Decisão da Justiça
Na última terça-feira (3/3), a juíza Luciana de Araújo Camapum Ribeiro, do 3º Juizado Especial Cível de Anápolis, determinou a condenação do caso envolvendo o produtor Marcus Andrade, de 42 anos, e a academia Hope Select, localizada em Anápolis (GO).
O episódio, ocorrido em junho de 2025, refere-se a uma advertência ao aluno pelo uso de um short considerado pelo estabelecimento como “inapropriado” para treinar. Marcus deve receber R$ 20 mil em indenização por danos morais após o caso.
A magistrada considerou que a justificativa usada pela academia em posicionamento oficial foi uma ofensa direta à dignidade e honra de Marcus. Na nota, publicada em 2025, o estabelecimento afirmou que a advertência ao aluno era para “agradar e honrar a Deus”.
![]() |
| Nota oficial divulgada pelo estabelecimento/ Reprodução/X |
No entendimento da juíza, ao usar um argumento religioso para explicar a atitude contra um aluno gay, a academia fez parecer que estava julgando ou condenando a orientação sexual dele, o que agravou a situação.
O caso
Em junho de 2025, o produtor Marcus Andrade foi repreendido pelo traje escolhido para treinar na Hope Select. O estabelecimento, que se define como uma academia boutique, considerou o short usado por ele inapropriado para o ambiente.
Em entrevista ao Metrópoles, Marcus relatou que foi abordado por um funcionário no meio do treino e advertido sobre a roupa. Segundo ele, o colaborador afirmou que o traje não estaria de acordo com a proposta da academia, descrita como “um ambiente familiar” e alinhado à “moral e aos bons costumes” do estabelecimento.
Uma nota emitida pela Hope Select na época afirma que “mais do que promover saúde física, a academia busca encantar e surpreender cada pessoa que passa ali com excelência, zelo e propósito, sempre para agradar e honrar a Deus”.
O comunicado discorre ainda sobre a forma como Marcus foi abordado no estabelecimento, afirmando que a orientação foi realizada de “forma privada e respeitosa” e que lhe foi sugerido o uso de uma bermuda de compressão por baixo do short. No entanto, o produtor negou que a sugestão foi dada e frisou que as falas focaram os “costumes” da academia.
Trajes polêmicos
O caso de Marcus Andrade não é um acontecimento isolado: uma academia em Salvador foi alvo de críticas na web após divulgar regras de vestuário para o estabelecimento voltadas ao “bom convívio” entre os alunos. Sob o mote “sem vulgaridade”, a publicação orienta que os clientes evitem “looks para causar”, alegando que esse tipo de roupa pode gerar distrações e desconforto no ambiente.
![]() |
| Academia em Salvador divulga regra de vestuário: “Sem vulgaridade”/@cbx.fitness/Instagram/Reprodução |
No entanto, a escolha de utilizar exclusivamente imagens de tops femininos para ilustrar o aviso foi interpretada por muitos como uma crítica direta às roupas de treino usadas por mulheres que frequentam o espaço. “Quando vocês trazem a ideia junto a imagens de uma mulher e itens do vestuário feminino, estão claramente direcionando a temática para um público específico”, escreveu uma usuária.
![]() |
| Os posts incluíram somente peças femininas e imagens de mulheres/@cbx.fitness/Instagram/Reprodução |
Looks de treino costumam ser colados ao corpo para garantir liberdade de movimento, melhorar a performance e dar o suporte adequado aos músculos. Peças muito volumosas ou com tecidos largos tendem a ser evitadas por questões de segurança, já que podem causar acidentes ao enroscar nos aparelhos.
Por Bianca Tôrres e Ilca Maria Estevão
Fonte: metropoles.com



