No vídeo, a vítima toca o interfone da casa do advogado. Ao fundo, é possível ouvir a música "Only Time", da cantora irlandesa Enya. Uma pessoa atende o interfone e o vizinho que está incomodado faz o pedido de forma educada.
"Eu gostaria só de pedir, com muita tranquilidade, que abaixasse só um pouco o som, que está um pouco difícil de dormir", disse.
O advogado fica mudo. Em seguida, o volume continua alto. A vítima volta a tocar o interfone, na tentativa de ser atendido. Nesse momento, ocorrem vários disparos e ele sai correndo, desesperado.
Segundo a Polícia Militar e a Polícia Civil do Distrito Federal, o advogado, que é servidor da Polícia Técnico-Científica de Goiás, foi preso em flagrante pelo crime de disparo de arma de fogo. Como ele não teve a identidade divulgada, o g1 não conseguiu localizar a sua defesa.
De acordo com a PMDF, a partir de relatos colhidos no local do crime, o caso aconteceu por volta das 23h da última quinta-feira (27). A vítima pediu que o vizinho baixasse o volume do som em razão do horário e da necessidade de descanso. Nesse momento, houve os disparos.
Após a polícia ser chamada, equipes do 2º batalhão e do Batalhão da ROTAM foram até o endereço e, como ninguém atendeu à porta, os agentes entraram na casa e prenderam o advogado, que não apresentou resistência.
Segundo a PM, foi apreendida uma pistola calibre .380, com carregador e munições. Também houve a apreensão de munições intactas e deflagradas de calibres .380, .38, .32 e .357.
Como o processo judicial referente ao caso está em segredo de justiça no sistema do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF), o g1 não pôde confirmar se o advogado continuou preso após passar por audiência de custódia. A reportagem procurou a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Distrito Federal, no qual o advogado é registrado, mas ainda não obteve retorno.
Em nota, a Polícia Científica de Goiás informou que o servidor é da área administrativa e que a sua conduta será analisada pela corregedoria, que "adotará as medidas cabíveis no âmbito de suas atribuições, sem prejuízo da investigação criminal a ser conduzida pela polícia local".
Por Rafaella Barros, g1 Goiás
Fonte: g1
