MP abre investigação sobre hotel para pets após vídeo de cachorro sendo agredido em MS

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Via @portalg1 | O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um inquérito civil para apurar possíveis maus-tratos e a regularidade do hotel para pets onde um cachorro foi filmado sendo agredido várias vezes pela dona do estabelecimento, em Bonito (MS). A Promotoria também pediu novas diligências à Polícia Civil para esclarecer o caso.

A proprietária afirma que atingiu Ravi, um pastor-australiano de pouco mais de 1 ano, para tentar separá-lo de outro cachorro, um yorkshire chamado Kowalski, que morreu durante o episódio. Ela diz que agiu no desespero para salvar o animal e nega intenção de cometer maus-tratos. Veja o posicionamento dela na íntegra no fim da reportagem.

Segundo o MP, em nota enviada ao g1, o inquérito também vai apurar as condições de manejo e segurança do hotel e eventual responsabilidade por outros danos.

O MPMS também recebeu o inquérito da Polícia Civil, que foi encaminhado à 2ª Promotoria de Justiça de Bonito. Após analisar o material, a Promotoria pediu novas diligências à polícia para esclarecer os fatos e concluir a investigação.

O Ministério Público não informou quais diligências foram solicitadas. As apurações continuam e, segundo o órgão, ainda não há conclusão sobre eventuais responsabilidades.

O que aconteceu

Ravi estava hospedado no estabelecimento quando a proprietária foi filmada atingindo o cachorro. As imagens foram divulgadas pelo tutor, Vincent Lacerda, e passaram de 1 milhão de visualizações nas redes sociais.

A ocorrência foi registrada inicialmente como maus-tratos. A proprietária foi levada à Delegacia de Bonito e afirmou aos policiais que tentava separar Ravi de Kowalski.

Após analisar as imagens e as circunstâncias apresentadas, o delegado responsável entendeu que a mulher agiu para separar os animais e impedir que o yorkshire continuasse sendo atacado. Segundo a Polícia Civil, naquele momento, não foram identificados elementos que configurassem o crime de maus-tratos. Por isso, ela não foi presa.

O inquérito foi encaminhado ao MPMS, que agora pediu novas diligências à Polícia Civil e abriu uma apuração própria sobre o caso e o funcionamento do estabelecimento.

Vincent afirma que Ravi frequentava o local desde os três meses de idade e que nunca havia recebido relatos de comportamento agressivo do cachorro. O tutor também diz que não foi avisado pelo hotel e soube do episódio após receber o vídeo de outras pessoas.

Ravi foi retirado do estabelecimento por uma pessoa de confiança do tutor e levado para atendimento veterinário. Segundo Vincent, o cachorro foi medicado e passa bem.

O que diz a dona do hotel

Após o caso vir a público, Ana Carla, proprietária do Hotelzinho Peludos Resort, publicou um vídeo nas redes sociais para apresentar a versão dela. Ela afirmou que estava em uma festividade no centro de Bonito quando recebeu uma ligação da filha, que estava com os animais no hotel, dizendo que Ravi havia pegado Kowalski e não o soltava.

Veja o posicionamento publicado por Ana Carla na íntegra:

“Olá a todos, bom dia. Meu nome é Ana Carla, eu sou proprietária do Hotelzinho Peludos Resort. Eu vim me manifestar em relação ao vídeo que tá correndo nas redes sociais, aonde as pessoas relatam e atacam como mau trato o ocorrido de ontem.

Eu tava numa festividade no centro da cidade, que a minha filha tava acompanhando os pets aqui no hotelzinho, e ela me ligou imediatamente, falou: ‘Mãe, corre que o Ravi pegou o Kowalski, porque ele não tá soltando.’ Eu vim imediatamente para cá. Diante de toda a situação, no ato de desespero, eu acabei dando uns tapa no Ravi, sim, no dorso, mas não foi intenção nenhuma de mau trato ou de ódio gratuito.

Era na intenção mesmo de salvar o Kowalski, porque ele não tava soltando. O Ravi, ele é um cachorro que ele só aceita os comandos em alemão, e eu não consegui fazer ele soltar, eu não consegui. E o Kowalski veio a óbito. Não teve o que eu fazer, eu tentei de todas as formas reanimar ele e tentei, sabe? Não, não, não consegui, não consegui.

E eu quero me colocar à disposição de quem tiver alguma dúvida, por favor, entre em contato, não fica disseminando ódio gratuito. Tenha conhecimento dos fatos, do que realmente aconteceu. Eu já fui na delegacia, já prestei esse depoimento, a minha filha vai na segunda-feira prestar depoimento. Foi disponibilizado as filmagens, passei tudo pro delegado, ele já me ouviu.

E eu peço desculpa e tô à disposição, tô à disposição da polícia, tô à disposição de qualquer pessoa que quiser saber a verdade.”

Por Gabi Cenciarelli, g1 MS
Fonte: g1

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