Ana afirma que a proprietária chegou a dar três dias para que retirasse o penteado — e, mesmo quando ela voltou a usá-lo meses depois, foi novamente pressionada a desfazer as tranças. Ao se recusar, acabou dispensada sem justa causa.
A trabalhadora conta que, durante o aviso prévio, também foi impedida de atender clientes, ficando restrita a captar contatos e fazer panfletagem. O período foi marcado por forte desgaste emocional. “Sabia que aquilo não era sobre profissionalismo, mas sobre racismo”, disse.
A empresa, em defesa, negou a prática discriminatória e afirmou possuir políticas gerais de aparência, além de alegar baixo desempenho da funcionária. Também não respondeu aos questionamentos da imprensa.
O juiz Emanuel Holanda Almeida aplicou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, do CNJ, e afirmou que exigir que a vendedora retirasse as tranças sob justificativas de “padrão da empresa” caracteriza discriminação indireta. Segundo ele, o episódio evidencia racismo estrutural mascarado por normas internas. O magistrado também apontou que a própria proprietária confirmou condicionar contratações à aceitação prévia de “regras” sobre cabelo, o que reforçaria a política discriminatória.
Na sentença, o juiz destacou que Ana Gabriela foi submetida a “profundo constrangimento, humilhação e violação à dignidade”.
Atualmente, a jovem vive com a irmã, trabalha como modelo e participa de projetos sociais voltados a pessoas negras da periferia. Após o caso ganhar repercussão nas redes, ela recebeu convite para trabalhar em uma loja de roupas e acessórios.
Apesar de considerar o valor de R$ 15 mil baixo, Ana Gabriela afirma estar aliviada: “É uma vitória para mim e para outras pessoas. A única forma de combater o racismo é denunciando. Nosso cabelo não define nosso profissionalismo.”
Por Fabricio Moretti
Fonte: maisgoias.com.br
