Mohammed é acusado de ser o principal responsável pelo planejamento dos ataques que mataram quase 3 mil pessoas em Nova York, na Pensilvânia e no Pentágono. Ele vai ser julgado pelo ataque terrorista em junho de 2028.
A decisão representa uma derrota para a acusação. A Promotoria considera os depoimentos obtidos em 2007, na base naval americana de Guantánamo, uma das principais provas do caso, segundo o jornal.
O juiz Michael Schrama concluiu que a acusação não conseguiu demonstrar que Mohammed havia prestado os depoimentos ao FBI voluntariamente.
• Segundo o NYT, a decisão levou em consideração o uso de técnicas de coerção psicológica pela CIA contra o acusado.
• Também pesou o fato de agentes do FBI não terem informado explicitamente que ele poderia permanecer em silêncio ou consultar um advogado.
Mohammed foi capturado em 2003 e passou por interrogatórios da CIA em prisões secretas no exterior. Ele foi submetido a técnicas de tortura e permaneceu isolado até ser transferido para Guantánamo, em 2006, segundo o jornal.
A defesa argumenta que Mohammed foi submetido a anos de tortura, isolamento e confinamento antes de falar com agentes do FBI. A tese era que as técnicas utilizadas pela CIA haviam influenciado o terrorista a dizer aos investigadores o que eles queriam ouvir.
A acusação ainda pode recorrer da decisão.
O caso
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| Khalid Sheikh Mohammed é apontado como suposto mentor dos ataques de 11 de Setembro — Foto: AP |
O julgamento será realizado por um tribunal militar. O grupo vai analisar o caso de acordo com as regras da Justiça Militar dos EUA.
Segundo a acusação, Khalid Sheikh Mohammed concebeu o plano de sequestrar os aviões e treinar pilotos para atingir as Torres Gêmeas. O plano foi levado ao então líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, que ordenou o atentado terrorista.
Além dele, outros três réus irão a julgamento:
• Walid Muhammad Salih Mubarak bin 'Atash;
• Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi;
• Ali Abdul Aziz Ali.
A definição da data ocorre pouco mais de um mês depois de um tribunal de apelação dos EUA impedir que Mohammed e dois dos outros réus se declarassem culpados em acordos que evitariam a pena de morte.
O tribunal de apelação derrubou decisões anteriores de um juiz militar e do Tribunal de Revisão da Comissão Militar dos EUA, que haviam considerado válidos os acordos.
As propostas de acordo foram apresentadas no ano passado e aceitas pelo oficial responsável por supervisionar as comissões militares em Guantánamo.
Em agosto de 2025, porém, o então secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, revogou a autorização, após críticas de parlamentares republicanos.
Como será o julgamento
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| Segundo avião é visto se aproximando das Torres Gêmeas antes do impacto — Foto: AFP |
Segundo a decisão, o processo começará com a escolha dos militares que formarão o painel responsável pelo julgamento.
• As alegações iniciais serão apresentadas 30 dias após a formação do painel. Em seguida, a acusação apresentará suas provas.
• A defesa poderá, então, apresentar pedidos para que os réus sejam absolvidos. As duas partes terão oportunidade de responder aos argumentos e contestar as alegações adversárias.
• A defesa começará a apresentar suas principais provas 60 dias após o encerramento da apresentação das provas pela acusação.
• O processo terminará com a definição das penas, caso os réus sejam considerados culpados.
O juiz rejeitou o pedido dos promotores para que o julgamento começasse em janeiro de 2027. Segundo ele, a data deixaria pouco tempo para resolver questões relacionadas às provas e outros procedimentos antes do julgamento.
Fonte: g1

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