Conhecida por atuar contra milícias, grupos de extermínio e corrupção policial em São Gonçalo, Patrícia foi assassinada com 21 tiros ao chegar em casa, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
Relembre o caso
Ao longo da carreira, Patrícia Acioli ficou conhecida como uma juíza "linha dura". Segundo as investigações da época, ela foi responsável pela prisão de mais de 60 policiais ligados a milícias e grupos de extermínio.
Devido à sua atuação, passou a sofrer ameaças.
A polícia descobriu que o nome da magistrada aparecia em uma lista com 12 pessoas marcadas para morrer, encontrada com um acusado de comandar uma milícia em São Gonçalo.
Patrícia chegou a ter escolta do Tribunal de Justiça por cinco anos, mas estava sem proteção quando foi assassinada.
![]() |
| Carro da juíza Patrícia Lourival Acioli — Foto: Bruno Gonzalez / Agência O Globo |
Na noite de 11 de agosto de 2011, poucas horas antes de morrer, a juíza havia decretado a prisão preventiva de policiais militares suspeitos de envolvimento na morte do jovem Diego da Conceição, em uma comunidade de São Gonçalo.
Entre eles estava o PM Sammy dos Santos Quintanilha, que anos depois também seria condenado pelo homicídio de Diego e por fraude processual. Segundo as investigações, esse caso foi o estopim para o assassinato da magistrada.
Na madrugada de 12 de agosto, Patrícia Acioli foi surpreendida por criminosos ao chegar em casa e morreu no local.
A investigação
![]() |
| Mapa do trajeto feito pela juíza Patrícia Acioli no dia em que foi assassinada em Piratininga, Niterói — Foto: Níkolas Espíndola/G1 |
As investigações mostraram que a execução havia começado a ser planejada cerca de um mês antes e que houve pelo menos duas tentativas frustradas de matar a juíza antes da emboscada.
A polícia concluiu que três dos policiais cuja prisão preventiva havia sido decretada por Patrícia participaram diretamente do assassinato.
As investigações também apontaram que o então comandante do 7º BPM (São Gonçalo), o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, foi o mandante do crime.
Segundo o Ministério Público, Patrícia investigava um esquema de corrupção dentro do batalhão, envolvendo policiais ligados a grupos de extermínio.
![]() |
| Ex-tenente-coronel da Polícia Militar Cláudio Luiz de Oliveira e a juíza Patrícia Acioli — Foto: Reprodução |
Julgamento
O julgamento do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira aconteceu em 2014 e durou quase 20 horas. O júri concluiu que ele encomendou o assassinato da juíza.
Cláudio foi condenado a 36 anos de prisão, em regime fechado, por homicídio triplamente qualificado e formação de quadrilha armada.
Em 2023, a Justiça autorizou que ele passasse a cumprir a pena em prisão domiciliar.
Outro condenado foi o cabo Sérgio Costa Júnior, que confessou ter participado da execução da juíza. Em delação premiada, ele revelou detalhes do planejamento e da execução do crime.
Ao todo, 11 policiais militares foram condenados pelo assassinato de Patrícia Acioli. Somadas, as penas ultrapassam 250 anos de prisão.
O caso Patrícia Acioli é o 12º episódio da série "História do Crime", que está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do História do Crime, para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.
Por Carol Simões
Fonte: g1

/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2011/08/12/rio76358.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/r/B/BMljOyQASuXWTFtsxGHQ/g1-justicasemmedo-mapa01.jpeg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/a/t/ZwRv6GS4ad2sdZ8jBV6Q/montagem-acioli.jpg)