“Ela sempre foi muito amorosa. De repente, começou a ficar diferente, mais quieta, com olheiras. Eu achei estranho”, relatou.
Segundo ela, o crime aconteceu depois que a criança passou a conversar com um desconhecido dentro do jogo e, posteriormente, migrou para outros aplicativos de mensagens. A situação foi descoberta quando os pais tiveram acesso ao celular da criança. No aparelho, encontraram vídeos pornográficos enviados pelo agressor.
"Quando abri o celular, vi vídeos pornográficos. Ela começou a chorar, ficou desesperada”, lembra a mãe.
Ao ser questionada, a menina contou que vinha sendo ameaçada.
“Começou assim: 'Eu sei onde você mora, eu vou matar você, vou matar seus pais, eu vou te sequestrar'".
O agressor também ensinava a menina a burlar sistemas de controle parental, orientando-a a esconder conversas e atividades no celular.
"Isso foi o que mais eu assustei. Quando eu fui lendo a conversa, ele mesmo falava: 'você entra aqui, você entra ali e eles vão fazer assim'. 'Os teus pais não vão ver que você está jogando ou conversando'".
Mesmo após bloquear o agressor, a menina voltou a ser procurada dentro da plataforma.
“Ele dizia que, se ela não desbloqueasse, seria pior”, contou a mãe.
O caso é investigado pelo Núcleo de Combate aos Crimes na Internet do Paraná.
"Me deu um desespero como mãe. Foi um estupro de vulnerável de uma forma realmente online".
Denúncias e investigações
Um dos ambientes virtuais mais populares entre crianças e adolescentes, o Roblox — plataforma com milhares de jogos criados pelos próprios usuários — tem sido alvo crescente de denúncias e investigações no Brasil. Autoridades apontam que, por trás do visual lúdico e da promessa de diversão, o espaço abriga riscos sérios: conteúdos inadequados, dificuldades de monitoramento e, principalmente, um cenário fértil para a atuação de aliciadores de menores.
Ao entrar no Roblox, o usuário cria rapidamente um avatar e escolhe um apelido sugerido pela própria plataforma. A criação de conta é simples e, no caso de quem afirma ser maior de idade, nem documentos ou e‑mail são exigidos. Com isso, jogadores podem circular livremente por milhares de mundos virtuais e conversar com outras pessoas — via chat escrito ou por áudio.
"O agressor, ele não tem pressa. Eles conseguem ganhar a confiança da vítima e há essa interação de Troca de fotos íntimas, a vítima fica totalmente na mão do agressor”, explicou a delegada.
No início do ano, o Roblox implementou verificação facial para tentar identificar a idade dos jogadores e restringir o chat para crianças — o que gerou protestos dentro da própria plataforma.
O que diz a plataforma
O Fantástico procurou a empresa, que disse em nota que suas medidas de segurança vão muito além do que outras plataformas fazem.
Diz que não permite que os usuários compartilhem imagens ou vídeos no chat e que a comunicação no Roblox não é criptografada para que a empresa possa monitorá-la,
• afirma proibir conteúdo inadequado ou que promova atividades ilegais como glorificação de drogas, gangues ou a recriação de eventos sensíveis do mundo real, como tiroteios em escolas.
• que trabalha para detectar e remover esse tipo de conteúdo, incluindo o uso de verificações humanas e automatizadas.
• a empresa fala ainda que fornece ferramentas de denúncia fáceis de usar.
Por Fantástico
Fonte: g1
