Prêmio Nobel da Paz vai para jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay

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Via @metropoles | O Prêmio Nobel da Paz de 2026 foi concedido a Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, por seus esforços na promoção da paz e do direito internacional. A jurista sul-africana, de origem indiana, é juíza do Tribunal Internacional de Justiça no caso em que Myanmar é acusado de genocídio.

Pillay atuou em defesa do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela e se opôs ao apartheid no país.

Ela também foi Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, entre 2008 e 2014, presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda e presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado.

“Em casos históricos de tribunais internacionais, ela demonstrou que medidas legais podem ajudar a prevenir atos de guerra e violência”, disse o comitê do Nobel. “Navi Pillay responsabilizou os estados e os líderes nacionais e trouxe esperança às vítimas da violência e dos conflitos”, completou.

Em 1995, após o fim do apartheid, Nelson Mandela indicou Navi Pillay para ser juíza do Tribunal Superior da África do Sul. Ela se tornou a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte do país.

Ela atuou como advogada nos julgamentos sob a Lei de Terrorismo da África do Sul. Como advogada, ela conseguiu garantir direitos fundamentais para os presos políticos mantidos na Ilha de Robben, onde Nelson Mandela esteve preso.

“Em um momento de desafios existenciais – incluindo mais guerras e conflitos do que o mundo tem visto há muito tempo –, o direito internacional não é mais apenas um complemento à paz e à segurança. É uma necessidade absoluta”, disse a organização do prêmio.

Segundo o comitê, a escolha tem como intuito lembrar ao mundo que o Estado de direito – nacional e internacional – sustenta o sistema que estabelecemos para garantir a paz e resolver conflitos de forma não violenta.

Pillay vai receber uma medalha de ouro com o perfil de Alfredo Nobel, fundador do prêmio, e 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões).


Pillay é aplaudida por colegas

A laureada não atendeu à ligação do comitê antes do anúncio e só ficou sabendo que tinha sido premiada quando a informação já era pública. Ela estava no Tribunal de Nuremberg. “Espero que não seja uma brincadeira”, falou ao ser aplaudida pelos colegas. “Muito obrigada. Se vocês aplaudirem um pouco mais, talvez eu divida este prêmio com o… Trump”, disse, arracando risadas dos colegas.

“Neste local, os aplausos de vocês significam muito. De verdade. Vejam bem, ninguém quer receber um prêmio, uma distinção ou qualquer coisa do gênero a menos que o público concorde que a pessoa realmente o merece. É assim que encaro os aplausos de vocês hoje”, destacou.

Ela ainda disse que não pretende parar de fazer o seu trabalho pela defesa dos direitos humanos. “Então, todos perguntam: ‘Quando você vai parar? Quando você vai parar?’ Acabei de completar 85 anos no mês passado, aqui. Obviamente, não posso interromper meu trabalho em defesa dos princípios de Nuremberg — e da causa em si — por causa das pessoas que conhecemos aqui”, afirmou.

Prêmio Nobel da Paz

O Prêmio Nobel da Paz é concedido por um  comitê eleito pelo Parlamento norueguês. Em 2026, o Instituto Nobel da Noruega registrou um total de 287 candidatos, dos quais 208 são indivíduos e 79 são organizações.

No ano passado, a oposicionista na Venezuela Maria Corina Machado foi a vencedora. Segundo a premiação, a escolha foi “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

Por Thays Martins
Fonte: metropoles.com

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