O advogado disse que tem clientes acusados de crimes mais graves que respondem em liberdade e os comparou com o caso de Pedro, que ele alega estar sendo perseguido por sua classe social. “Então, Pedro está preso por ser um jovem, branco, posicionado na sociedade como de classe média, piloto de carro esportivo. Entendemos que a prisão é a medida mais extrema e que só deve ser adotada em casos extremos“, argumentou.
A defesa pede imparcialidade por parte da Justiça do Distrito Federal e lisura no processo. “Os fundamentos adotados para prendê-lo são absurdos. Nós discordamos, já entramos com pedido de revogação da prisão, já pedimos agendamento com o juiz, que é o juiz natural da causa, e, sim, ingressamos com um habeas corpus. Acreditamos que há de se fazer justiça, há de se estabelecer a isonomia e aquilo que o Tribunal da Internet tem feito com o Pedro se possa cessar”, pontuou o advogado.
“Nós estamos falando de uma pessoa com 19 anos de idade, que poderia estar com tornozeleira eletrônica, que poderia estar com prisão domiciliar, que poderia ter uma série de medidas cautelares ali estabelecidas, [como] não se apresentar após determinado horário, não se aproximar de testemunhas, de família da vítima, de uma série de situações que não fossem essa medida extrema. O que acontece com essa prisão é que uma resposta social”, alegou Eder Fior.
“Espetacularização”
O advogado critica a condução do caso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Segundo o defensor, a corporação está fazendo uma “espetacularização do caso”.
“Nós realmente sentimos muito em torno dessa espetacularização que está sendo feita. Observe que o juiz que determinou a prisão do Pedro foi enfático, ao fim da decisão, em determinar que a polícia não fizesse espetacularização do caso, não expusesse a imagem do Pedro e se certificasse para que aquilo se desse dentro de um ambiente de proteção. Não foi o que aconteceu. Nós vimos autoridade chorando”, criticou.
A defesa também criticou o fato de o delegado da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), Pablo Aguiar, ter chorado na sexta-feira (30/1), durante coletiva de imprensa, ao detalhar o caso. “Nós vimos autoridades que não têm qualificação profissional na área médica para chamar o meu cliente de sociopata. Nós vimos uma condenação antecipada com o inflamar da sociedade, da opinião pública. E é só por isso que o meu cliente está preso. E com isso nós não podemos concordar”, concluiu.
Eder Fior argumentou que, por se tratar de uma investigação para apurar lesão corporal, eventual condenação não culminaria em prisão. “Se o caso seguir da forma como está, nós estamos falando de um caso de lesão corporal de natureza grave, que sequer daria prisão no caso de uma condenação. Então, essa pena antecipada é absurda sob qualquer ótica. E eu falo do ponto de vista do direito”, alegou.
Entenda o caso:
• Pedro Turra e um adolescente de 16 anos se envolveram em uma briga, na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires (DF).
• Durante a briga, Pedro jogou um chiclete mascado em um amigo e o adolescente respondeu que não deixaria barato se a situação tivesse ocorrido com ele.
• Em seguida, a briga começou. Vídeos gravados por testemunhas mostram Pedro e o adolescente se agredindo mutuamente.
• Em certo momento, o piloto dá um soco que faz o rapaz bater a cabeça em um carro. Ele parece perder as forças, e colegas, enfim, separam a briga.
• Gravemente ferido, o menor que bateu a cabeça no carro foi levado ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde permanece intubado em estado gravíssimo. Ele vomitou sangue ao ser socorrido.
• Pedro Turra deve responder por lesão corporal grave, mas a tipificação do caso pode mudar conforme o quadro de saúde do adolescente internado.
• No depoimento, Turra disse que não queria machucar o adolescente e apenas estava tentando evitar as agressões. Ele também pediu perdão ao jovem e à família dele.
Outras acusações
Com a repercussão do caso, vieram à tona ao menos outras três ocorrências policiais no Distrito Federal envolvendo Pedro Turra:
• uma agressão denunciada meses antes;
• uma briga de trânsito que terminou em agressão; e
• uma denúncia de que ele teria coagido uma adolescente a ingerir bebida alcoólica
Sobre as outras acusações contra Pedro, o advogado disse que os casos teriam sido utilizados para manter Pedro preso. O advogado reforçou a demora nas denúncias das outras acusações contra Pedro.
“Se nós formos julgar quem quer que seja por fatos pretéritos, eu acho que nós vamos prender todo mundo. Porque passado é complicado. Agora nós estamos falando de coisas relativamente distantes, 6 meses, 7 meses, 8 meses. Não houve um boletim de ocorrência no momento em que aconteceram, só surgem agora, desse modo que a gente tá assistindo, utilizado como fundamento para a manutenção do Pedro”, disse o advogado.
Veja vídeo da entrevista com o advogado.
Por João Paulo Nunes
Fonte: metropoles.com
