Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre, a vítima trabalha no setor de qualidade e teria sido atingida com tapas nas costelas e golpeada com uma borracha de vedação, enquanto exercia suas funções.
Junto com paralisação ocorreu um ato na porta da unidade, que reuniu centenas de trabalhadores. De acordo com o presidente do sindicato, Francisco Pereira, conhecido como Piauí, o episódio é inaceitável e pode resultar em greve caso a empresa não adote medidas consideradas satisfatórias.
“As trabalhadoras e os trabalhadores estão em protesto contra a postura do gestor chinês. O gestor chinês pegou o trabalhador na linha de produção e veio agredir o trabalhador com uma borracha de geladeira. Não pode, aqui no Sul de Minas e muito menos aqui no Brasil. A escravidão já se passou há muitos anos, então não podemos aceitar”, disse.
A mobilização contou ainda com a presença do presidente da CUT-MG, Jairo Nogueira, que classificou como inadmissível qualquer forma de violência contra trabalhadores dentro do ambiente de trabalho.
“Nós estamos aqui para vender a nossa mão de obra e não para ser humilhados. Se nós abaixarmos a cabeça e não conversarmos entre nós, o que aconteceu vai virar rotina. Aqui dentro da empresa tem trabalhador e trabalhadora brasileira”, declarou ele durante assembleia realizada na porta da fábrica.
O caso também repercutiu no meio político local. Em nota, a vereadora Lívia Macedo (PCdoB) manifestou solidariedade ao trabalhador envolvido e defendeu uma apuração rigorosa dos fatos.
“Pouso Alegre precisa de indústria e de empregos, mas desenvolvimento não pode ser construído às custas da dignidade humana. Se os fatos forem confirmados, os responsáveis devem ser exemplarmente responsabilizados”, afirmou.
O que diz a empresa
Procurada pelo Metrópoles, a Midea afirmou que “está ciente das alegações” e alegou que adotou “as medidas previstas em protocolos internos, afastando o envolvido enquanto os fatos são apurados com seriedade e imparcialidade”.
“A companhia reforça que não compactua com quaisquer formas de violência, assédio, discriminação ou conduta incompatível com seus valores, código de conduta e políticas internas, permanecendo à disposição para os esclarecimentos necessários”, diz o texto.
Por Thayná Schuquel
Fonte: metropoles.com
