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Advogado diz que piloto foi ameaçado por detentos e agentes na prisão

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Via @metropolesEder Fior, advogado do piloto Pedro Turra, de 19 anos, preso por agressão corporal gravíssima contra um adolescente, disse em entrevista ao Metrópoles que o jovem foi ameaçado por um servidor da Polícia Penal e também por outros presos.

“Dentro do sistema prisional, Pedro foi ameaçado por um agente policial, descreveu essa ameaça, as condições físicas daquele agente durante a audiência de custódia e a juíza determinou que Pedro seja posto, portanto, numa cela individual e essa situação fosse investigada. Então sim, há uma grande preocupação. Os demais presos inclusive têm ameaçado Pedro. Isso é grave”, destacou Fior, advogado de Turra.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) informou que, até o presente momento, não foi formalmente notificada acerca dos fatos alegados.

Já Justiça do DF oficiou a Corregedoria da Polícia Civil do DF (PCDF) para apurar as agressões relatadas por Turra durante a audiência de custódia.

Segundo o advogado, Pedro e a família têm sido alvo de ataques no que chamou de “Tribunal da Internet”.

“Pedro e a família têm sido muito atacados, especialmente por haters que se mascaram, se escondem atrás da internet, mas nós sabemos que tudo na internet é rastreável e estamos perseguindo isso judicialmente dentro do aspecto policial porque não podemos concordar com essa essa covardia”, relatou.

A defesa pede imparcialidade no julgamento do caso e diz que a prisão do piloto não tem embasamento técnico.

“Os fundamentos adotados para prendê-lo são absurdos, nós discordamos, já entramos com pedido de revogação da prisão, já pedimos agendamento com o juiz que é o juiz natural da causa e ingressamos com um habeas corpus. Acreditamos que há de se fazer justiça, há de se estabelecer a isonomia e aquilo que o tribunal da internet tem feito com o Pedro se possa cessar”, pontuou o advogado.

“Eu não estou falando das manifestações sociais, de todo clamor. Eu tenho que falar do ponto de vista da lei, do direito. E o ponto de vista da lei do direito indica que Pedro não deveria estar preso, que ele poderia sim estar sob uma série de medidas, se o seu passaporte poderia ser recolhido, se era o medo de uma fuga que não existe. Ele foi preso dentro de casa”, argumentou a defesa.

Pedido para responder em liberdade

Pedro foi preso preventivamente na última sexta-feira (30/1) por lesão corporal gravíssima contra um jovem de 16 anos, que está intubado na unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital particular de Águas Claras (DF).

Veja o momento em que Pedro Turra agride adolescente que está na UTI:

Turra cumprirá prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória (CDP) e será transferido nesta segunda-feira (2/2) para o Complexo Penitenciário da Papuda, informou o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). O advogado do jovem informou que já foi impetrado um habeas corpus para que Pedro responda em liberdade.

“Nós entendemos que o Pedro tinha condição, como já foi deliberado anteriormente na primeira audiência de custódia, que ele responderia essa acusação em liberdade. Entendemos que a prisão é a medida mais extrema e que só deve ser adotada em casos extremos”, explicou o advogado.

Entenda o caso:

• Pedro Turra e um adolescente de 16 anos se envolveram em uma briga, na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires (DF).

• Durante a briga, Pedro jogou um chiclete mascado em um amigo do menor de idade; este respondeu que não deixaria barato se a situação tivesse ocorrido com ele.

• Em seguida, a briga começou. Vídeos gravados por testemunhas mostram Pedro e o adolescente se agredindo.

• Em certo momento, o piloto dá um soco que faz o rapaz bater a cabeça em um carro. Ele parece perder as forças, e colegas, enfim, separam a briga.

• Gravemente ferido, o menor que bateu a cabeça no carro foi levado ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde permanece intubado em estado grave. Ele vomitou sangue ao ser socorrido.

• Pedro Turra deve responder por lesão corporal grave, mas a tipificação do caso pode mudar conforme o quadro de saúde do adolescente internado.

• No depoimento, Pedro Turra disse que não queria machucar o adolescente e apenas estava tentando evitar as agressões. Ele também pediu perdão ao jovem e à família dele.

• O soco que derrubou um adolescente de 16 anos, levando-o à UTI, foi o episódio de violência mais recente envolvendo o ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos.





Contato com a família da vítima

O advogado disse não saber se Pedro tinha contato com a vítima da agressão, mas confirmou que a família do agressor teria tentado contato com a família do adolescente.

“Houve ali a iniciativa de um diálogo inclusive para se colocar à disposição da família, que sofre neste momento, inegavelmente houve, mas não houve, pelo menos naquele momento, o desejo de que a família do Pedro ou os advogados fossem recebidos por esse diálogo e a gente tem que respeitar”, pontuou Fior.

A defesa deixou claro que a família tentará novos contatos e se colocará à disposição da família da vítima. “Inclusive estamos peticionando no próprio processo esse interesse de colaborar da forma que for necessária para que essa situação, esse estado gravíssimo, possa se ser amenizado, ser sancionado.”

Por João Paulo Nunes
Fonte: metropoles.com

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