Os casos aconteceram na Serra e em Vila Velha, na Grande Vitória. A Polícia Civil do Espírito Santo apurou, até o momento, oito vítimas, de 10 a 16 anos, na maioria, estudantes com baixo rendimento escolar. Segundo a polícia, o homem se aproveitava da condição de professor para aliciar, assediar e abusar dos alunos.
Os crimes foram descobertos em novembro de 2024, quando um estudante da Serra foi à casa de uma amiga realizar um trabalho de escola. A vítima contou que mantinha conversas de cunho sexual com o professor, e a mãe da menina acabou ouvindo a conversa e pediu para ler o conteúdo no aplicativo de mensagens.
A identidade do professor não foi divulgada pela polícia. Já os bairros e as escolas onde os crimes aconteceram não foram informados pela polícia para preservar as vítimas menores de idade, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A perceber que o professor estava cometendo um crime, a mulher procurou a escola e o denunciou. Já a unidade de ensino relatou a mãe, que denunciou na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
"No psicossocial, o adolescente falou que o professor pediu para seguir ele no Instagram e ativou o modo de conversa temporária. Então, o adolescente já ficou em alerta, e começou a chamar o adolescente para sair, para ir à praia, ir ao cinema e à casa dele, mas de forma insistente", contou a delegada Thais Cruz, que responde pela DPCA.
O menor de idade percebeu as segundas intenções do professor. Foi quando o suspeito mudou e passou a mandar fotos de mulheres nuas. Como pertencia a uma banda, usou o acesso às dançarinas do grupo como meio de atrair os meninos.
"Ele falava que tinha acesso às dançarinas para atrair os adolescentes, que falavam que eram heterossexuais, para ter encontro com ele. Diante disso, a polícia representou pela busca e apreensão no fim de novembro", explicou a delegada.
Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou conversas do professor onde ele afirmava que o aluno só precisava escrever seu nome nas provas e "deixar o resto comigo". O professor preenchia as respostas da prova, o aluno ganhava uma nota alta e, em troca, o adolescente tinha que mandar foto do órgão genital para ele.
'Só escreva seu nome, deixa o resto comigo', disse professor
Durante buscas no apartamento dele, foram apreendidos aparelhos eletrônicos. Neles, a polícia descobriu que o suspeito organizava pastas com as iniciais das escolas que lecionava e, dentro das pastas, colocava as iniciais das vítimas e armazenava as imagens íntimas das vítimas.
"Ele era um frequentador assíduo de sites de exploração sexual infantil. Tem crianças sendo abusadas, tem adolescentes em relação sexual entre adolescentes e, além disso, foi possível identificar também vítimas, inclusive as vítimas reais que tinham ido à DPCA denunciar que foram assediadas, importunadas e estupradas por ele. Tinha fotos íntimas delas", disse a delegada.
Ameaças
Em fevereiro de 2025, a polícia recebeu mais uma denúncia, de um adolescente de 12 anos, da Serra. Na ocasião, o professor pegou a vítima com celular na escola e o ameaçou dizendo que, para não denunciá-lo, o menor teria que entrar em sites pornográficos.
"E ele falava assim: 'eu vou saber se você acessou ou não. Então, você tem que acessar, porque lembra, eu conheço a sua família e eu sei a casa da sua família'. Além disso, o professor o seguiu até o banheiro e pegou na sua coxa e bunda", disse a delegada Thais.
A mãe do adolescente percebeu a mudança no comportamento do filho, que começou a ter medo do escuro e querer dormir com ela. Ao verificar o celular da vítima, encontrou os sites e o confrontou. Foi quando ele decidiu contar o que estava acontecendo e a mãe denunciou.
Oferecia dinheiro
Em Vila Velha, a Polícia Civil identificou, até o momento, seis vítimas, de 13 a 16 anos, de casos que aconteceram em 2023. No ano de 2024, como já não atuava mais na rede municipal do município, o suspeito passou a abordar os adolescentes por meio das redes sociais.
"Encontramos diversos Pix, feitos para essas vítimas com valores entre R$ 30 e R$ 50. Para outras vítimas, ele também chegou a oferecer objetos de desejo, dentre os quais uma prancha de surfe", afirmou Glalber Queiroz, adjunto da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Diante das provas, foi pedida a prisão preventiva do professor e, desde abril de 2025, ele estava foragido. No dia 8 de janeiro, acabou preso na Serra.
Investigações continuam
Não há informações sobre o tempo que o investigado trabalhava como professor, mas no material apreendido há fotos que indicam que ele pode ter feito mais vítimas em escolas antigas por onde ele passou.
A Polícia Civil pede que possíveis vítimas do professor entrem em contato para ampliar as investigações.
A Prefeitura da Serra disse que o professor atuava por designação temporária, mas não faz mais parte do quadro de profissionais da rede pública da cidade. Já a Prefeitura de Vila Velha disse que qualquer denúncia envolvendo assédio de aluno é devidamente apurada por processo administrativo e imediatamente comunicado às autoridades.
Por Jaciele Simoura, g1 ES
Fonte: g1
