Imagens que circularam nas redes mostram o jovem vestindo roupas semelhantes às da Wehrmacht, forças armadas da Alemanha nazista entre 1935 e 1945. Nas imagens ele também faz a saudação nazista “heil Hitler” (Salve Hitler). Os registros foram feitos durante a festa organizada por formandos da Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança (Facene), que repudiu o ato.
No vídeo em que se manifesta, o adolescente reconhece a gravidade da situação e afirma que não compreendia o impacto da escolha da fantasia. “Eu peço desculpas a quem se sentiu ofendido, quem se sentiu triste com essa situação”, disse.
Ele relatou que comprou o traje em uma feira de Fortaleza (CE) e que acreditava se tratar de “só uma mais uma fantasia”. Segundo o jovem, ele costuma se fantasiar de personagens históricos e da cultura pop.
“Sempre gostei muito de me fantasiar de vários personagens históricos, como Napoleão, o próprio Jason, ou Capitão América”, afirmou.
Na gravação, o adolescente também pede desculpas à família e afirma que sua motivação foi a busca por atenção e popularidade nas redes sociais, dizendo que sempre quis ser “importante” ou “famoso”.
“Eu peço que me deem outra chance, pois eu estou errado, mas eu não sou um menino assim, eu sou um menino bom”, declarou.
Relembre o caso
O episódio aconteceu durante o cerimonial de formandos da Facene, organizado pela empresa Master Produções e Eventos e alunos. De acordo com a organização, o adolescente era convidado das formandas e chegou ao local acompanhado dos pais, após as 23h, vestindo roupas comuns.
No decorrer da festa, ele teria trocado de roupa dentro do evento para fazer registros fotográficos com a família.
A vestimenta passou despercebida por cerca de 2 mil pessoas que estavam na festa. Integrantes da comissão de formatura afirmaram que só tomaram conhecimento do episódio após a divulgação das imagens.
Em nota publicada nas redes sociais, a presidente da comissão disse que os estudantes ficaram “estarrecidos” e que, se a situação tivesse sido percebida no momento, o jovem e seus responsáveis teriam sido retirados do local.
Empresa e faculdade se pronunciam
A Master Eventos repudiou o ocorrido e destacou que a apologia ao nazismo é crime no Brasil. “Não compactuamos, não toleramos e não aceitaremos esse tipo de conduta em eventos sob nossa responsabilidade”, afirmou a empresa.
A Facene informou que não tem vínculo com a organização da festa, por se tratar de um evento privado organizado pelos alunos, mas disse que vai reforçar orientações para evitar episódios semelhantes.
“Tal manifestação é repugnante, afronta os valores democráticos, a dignidade humana e a memória das vítimas do nazismo, sendo totalmente incompatível com os princípios éticos, humanísticos e acadêmicos que orientam nossa instituição”, citou.
No Brasil, a apologia ao nazismo é crime previsto na Lei 7.716/1989. Como se trata de um menor de idade, o caso é analisado como ato infracional, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Por Álvaro Luiz
Fonte: metropoles.com
