Ao Mais Goiás, a esposa de Almiro, a professora Ruth Rocha Santos da Silva, diz que ele se sentiu muito humilhado diante do que aconteceu, “exposto, achou que não tinha mais condição de continuar”. Ela reforça, contudo, que a escola tem apoiado e colaborado com as investigações e que em nenhum momento pediu que o marido dela abafasse o caso.
No mesmo dia, o ex-zelador registrou um boletim de ocorrência. Almiro, que está no Brasil há sete meses, começou a trabalhar na escola em junho, seu primeiro emprego de carteira assinada. Segundo Ruth, ele era feliz no local, acolhido pelos pais das crianças, diretores e outros colegas. Ela afirma que ele nunca tinha sofrido um caso de racismo e xenofobia antes.
Hoje, ele está recolhido em casa, abalado e triste. “Não está bem emocionalmente”, afirma Ruth. A professora fez questão de enfatizar que a agressão não partiu do grupo gestor da escola ou do grupo docente, ou de pais e alunos, acredita ela. “A escola ainda não sabe de quem foi, mas está colaborando para fazer a investigação para descobrir o autor desse crime. Em nenhum momento a direção da escola pediu para que o Almirro omitisse algo. Eles estão dando total suporte tanto para o Almirro quanto para o caso.”
Nota do colégio:
“O Colégio Objetivo de Anápolis vem a público manifestar seu veemente desacordo a qualquer ato de racismo, discriminação ou violência, independentemente de sua forma ou contexto. Infelizmente, registramos recentemente um episódio de cunho racista envolvendo um de nossos colaboradores, situação que contrariou de maneira grave os valores que defendemos e praticamos diariamente.
Reafirmamos que o racismo é crime, fere a dignidade humana e não será tolerado em nossa instituição. Todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas para a apuração completa dos fatos, bem como para a garantia de um ambiente escolar seguro, respeitoso e acolhedor para todos.
Lamentamos profundamente o ocorrido e expressamos nossa solidariedade ao colaborador envolvido. Ressaltamos que continuaremos atuando com firmeza para prevenir e combater qualquer forma de discriminação, reforçando nosso compromisso com o respeito, a ética e a igualdade.”
Por Francisco Costa
Fonte: maisgoias.com.br
