No entanto, verificações feitas por agências de checagem apontam que essa interpretação é enganosa. O vídeo não é atual e tampouco trata dos casos mencionados nas publicações que viralizaram.
Durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça utilizou um exemplo hipotético envolvendo a abertura dos sigilos bancários dos próprios ministros para questionar o alcance da tese discutida no julgamento. A manifestação gerou reação de Alexandre de Moraes e de outros integrantes da Corte.
O registro é de uma sessão do STF realizada em 23 de abril de 2025, durante o julgamento de um recurso que discutia os limites da quebra de sigilo de dados de usuários da internet em uma investigação relacionada ao assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. Na ocasião, a Corte analisava um recurso apresentado pelo Google contra decisão que autorizava o acesso a buscas realizadas por usuários antes do crime.
Durante o julgamento, André Mendonça defendeu que medidas de quebra de sigilo devem atingir apenas pessoas previamente identificadas na investigação, argumentando que ampliar a medida para um número indeterminado de usuários poderia representar violação ao direito à privacidade. Alexandre de Moraes, por sua vez, apresentou entendimento diferente sobre o alcance da medida, o que gerou um debate entre os ministros no plenário.
Nas redes sociais, porém, o trecho passou a ser compartilhado como se retratasse uma discussão sobre investigações envolvendo o Banco Master ou outros fatos recentes. As publicações também utilizam legendas como "Moraes surta" ou afirmam que Mendonça teria tentado impedir a quebra de sigilos em casos atuais.
As alegações foram desmentidas por iniciativas de checagem como AFP Checamos, Reuters Fact Check e Aos Fatos, que confirmaram que o vídeo foi retirado de contexto e não possui relação com os acontecimentos aos quais vem sendo associado.
Até o momento, não há evidências de que o embate registrado no vídeo tenha ocorrido em razão de investigações recentes. Trata-se, na verdade, de um debate jurídico ocorrido em abril de 2025 sobre os limites legais da quebra de sigilo de dados em investigações criminais.
Fontes:
• AFP Checamos.
• Reuters Fact Check.
• Aos Fatos.
Texto elaborado com auxílio de IA.
