga de musicista. Ela foi encontrada morta por militares do Corpo de Bombeiros (CBMDF).
O feminicídio ocorreu no 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (RCG). Em depoimento à Polícia Civil (PCDF), Barros confessou a autoria e disse que o crime ocorreu após uma discussão entre os dois.
Segundo Barros, eles tinham um relacionamento extraconjugal. “Após uma discussão, em que a mulher teria exigido que ele terminasse com a atual namorada e a assumisse, conforme havia sido prometido pelo autor, a vítima teria sacado sua arma de fogo”, comentou o delegado Paulo Noritika.
“Ele teria segurado a pistola enquanto ela tentava municiá-la. Enquanto isso, ele conseguiu alcançar a faca militar da vítima, que estava em sua cintura, e a atingiu, profundamente, na região do pescoço”, detalhou o delegado.
Noritika afirmou ainda que a vítima foi encontrada com a arma branca no local da lesão. “Depois disso, no desespero, ele pegou um isqueiro e álcool, incendiando o local onde está sediada a fanfarra e fugiu do local, levando a pistola consigo e se desfazendo dela”, disse. O Corpo de Bombeiros foi acionado para apagar as chamas.
Por Felipe Machado
Fonte: metropoles.com
