Augusto Cury defende reforma no STF e reavaliação de penas do 8 de janeiro

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Via @cbnoficial | Candidato à Presidência da República pelo Avante, o escritor e psiquiatra Augusto Cury defendeu a criação de novas Guardas Municipais para enfrentar o crime organizado, evitou se definir politicamente como esquerda ou direita e disse que vai formar um grupo de juristas para reavaliar as penas dos condenados pelos ataques antidemocráticos do dia 8 de janeiro. As declarações foram dadas durante a sabatina realizada pela CBN e pelos jornais O Globo e Valor Econômico nesta sexta-feira (28).

Integração das polícias

Augusto Cury afirmou defender a integração das polícias brasileiras e um maior treinamento da Polícia Federal. Ele apresentou o projeto chamado Força de Alerta Total (FATO), que prevê a integração da Polícia Federal com as polícias Militar, Civil, Rodoviária Federal e estaduais, além da criação de uma nova força de segurança.

'Vai seguir a regulamentação e treinamento. Aí nós vamos aumentar o efetivo de quase 400 mil policiais, e isso poderia entrar no ecossistema para termos, efetivamente, caso contrário, o Brasil vive uma epidemia de criminalidade'.

Ele também disse ser a favor das câmeras policiais e da PEC da Segurança.

'Nós temos que fazer um pacto nacional. Nós temos que mostrar que essa guerra da polarização que dividiu o país, ela tem que ser terminada, porque confunda a sensação, a dor, a criminalidade, inclusive, a cada cinco ou seis horas, uma mulher é morta pelos seus parceiros ou familiares'.

STF

O candidato do Avante à presidência da República propôs uma 'grande mudança' no Supremo Tribunal Federal, com o fim da vaga vitalícia e mais espaços para mulheres.

'Se cometeu erros, tem de sofrer impeachment, mas o problema é mais grave. Eu sou o único que está propondo uma reforma séria no STF. Fim da vitalicidade, oito anos e ir embora pra nunca mais voltar. E os próximos dois ministros não seriam homens, teriam de ser mulheres'.

Sobre o plano de diminuir de 11 para nove o número de ministros, Cury declarou que o Brasil vive uma 'judicialização insana'.

'O Brasil tem mais advogados que todos os países do mundo juntos, sabia disso? É quase inacreditável. Mas é insano. É a indústria da judicialização. Sabe quantos processos o Supremo julgou ano passado? Mais de 112 mil processos'.

Parlamentarismo

O presidenciável defendeu a mudança de sistema de governo para o parlamentarismo ou semi-presidencialismo no Brasil. Para ele, o presidencialismo é uma 'chaga'.

'Nós precisamos mudar o regime. Um presidente que nunca plantou uma horta não pode definir o futuro da agricultura. Um presidente que nunca colocou seu capital de risco - tanto Jair Bolsonaro quanto Lula nunca colocaram seu capital de risco para montar uma empresa - [não pode] definir o futuro do comércio, o futuro da indústria'.

Divulgação digital

Augusto Cury apresentou a proposta de ampliar a divulgação do Brasil nas redes sociais por meio das embaixadas. Segundo ele, ministros e embaixadores produziriam conteúdo digital e haveria influenciadores nas embaixadas para 'vender o Brasil de maneira adequada'.

O candidato ainda se colocou favorável à taxação das big techs e criticou a atuação das plataformas. Para Cury, as redes sociais mudaram o funcionamento da mente humana e geram dependência em jovens.

Apesar das críticas, ele disse ser contra o controle das redes sociais.

'Eu não sou a favor de controlar as redes sociais. É um ambiente de liberdade. Agora, eu faço um pedido para todos os pais, inclusive daqui do mundo: nos finais de semana, o ideal seria fazer jejum do digital, porque milhões de jovens são órfãos de pais vivos'.

Cury ainda defendeu que as plataformas sejam 'pesadamente' taxadas, a exemplo do que ocorre com a indústria do cigarro.

'Eles têm que ter liberdade, mas o lucro que vai para eles, para o TikTok, o lucro que vai para a Meta, tem que ser taxado. Como as bets, que também geram dependência psicológica alta'.

Corte de ministérios

O candidato do Avante prometeu fazer um corte de ao menos oito ministérios caso seja eleito. Questionado pelos jornalistas, Augusto Cury citou nomes que poderiam compor seu eventual governo.

'Chamaria os melhores. Por exemplo, Jean-Paul Prates, ele é um grande especialista em energia renovável. Por exemplo, José Múcio. Eu gosto demais, é meu amigo. Vou conversar com a Tereza Cristina. Já tenho conversado com ela sobre o Ministério da Agricultura. Conversei com o Paulo Skaf, porque quem tem que dirigir a indústria é quem vem da indústria. Brinquei até com o Caiado: ‘Caiado, se eu ganhar, eu vou criar o Ministério da Segurança Pública e você vai ser o xerife do Brasil'.

8 de Janeiro

O candidato disse que, caso eleito, vai convidar um grupo 'juristas notáveis' do Brasil e do exterior para entender a dinâmica do 8 de janeiro e tomar uma decisão sobre uma possível anistia. Cury afirmou que 'não vai entrar na polarização' e definiu o caso como uma 'guerra interminável' que precisa ser resolvida.

'Pode ter certeza, eu sou justo, extremamente justo, sou sério e vou decidir com um grupo de juristas. Eu não quero entrar nessa... Eu sei que essa pauta é uma pauta que alimenta a polarização e termina nessa guerra interminável. Vou analisar os processos adequadamente. Se houve, de fato, ou não, tentativa de golpe e quais foram as penas desproporcionais'.

Por Cláudio Gabriel, Maria Clara Aucar e Pedro Bohnenberger — Rio de Janeiro
Fonte: cbn.globo.com

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