Justiça comete erro e intima esteticista morta para depor em processo sobre o próprio assassinato

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Via @correio24horas | Uma falha da Justiça de Alagoas levou Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, morta em uma clínica de reabilitação, a receber uma intimação para depor no processo que apura o próprio assassinato. O documento, expedido em setembro, determinava que a esteticista comparecesse à Justiça no dia 14 de outubro, de acordo com a coluna de Carlos Madeiro no UOL.

A ordem judicial foi emitida em 11 de setembro de 2026. Cinco dias depois, um oficial de Justiça foi ao endereço indicado para entregar a notificação, mas não encontrou a mulher. Ao devolver o mandado, informou que ela não residia naquele local, sem registrar que Cláudia já havia morrido.

A 2ª Vara Cível e Criminal da Comarca de Marechal Deodoro reconheceu o erro e lamentou o ocorrido. Em nota, o órgão afirmou que medidas estão sendo tomadas para corrigir a intimação e investigar as circunstâncias da falha, a fim de evitar que episódios semelhantes se repitam.

Reprodução

A morte da esteticista ocorreu em uma comunidade terapêutica de Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió. Em abril deste ano, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público de Alagoas e abriu ação penal contra três pessoas: Maurício Anchieta de Souza, Jéssica da Conceição Vilela e Soraya Pollyanne dos Santos Farias, tia da vítima.

Segundo a acusação, Maurício é apontado como responsável pelas agressões que teriam causado a morte de Cláudia. Ele responde por homicídio qualificado, com emprego de meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima, além de cárcere privado qualificado. Jéssica também foi denunciada pelos dois crimes, sob a suspeita de ter participado das agressões e contribuído para manter a esteticista na instituição.

Soraya responde por cárcere privado qualificado. De acordo com o Ministério Público, ela teria mantido a sobrinha internada contra a vontade mesmo depois do fim do contrato, sem autorização legal para prolongar a permanência na unidade.

A denúncia aponta que Cláudia ficou cerca de sete meses na comunidade terapêutica e teria sofrido agressões físicas e recebido medicamentos durante a internação. Testemunhas ouvidas na investigação relataram episódios de violência e maus-tratos. No dia da morte, a esteticista teria sido agredida novamente. Os investigadores identificaram diversas lesões em seu corpo e sinais compatíveis com asfixia.

Maurício e Jéssica também são réus em outro processo, que investiga supostos crimes contra pessoas internadas na mesma instituição. A ação penal sobre a morte de Cláudia segue para a fase de instrução, com a coleta de provas e a oitiva de testemunhas antes do julgamento.

Por Wendel de Novais
Fonte: correio24horas.com.br

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