A gravação do depoimento foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29), um dia depois de Vorcaro ser indiciado por gestão fraudulenta, prestação de informação falsa, fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Durante o interrogatório, a delegada afirmou que a fraude teria ocorrido a partir da incorporação, pelo Banco Master, de uma carteira de dados que teria sido apresentada por Augusto Lima, sócio de Vorcaro. O material teria sido inserido no sistema da instituição financeira. Ao ser confrontado, o empresário questionou a existência de provas contra ele.
"Eu fiz isso? A senhora tem prova?", perguntou.
Vorcaro também contestou as conclusões da investigação e afirmou que não houve fraude nem prejuízo para os envolvidos. "Fraude não teve. Fraude não teve. Não tem cliente que perdeu dinheiro, o BRB não perdeu dinheiro", declarou.
A delegada, por sua vez, mencionou uma baixa de R$ 2,2 bilhões no BRB, valor que, segundo a investigação, corresponde ao prejuízo contabilizado com as carteiras de crédito consideradas falsas.
De acordo com a PF, as carteiras que continham créditos inexistentes teriam sido originadas na empresa Tirreno e posteriormente transferidas ao BRB por meio do Banco Master. Os investigadores sustentam que Vorcaro tinha conhecimento da procedência e das inconsistências dos ativos.
Na oitiva, o empresário reconheceu que houve problemas envolvendo a Tirreno, mas afirmou que a situação já havia sido resolvida. A delegada, no entanto, ressaltou que uma eventual compensação financeira não elimina a possibilidade de responsabilização pelos fatos.
"Tem ações que, apesar de resolver financeiramente, não significa que você vai apagar o que aconteceu", afirmou Janaína Palazzo.
Vorcaro rebateu, afirmando que defende a investigação de eventuais irregularidades, mas voltou a negar participação em qualquer crime. Segundo ele, assim que tomou conhecimento dos problemas nas carteiras, providenciou a substituição dos ativos.
"Se alguém fez alguma coisa de errado dentro do meu banco, no BRB, na Tirreno, tem que ser apurado. Agora, o que eu sei é que eu não fiz nada", declarou.
O banqueiro ainda afirmou que utilizou ativos do próprio banco para substituir as carteiras questionadas e que a operação teria sido realizada de boa-fé. Ao final da argumentação, voltou a provocar a Polícia Federal: "Será que tem alguém com coragem na Polícia Federal para poder entender isso?".
Em outro momento, o dono do Master argumentou que a baixa contábil de R$ 2,2 bilhões representaria apenas um provisionamento realizado pelo banco e não significaria necessariamente que os ativos não tivessem valor.
A delegada afirmou que havia solicitado acesso aos documentos e aos resultados da auditoria para aprofundar a análise dos prejuízos apontados. Ela também destacou a dimensão do montante: "Para mim, é muito dinheiro".
Na sequência, Janaína Palazzo mencionou as dificuldades financeiras enfrentadas pelo BRB e afirmou que acompanhava uma tentativa do Distrito Federal de conseguir recursos para a instituição.
O governo distrital havia solicitado R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas a negociação foi travada após a União não conceder aval para a operação.
Por Redação BNews
Fonte: BNews
