Ariana, filha do procurador Francisco Barros Sousa e sobrinha do desembargador Raimundo Barros, assumiu o cargo em 12 de maio de 2025. A nomeação ocorreu após sentença do juiz Osmar Gomes dos Santos, da 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís, publicada em 7 de abril daquele ano. O governo estadual recorreu da decisão, que ainda será analisada pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA).
O concurso, realizado em 2017, oferecia inicialmente 20 vagas, sendo 15 destinadas à ampla concorrência e cinco reservadas a pessoas com deficiência e candidatos negros. Também havia previsão de cadastro de reserva com 80 nomes. O edital estabelecia ainda uma cláusula de barreira que restringia a convocação para a prova discursiva aos 225 primeiros candidatos da ampla concorrência.
Apesar de ter alcançado a pontuação mínima exigida na prova objetiva, Ariana não avançou para as demais etapas. Ela acertou 60 das 100 questões e, segundo sua defesa, também atingiu o percentual mínimo de 50% em cada grupo de disciplinas. A candidata, porém, deixou de realizar as fases seguintes da primeira etapa, que incluíam prova discursiva, avaliação de títulos, exames médicos, teste de aptidão física e avaliação psicológica.
A defesa de Ariana argumentou que a Lei Estadual nº 12.212/2024 permitiu ao governo flexibilizar a cláusula de barreira para convocação ao Curso de Formação Profissional e composição do cadastro de reserva. Com base nisso, ela sustentou que teria direito a continuar no concurso. Atualmente, a candidata está lotada como delegada na unidade policial de Bacabal.
A PGE, por outro lado, defende que as regras previstas no edital devem ser mantidas e afirma que a legislação citada pela candidata beneficiaria somente quem tivesse sido considerado apto em todas as fases da primeira etapa — o que não seria o caso de Ariana. A Procuradoria também alertou para um possível “efeito multiplicativo” caso a posse seja mantida, com o risco de outros candidatos eliminados em concursos semelhantes recorrerem à Justiça. O recurso apresentado pelo governo ainda aguarda julgamento no TJ-MA.
Por Wendel de Novais
Fonte: correio24horas.com.br
