STF derruba suspensão das ações judiciais contra ex-advogado suspeito de lesar 30 mil clientes

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goo.gl/rVoMzR | O Supremo Tribunal Federal (STF) revogou o habeas corpus que suspendia as ações judiciais que tramitavam contra o ex-advogado Maurício Dal Agnol. A decisão concedida em setembro do ano passado pelo ministro Marco Aurélio Mello se baseava na alegação de que dois juízes não poderiam atuar no caso por terem relação profissional com o acusado.

Com a decisão, os processos criminais vão ser retomados. Ainda há possibilidade de recurso. Maurício Dal Agnol foi alvo de uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público e chegou a ser preso em 2014. Ele é acusado de organizar um esquema que ficava com o valor correspondente a ações de clientes contra a extinta Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT).

A investigação apontou que Dal Agnol pode ter lesado cerca de 30 mil clientes. A defesa do ex-advogado não havia se manifestado até a publicação desta matéria.

Operação Carmelina

Advogado Maurício Dal Agnol foi preso em 2014 em Passo Fundo (Foto: Reprodução/RBS TV)

Dal Agnol teve a prisão decretada na Operação Carmelina, deflagrada pela Polícia Federal no dia 21 de fevereiro, mas ficou foragido no exterior. No final de maio, obteve um habeas corpus e, no mês seguinte, se apresentou à Justiça de Passo Fundo, onde responde processo por apropriação indébita e formação de quadrilha. Em setembro, no entanto, foi preso após a PF suspeitar que ele havia articulado uma possível fuga.

Segundo a PF, um grupo de advogados e contadores, comandados por Dal'Agnol, procurava os clientes com a proposta de entrar com ações na Justiça contra empresas de telefonia fixa. Os clientes ganhavam a causa, mas os advogados repassavam a eles uma quantia muito menor da que havia sido estipulada na ação. O esquema fez o advogado enriquecer rapidamente, diz a PF.

Ao cumprir mandados de busca na cidade do Norte do Rio Grande do Sul, a Polícia Federal encontrou um total de R$ 1,5 milhão em um dos endereços do suspeito. Além da quantia, animais selvagens empalhados e munição foram achados em um fundo falso de uma parede. A PF apreendeu também um avião avaliado em cerca de US$ 8,5 milhões e bloqueou dinheiro em contas bancárias e imóveis.

A Operação Carmelina foi desencadeada em Passo Fundo e em Bento Gonçalves, na Serra. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia e de contabilidade e em uma residência. A operação foi batizada de Carmelina porque este era o nome de uma mulher que teve cerca de R$ 100 mil desviados no golpe. Segundo a PF, ela morreu de câncer, e poderia ter custeado um tratamento eficaz com o dinheiro.

Por Fábio Lehmen, RBS TV
Fonte: g1 globo

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