Segundo Josi, ela e a filha receberam ataques racistas, ameaças de morte e até de estupro. Ela contou que foi até a delegacia e registrou um Boletim de Ocorrência contra os ataques. A modelo disse ainda que o episódio a deixou perturbada, mas que vai continuar de cabeça erguida.
"No primeiro momento, eu fiquei muito triste, perturbada, ansiosa. Não acredito que o pessoal está falando isso para a gente, oferecendo caixa de banana, me chamando de macaca. Isso me fez vivenciar muita coisa ruim", desabafou.
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| Prints das ameaças recebidas nas redes sociais de Josi — Foto: Reprodução/Instagram |
De acordo com Josi, todas as mulheres que aparecem com as vestimentas participaram do concurso Miss Afro, na capital. Ela disse que a ideia de andar com as roupas surgiu após o concurso, com a intenção de mostrar a beleza e ver a reação das pessoas.
"Nós participamos do concurso Miss Afro e falamos que a gente poderia marcar para ir ao shopping, passear com as roupas e gravar a reação das pessoas. Só para o pessoal ver que é algo diferente, é algo da nossa cultura. A gente estava superbonita e elegante", contou.
Novo desfile
Josi também contou que ela e as outras modelos estão planejando gravar outro vídeo com mais pessoas. Segundo ela, não é para afrontar ninguém, mas porque não podem parar e deixar que outras pessoas abalem a autoestima delas.
"A gente quer gravar outro vídeo com mais pessoas, não para afrontar ninguém. Pode ser um passeio normal, com elegância, leveza, sorriso. A gente não pode parar, não pode deixar as outras pessoas acabarem com a nossa autoestima; queremos incentivar também as pessoas a não deixarem isso acontecer", afirmou.
A modelo ressalta a beleza que ela e as outras representam e disse que precisam incentivar positivamente as pessoas.
"Nós somos lindas, somos maravilhosas. Então, a gente tem que incentivar positivamente as pessoas", enfatiza a modelo.
Crime de racismo
Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado da Polícia Civil Joaquim Adorno disse que a Constituição protege a liberdade de opinião, mas que, como qualquer outro direito, ela não é ilimitada. Ele destacou que, uma vez ultrapassado o limite de um simples posicionamento, a pessoa comete crime.
“Qual o limite? O direito do outro. Você tem direito de ter qualquer opinião, desde que não ofenda o outro. Porque, se ofender, vai ultrapassar a linha da opinião para o crime”, ressaltou o delegado.
O advogado da Associação de Empresários e Empreendedores para o Fortalecimento do Afroempreendedorismo (Ascenda) em Goiás, José Eduardo Silva, afirmou que a ação abriu espaço para a discussão do tema no estado.
“Isso vai estimulando as pessoas a terem a autoestima preservada e a não se acharem feias. Porque é isso que acontece no Brasil”, disse.
A polícia está investigando o caso para identificar as pessoas que fizeram os comentários racistas. Elas serão chamadas para prestar depoimento.
Por Vinícius Silva, g1 Goiás
Fonte: g1

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