Após ser preso durante a deflagração da Operação Anúbis, o suspeito teria dito à polícia que não havia cometido crime nenhum, tendo somente administrado medicamentos prescritos pelos médicos.
Em posse de registros de câmeras de segurança, que flagraram toda a ação do técnico de enfermagem, os investigadores contestaram a afirmação do homem, que acabou confessando calmamente os crimes.
Em uma segunda versão, o técnico de enfermagem disse que teria tirado a vida dos pacientes com o intuito de “aliviar o sofrimentos das vítimas”. Em outro relato, Marcos chegou a dizer que o hospital “estava tumultuado” e que ele teria cometido os crimes “por estar nervoso”.
Nas imagens, Marcos Vinícius aparece prescrevendo as receitas, buscando medicamentos e preparando para injetá-los nas vítimas. Diante do flagra, ele teria dito que “parece que fez isso mesmo”.
Os crimes
As investigações da Polícia Civil apontam que o homem — em alguns casos, com o auxílio de duas técnicas de enfermagem, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28 e 22 anos — injetou doses de um medicamento não prescrito aos pacientes.
As vítimas foram identificadas como João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33, servidor dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos.
No caso da professora aposentada, o homem ainda injetou mais de 10 seringas de desinfetante no organismo da mulher. A motivação dos crimes ainda está sendo investigada.
Ao receberem a substância aplicada na veia, as vítimas sofriam parada cardíaca quase que imediatamente. Para disfarçar o uso da aplicação, Marcos ainda realizava massagens de reanimação nos pacientes enquanto as técnicas apenas observavam de longe.
Os celulares dos suspeitos estão confiscados no Instituto de Criminalística da PCDF.
Denúncia do hospital
O caso passou a ser investigado após denúncias do próprio estabelecimento de saúde, que percebeu circunstâncias atípicas relacionadas aos três pacientes na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
Com base nas evidências, fruto da investigação interna, o hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos, os quais já haviam sido desligados da instituição.
“O hospital, enquanto também vítima da ação desses ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça.”
Por Letícia Guedes e Mirelle Pinheiro
Fonte: metropoles.com
