Euro

“Edital previa que não teria adaptações”, diz FGV sobre caso de goiano com nanismo em concurso para delegado de MG

edital previa nao adaptacoes fgv caso goiano nanismo concurso delegado mg
Via @maisgoias | A Fundação Getulio Vargas (FGV) afirmou que o edital do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) já previa que não haveria adaptação no Teste de Aptidão Física (TAF) para candidatos com deficiência. O esclarecimento ocorre após o advogado goiano Matheus Menezes, que tem nanismo, denunciar discriminação ao ser eliminado na etapa física do certame.

Em nota, a instituição responsável pela elaboração e aplicação da seleção informou que o “Edital de Convocação para os Exames Biofísicos, publicado em 09/01/2026, previu expressamente que não haveria adaptação dessa etapa às condições individuais dos candidatos”. Segundo a FGV, o item 1.19 do documento estabelece que os testes deveriam seguir critérios iguais para todos os candidatos, conforme as regras previamente definidas no concurso.

O caso ganhou repercussão após o advogado goiano Matheus Menezes afirmar que foi prejudicado na etapa física do concurso. Ele concorreu como pessoa com deficiência e relata que apresentou laudos médicos solicitando adaptações para a realização do teste. Segundo Menezes, mesmo com a documentação entregue para banca organizadora, as provas foram aplicadas com os mesmos parâmetros utilizados para candidatos da ampla concorrência.

Candidato questiona ausência de adaptação

Vídeos enviados ao Mais Goiás mostram o candidato realizando exercícios como salto, corrida e flexões. Em uma das provas, ele precisou tentar atingir 1,65 metro na impulsão horizontal, índice mínimo previsto no edital. Como não conseguiu alcançar a marca, foi considerado inapto. Após a eliminação nessa etapa, o advogado afirma que não teve autorização para realizar o teste seguinte, que seria a corrida de 12 minutos.

Para o advogado, se tornar delegado sempre foi um objetivo de vida.  “Muita gente tem uma visão errada e pensa que o delegado vai para a rua correr atrás de bandido, mas não é só isso. Tem a parte investigativa, de inteligência, administrativa. Sempre quis ser delegado para investigar crimes e casos grandes”, explicou Matheus.

Antes do teste físico, Menezes havia sido aprovado em várias fases do processo seletivo, incluindo provas objetiva, discursiva e avaliação oral. O concurso oferece 54 vagas para o cargo de Delegado de Polícia Substituto e é considerado um dos processos seletivos mais concorridos da área jurídica no país. Para o candidato, a ausência de adaptação representa uma violação de direitos garantidos pela legislação brasileira às pessoas com deficiência.

Legislação prevê igualdade de condições

A legislação brasileira estabelece que pessoas com deficiência devem participar de concursos públicos em condições de igualdade com os demais candidatos. O direito está previsto na Constituição Federal do Brasil e na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência.

Segundo a advogada Ana Carolina Marques, especialista na defesa dos direitos de pessoas com deficiência, adaptações em testes físicos podem ser realizadas quando necessário para garantir acessibilidade, desde que não comprometam o objetivo da avaliação.

Entre as medidas normalmente aplicadas em casos de candidatos com nanismo estão ajustes proporcionais de distâncias e alturas, adequação de equipamentos e análise individual da capacidade funcional do candidato.

Caso pode parar na Justiça

Quando um participante considera que foi prejudicado em alguma etapa do concurso, é possível recorrer ao Judiciário. Uma das medidas mais comuns é o mandado de segurança, usado para contestar atos considerados ilegais ou abusivos em processos seletivos.

Dependendo da decisão judicial, o tribunal pode determinar a realização de um novo teste físico com adaptações ou até permitir que o candidato continue nas etapas seguintes do concurso.

Por Jeice Oliveira
Fonte: maisgoias.com.br

Anterior Próxima