O que aconteceu
• A suspensão é cautelar e permanecerá em vigor até a instauração e análise de um procedimento disciplinar. Segundo a OAB-TO, a medida foi determinada pela Diretoria, pelo Conselho Seccional e pelo presidente do Tribunal de Ética e Disciplina.
• Igor terá direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal durante o procedimento. "A OAB Tocantins reafirma seu compromisso com os princípios históricos que regem o exercício da profissão e a atuação da OAB", afirmou a entidade em nota assinada pelo presidente da seccional, Gedeon Pitaluga Júnior, e pelo presidente do Tribunal de Ética e Disciplina, Fábio Alves Fernandes.
• Igor e a companheira, Kathellen Moreira, estão presos suspeitos de envolvimento na morte de Gustavo. O pai é investigado por homicídio qualificado e tortura. A Polícia Civil afirma não haver, até o momento, evidências de participação direta da madrasta nas agressões, mas investiga se ela se omitiu diante da violência contra a criança.
• O laudo do IML apontou que Gustavo morreu por hemorragia interna provocada pelas agressões. Segundo o delegado Eduardo Menezes, as graves lesões encontradas nas regiões anal e intestinal da criança ocorreram em um contexto de violência extrema e teriam sido usadas como instrumento de tortura.
• O pai afirmou inicialmente à polícia que o filho havia se afogado na piscina de casa. Segundo o relato de Igor, Gustavo caiu na água no domingo (2), foi socorrido, expeliu água e depois dormiu, mas foi encontrado sem vida na manhã seguinte.
• A Polícia Civil acredita que Igor tentou construir uma versão para simular um afogamento. A perícia encontrou indícios de que a casa havia sido higienizada antes da chegada dos investigadores. O delegado afirma que Gustavo morreu ainda na noite de domingo e que o pai permaneceu com o corpo até procurar a polícia na tarde de segunda-feira (3).
"O que eu imagino é que, depois da morte, ele ficou até as 16h30 do dia seguinte tentando construir uma versão, construir algum ambiente que pudesse justificar o afogamento, que pudesse, de alguma forma, tirar dele a responsabilidade sobre aquela morte", afirmou Menezes.
Histórico de violência
• A mãe de Gustavo afirma que o menino já demonstrava medo de ir para a casa do pai. Em um vídeo gravado por Sabrina Feitosa antes da morte, a criança aparece chorando e dizendo: "Eu não vou ir para meu pai não, porque ele me bate".
• Sabrina teve uma medida protetiva contra Igor durante dois anos, segundo a advogada dela, Stella Bueno. A defesa da mãe afirma que a convivência entre pai e filho ocorria por determinação judicial e que impedir os encontros poderia ser interpretado como alienação parental e resultar até na reversão da guarda.
• Áudios apresentados pela mãe também registram ameaças que teriam sido feitas por Igor contra ela. Em uma das gravações, ele diz: "Você testou meus limites e minha capacidade, a sua sorte é que você estava com o menino no colo e tinha muita gente passando na rua, mas da próxima, não vai ter próxima, te meto uma bala na cara".
O que diz a defesa
A defesa do casal afirma que Igor se submeteu voluntariamente ao cumprimento do mandado de prisão preventiva. Segundo o advogado Júlio César Suarte, ele permaneceu em casa aguardando a chegada dos policiais e não tentou fugir nem resistiu à prisão.
O defensor informou que não se manifestará, por enquanto, sobre os demais aspectos da investigação. Segundo ele, a decisão foi tomada "em respeito ao sigilo da investigação".

