Na decisão, a juíza Isadora Botti Beraldo Moro, da 5ª Vara do Júri da capital, determinou que ela continue presa. Geovanna foi detida em flagrante logo após o ocorrido e, na audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva.
Ao oferecer denúncia contra Geovanna, em 8 de janeiro, a promotora Daniela Romanelli da Silva disse que Geovanna agiu por “ciúme doentio” e que as vítimas foram “brutalmente atropeladas” e “não puderam supor que seriam perseguidas”.
“O crime foi praticado por motivo torpe, eis que em razão de ciúme doentio da acusada em relação ao seu namorado, a vítima Raphael. O crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas, já que elas foram colhidas de surpresa, não puderam supor que seriam perseguidas e brutalmente atropeladas, quando resolveram dar uma volta de motocicleta. O meio utilizado foi cruel, ante a violência do abalroamento e a dilaceração dos corpos”, afirmou Romanelli.
A promotora ainda pediu que a condenação imponha que Geovanna pague R$ 100 mil por vítima “para início de reparação dos danos causados pela infração”.
Ameaças
Momentos antes de atropelar o namorado Raphael Canuto Costa, Geovanna enviou uma mensagem ameaçadora de WhatsApp: “Ou você resolve ou eu resolvo”. Na ocasião, o rapaz recebia amigos em casa para um churrasco. A presença de mulheres no local provocou o ciúmes da jovem.
Geovanna chegou a ir até o local, acompanhada da madrasta, e discutiu com o namorado. Raphael teria segurado Geovanna no corredor para impedir que ela entrasse na casa e brigasse com as mulheres presentes. Diante da insistência da namorada, ele saiu com a moto para dar uma volta, momento em que encontrou a amiga Joyce Correa da Silva em uma adega próxima e a chamou para dar uma volta.
A jovem de 21 anos e a madrasta entraram juntas no carro e foram atrás do rapaz, em alta velocidade. Quando Geovanna avistou o namorado na moto, com outra mulher na garupa, ela provocou a colisão, causando a morte de Raphael e Joyce e deixando um homem ferido.
Vídeo mostra colisão
Uma câmera de segurança capturou o momento em que Geovanna atinge, em alta velocidade, a motocicleta guiada por Raphael.
“Ideação suicida”
Geovanna Proque apresentou à polícia laudos médicos para tentar comprovar que sofre de depressão e passa por acompanhamento psiquiátrico. Os documentos indicam que a jovem chegou a solicitar auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
No relatório da perícia realizada por Geovanna para tentar conseguir o benefício do governo, em 7 de novembro, o médico do trabalho Vinício Caio Baptista Rossi disse que a jovem apresentava “ideação suicida” e tomava medicamentos controlados.
“Paciente com histórico de depressão desde os 15 anos, iniciou crise em julho de 2025, com difícil controle e ideação suicida. Está em acompanhamento com psiquiatra e psicólogo”, escreveu. No documento, ele ainda indicou atestado de dois meses, de 23 de outubro a 21 de dezembro.
Por Renan Porto
Fonte: metropoles.com
