A lista, formada por 53 alunas, classifica as mulheres com termos de teor sexual e depreciativo ao lado de fotos das vítimas, retiradas das respectivas redes sociais.
O que aconteceu
• O ranking foi feito no formato "tier list", trazendo classificações como "deliciosíssima" e "comível".
• A lista foi compartilhada em um grupo privado e acabou circulando nas redes sociais. Prints de conversas do grupo, intitulado "não psicólogos", expõem comentários ofensivos de seus integrantes, como "Tirei as lésbicas e as gordas".
• Segundo a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), seis vítimas foram identificadas e cinco suspeitos são investigados.
• Em nota enviada ao UOL, a Unoeste, universidade onde as vítimas estudam, afirma que soube da denúncia ontem e já iniciou uma investigação interna. "Desde que tomou conhecimento do caso, a apuração foi iniciada imediatamente e está sendo conduzida com prioridade e rigor. Identificadas as responsabilidades individuais, serão aplicadas as sanções previstas nas normas institucionais. Paralelamente, a universidade está acolhendo, amparando e ouvindo as acadêmicas envolvidas, com o cuidado necessário para preservar sua integridade, sua privacidade e sua dignidade".
• O UOL também procurou o CRP-SP (Conselho Regional de Psicologia de São Paulo) e o CFP (Conselho Federal de Psicologia), mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
Reações
• A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e a candidata a deputada estadual Carolina Simon (PSOL) protocolaram hoje um ofício à reitoria da Unoeste cobrando medidas urgentes. Em vídeo, Simon pontua que "instituições de ensino precisam ser espaços seguros, comprometidos com a ética e com o enfrentamento à misoginia e à violência".
• Na quinta-feira (20), o conteúdo vazado levou a protestos na entrada da universidade. Com cartazes e palavras de ordem, estudantes e ativistas fizeram um ato em frente ao Campus II da Unoeste, na Rodovia Raposo Tavares (SP-270).
• O coletivo "Frente pela Vida das Mulheres", que esteve à frente das manifestações, chamou o episódio de "misoginia organizada". "A criação de um ranking sexual para classificar mulheres reproduz diretamente a lógica red pill do chamado Valor Sexual de Mercado: mulheres tratadas como mercadorias, avaliadas por sua aparência, comportamento e suposta disponibilidade sexual", afrima o grupo.
